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Vila Cova de Alva

by | 7 Jun, 2022 | Beira Litoral, Lugares, Povoações, Províncias, Vilas

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Uma das imagens mais bonitas de Vila Cova de Alva tem origem na Fonte dos Passarinhos, a oeste da povoação, junto à Quinta do Pinheiral. De lá vemos Digueifel, a norte, e Vila Cova de Alva, a sul. Entre ambas as terras, o Alva que as separa e a ponte que as une.

Tudo começou numa ermida

Tudo indica que Vila Cova de Alva teve início numa zona não muito afastada dali, ainda antes de Portugal se afirmar enquanto reino independente.

Se andarmos um quilómetro para sudoeste da Igreja Matriz, saindo do perímetro do presente burgo, encontramos a Capela de São João Baptista, igualmente conhecida por capela de São João de Alqueidão. Muito possivelmente, é esse o lugar fundador do que viria a ser a actual vila. Faz algum sentido. Na capela estamos a uma altitude superior e seria aí o lugar ideal para implantar um posto que vigiasse o caminho entre Coja e Avô, ao mesmo tempo que se controlava boa parte do curso do rio Alva e de quem o queria cruzar.

Com o tempo, e talvez com a solidificação do reino, já longe das guerras contra os sarracenos, as poucas casas que ali se situavam passaram a procurar terrenos mais férteis e mais próximos de fontes de água, fundamentais para a agricultura. A povoação foi transitando para um vale de densa floresta, banhado por um rio de caudal promissor e num suave contraforte da Serra do Açor.

A concentração de homens preparados para trabalhar a terra deve ter sido célere, tendo em conta que logo nos inícios do século XIV o Bispo de Coimbra, detentor destes terrenos, deu carta de foral à povoação, agora sim, chamada de Vila Cova (o de Alva só viria bem mais tarde, já no século XX). A contínua importância da vila é demonstrada pela renovação dos forais no século XV, novamente pelo então Bispo de Coimbra, e no século XVI, por dois reis que dificilmente poderiam ser mais opostos um do outro, D. Manuel I e D. João III.

Este estatuto de terra-concelho manteve-se por todo o século XVII. E no início do século XVIII, uma novidade viria a impulsionar a vida de Vila Cova de Alva. Um convento dedicado a Santo António, administrado pela ordem antonina, viria a ser construído na zona alta. Foram vários os frades que para cá se mudaram. Com o trabalho dos frades e as dádivas de alguns homens-bons das cercanias (um dos maiores contribuidores foi Luís da Costa Faria, que hoje dá nome a uma das praças da vila), o templo ficou pronto em pouco tempo.

Cem anos depois, um saque efectuado por tropas francesas aquando das invasões napoleónicas deixou o convento e outros templos da vila despidos de recheio. E logo a seguir, após as guerras liberais, as ordens religiosas acabaram extintas – salvo raras excepções -, o que levou os frades vilacovenses a deixarem o convento e, consequentemente, a povoação. O convento acabou privatizado, estado em que ainda hoje se encontra, podendo, ainda assim, ser visitada a igreja. O século XIX marcou, desta forma, o princípio do declínio de Vila Cova de Alva.

Durante o século XX, já sem o fervor religioso dos anteriores séculos, veio o esperado: muita emigração, para fora e para Lisboa. As intensas actividades agrícolas ligadas à vinha e ao azeite, tal como a produção de artesanato, duraram até os vilacovenses mais velhos começarem a morrer. Ainda se fazem, mas longe do viço passado. Hoje, graças a uma recente praia fluvial, a um rico património histórico, e a uma afamada gastronomia – onde se destaca o bucho, o arroz-doce, o queijo, as tigeladas, os sequilhos -, Vila Cova de Alva espevita, sobretudo, com a sazonalidade turística.

Vista para o Convento de Santo António

Escadaria e igreja do Convento de Santo António

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Xisto com história

Se muitas vezes passeamos pelas terras da rede de Aldeias do Xisto e notamos que pouco mais há a explorar do que veredas e casais abandonados, Vila Cova de Alva vira essa percepção do avesso. E tudo em apenas quatro ruas paralelas ao rio e entre si.

Basta mirá-la de fora, com a fachada e torre da Igreja Matriz e a marquise do Solar Abreu Mesquita em destaque, para perceber que esta é uma terra histórica. Por cá andou gente rica ou mesmo fidalga. Por cá andaram ordens e irmandades. Quando entramos damos de caras com a confirmação – nas diversas casas solarengas; no património religioso que é absurdo em comparação com o tamanho da vila e que sustenta os vários ritos litúrgicos que cá se fazem, como as festas dedicadas à padroeira ou as festas das cruzes; na afamada via de toques manuelinos que se faz entre a estrada nacional e a praça da Igreja Matriz e que ganhou a alcunha de rua Quinhentista; e claro, no pelourinho, estampa do poder de outras eras, que se encontra na praça da Igreja da Misericórdia.

Xisto, todavia, há pouco. A maioria das casas esconde-o por trás de argamassa. Tal como Benfeita, também no concelho de Arganil, esta é tida como uma aldeia branca de xisto. Se no núcleo antigo já escasseia, é praticamente nulo no lado oriental da vila, onde casario recente veio a ser levantado. Nada que nos deva demover de cá vir. Vila Cova de Alva promete ser das aldeias de xisto que mais nos vai ocupar o tempo.

Arganil – o que fazer, onde comer, onde dormir

Arganil deve ser um dos concelhos do país com maior número de opções no que toca a praias fluviais - das mais secretas às que recebem o reconhecimento da Bandeira Azul, há de tudo um pouco, excepto água salgada. No meio de tanta escolha, sobressaem a praia fluvial de Foz d'Égua, a belíssima Fraga da Pena na autóctone Mata da Margaraça, os vários poços do Poço da Cesta, a vasta praia fluvial de Côja, a menos conhecida praia fluvial de Moinhos de Alva, e a pequena península que se forma na Barragem das Fronhas com área de lazer. São quase todas originadas pela Serra do Açor, que distribui caudais na sua vertente norte até ao rio Alva.

Mas além das ribeiras e praias e cascatas, Arganil faz-se valer pelas suas vilas e aldeias de xisto vestidas, umas reconhecidas de forma oficial na rede Aldeias de Xisto, outras nem por isso: o Piódão é a mais célebre, sendo capa de vários livros que ilustram o interior do país e parte integrante da rede Aldeias Históricas, conta com um bom restaurante para quem quiser ir à Chanfana; Foz d'Égua, à beira do Piódão, apesar de ser propriedade de meia dúzia de pessoas, pode ser visitável em todo o seu alcance; Benfeita conta com uma torre que repica pela paz; Vila Cova de Alva embeleza-se com convento, ermidas a rodos, e rua manuelina; e Barril de Alva vale a pena se andar por ali no terceiro Sábado de cada mês, quando acontece a feira. Não sendo um povoado mas merecendo de igual forma visita, temos a Capela da Rainha Santa Isabel, de planta distinta e diferenciadora.

Também na componente gastronómica, o município de Arganil dá cartas: nas carnes, é famoso o Bucho Recheado de Benfeita, de Vila Cova de Alva e de Folques, o coelho assado, e o cabrito; nas sopas, a canja de galinha e o caldo da castanha têm versão depurada, à moda da serra; o resto da imaginação foi despendida com a lambarice, nas Tigeladas de Torrozelas servidas em recipientes de barro, na Broa de Batata que se vende nas lojas do Piódão e de Côja, nos licores serranos feitos à base de ervas nativas, nas bolachas de ovo e açúcar conhecidas por Sequilhos. Em Junho podemos provar tudo isto num só sítio: a Feira das Freguesias.

E enfim, mal se falou da própria vila de Arganil. Os monumentos que mais merecem visita do burgo estão na sua periferia - o Santuário do Mont'Alto, a este, e a Capela de São Pedro, a norte. Simpático e barato é o restaurante A Tasquinha, bem no centro, para picar pratos locais. Uma boa alternativa à sede de concelho é a vila de Côja, apelidada de princesa do Alva por ser cruzada por este, famosa pelo seu parque de campismo com acesso à praia fluvial, e onde no restaurante Príncipe do Alva se pode entregar aos sabores do Polvo à Lagareiro.

Para dormir, o que mais se recomenda é que se pernoite nas pequenas casas xistosas afogadas nas ondas do Açor. Há muitas que conseguiram manter o toque da serra modernizando-a com o necessário conforto. Para nomear algumas, aqui ficam as que destacamos: a Casa da Quelha ou os InXisto Lodges em Chãs de Égua, bem perto do Piódão e de Foz d'Égua; a Casa da Padaria bem no coração do Piódão, e por favor fiquem para o pequeno-almoço; a Casa do Loureiro, um chalé no Soito da Ruiva; a Casa do Alto, na aconchegante Benfeita, bem perto da Mata da Margaraça; o muito procurado Campus Natura; ou a Casa do Rio Alva, à beira-rio e mais próxima de Arganil. Se entender que o ideal é ter mais serviço e menos tradição, terá sempre o INATEL Piódão, com a melhor vista sobre a aldeia presépio, ou a Quinta da Palmeira, casa oitocentista adaptada a hotelaria com dez quartos disponíveis.

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=40.28374 ; lon=-7.9409

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