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Há quem passe por Côja apenas para resfriar a pele nas suas praias fluviais, abastecidas pelo rio Alva. Nada de mal nisso, mas fica com o passeio incompleto, porque a vila é dos melhores recantos que o concelho de Arganil tem para dar.

E tudo o Alva uniu

Há terras assim, em que o rio vira medula de uma organização comunitária. Curiosamente, Côja, talvez o lugar que, nesta zona, mais vive o seu curso fluvial, não leva Alva no seu nome – como acontece em Barril de Alva ou Vila Cova de Alva, as duas povoações que se encontram imediatamente a montante.

Com efeito, entre dois troços de rio que, por dádiva natural, serviram de chão à Praia Fluvial Moinho de Alva e à Praia Fluvial do Caneiro, ergueu-se uma povoação que aproveitou a fertilidade da terra e a abundância de água doce, puxando mão de obra para trabalho agrícola e para extracção de chumbo e ouro. E sentimo-lo em qualquer deambulação – passear por Côja sem ver o Alva é praticamente impossível. Há um magnetismo que puxa todo o casario para a marginal, muito em concreto para a delgada ponte medieval, entretanto reconstruída, e que lhe valeu a alcunha pela qual Côja é orgulhosamente tratada, a Princesa do Alva.

É, já agora, da entrada desta ponte que conseguimos ver dois dos três principais monumentos de Côja: mesmo à nossa frente, o solar dos Valle, setecentista, casa passada do Dr. Alberto Valle, médico filantropo que pela ajuda que deu aos cojenses a troco de nada se viu homenageado em busto e em toponímia; e lá para trás, a pontuar uma colina, descortina-se a torre da Igreja Matriz, oitocentista, dedicada ao arcanjo São Miguel, e reconstruída em cima da antiga igreja da vila.

Também da ponte, se apontarmos a vista para a direita, vemos uma casa verde que corresponde à fachada do D’aqui e D’acolá, recomendável restaurante que vende petiscos e produtos regionais, entre os quais a célebre chanfana e a cerveja artesanal Açor.

Já o terceiro monumento-mor de Côja está para além da beira-rio e obriga-nos a entrar no bairro antigo – é o solar da praça Dr. Alberto Valle, seiscentista, ponto de encontro das gentes da vila, bem como dos ocasionais visitantes, assinalado com um pelourinho no exterior.

Mas não é só do rio Alva e das suas águas de azul calcado que Côja se abastece. Do lado sul, uma pequena ribeira nascida para os lados da Mata da Margaraça e que passa, logo depois, por Benfeita, flanqueia o casco antigo do burgo. Trata-se da ribeira da Mata e acaba por delimitar a malha urbana da margem esquerda do Alva, onde a vila cresceu, depois de transbordar para o outro lado. Por simetria, resolveram fazer a ponte que atravessa a foz da ribeira da Mata, quase igual à ponte principal acima mencionada – esbranquiçada e com três arcos de volta perfeita.

Rio Alva, em Côja

Côja e a sua beira-rio

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História de Côja

Falei de raspão do pelourinho da vila. O pelourinho é sempre um sinal de que estamos em lugar histórico. Neste caso, é uma lembrança dos seus dois forais – um eclesiástico, quando Côja, como quase todo o actual concelho de Arganil, foi entregue ao bispado de Coimbra; e outro régio, atribuído por D. Manuel I, numa altura em que a monarquia quis organizar o território em seu favor.

De facto, Côja teve antes óbvia importância, como aliás se pode comprovar pela presença dos seus solares, do desaparecido castelo, do desaparecido paço. Mas se tudo isso invoca a memória medieval cojense, o prestígio da vila começa lá para trás. Sabemos que os romanos cá andaram – daí viria o nome Coja, que significaria algo como a terra do magistrado (ou do pretor), isto é, o sítio onde a autoridade de Roma era exercida. O pára-arranca da invasão árabe e posterior Reconquista colocou-a no centro do conflito, como aconteceu um pouco por toda a Beira.

Por outro lado, os dois grandes episódios históricos que a vila testemunhou aconteceram já depois de fundada a nacionalidade. Um na guerra civil que opôs D. Sancho II àquele que viria a ser D. Afonso III, seu irmão, e que terminaria com a vitória do segundo sobre o primeiro – Côja, estando do lado perdedor, viu parte do seu património militar, em especial o castelo, destruído. Um outro nas invasões francesas, quando a ponte foi intencionalmente quebrada do lado norte, afundando no rio vários soldados franceses, logo massacrados por atiradores portugueses que se encontravam na margem sul.

Depois disso, e mormente a partir do século XX, o passado de Côja é uma história de deserção. A população cojense dispersou, mas o destino principal foi mesmo Lisboa, a única cidade do país que reúne gente de todos os cantos de Portugal.

Escadaria de acesso à Igreja Matriz de Côja

A Igreja Matriz

Arganil – o que fazer, onde comer, onde dormir

Arganil deve ser um dos concelhos do país com maior número de opções no que toca a praias fluviais - das mais secretas às que recebem o reconhecimento da Bandeira Azul, há de tudo um pouco, excepto água salgada. No meio de tanta escolha, sobressaem a praia fluvial de Foz d'Égua, a belíssima Fraga da Pena na autóctone Mata da Margaraça, os vários poços do Poço da Cesta, a vasta praia fluvial de Côja, a menos conhecida praia fluvial de Moinhos de Alva, e a pequena península que se forma na Barragem das Fronhas com área de lazer. São quase todas originadas pela Serra do Açor, que distribui caudais na sua vertente norte até ao rio Alva.

Mas além das ribeiras e praias e cascatas, Arganil faz-se valer pelas suas vilas e aldeias de xisto vestidas, umas reconhecidas de forma oficial na rede Aldeias de Xisto, outras nem por isso: o Piódão é a mais célebre, sendo capa de vários livros que ilustram o interior do país e parte integrante da rede Aldeias Históricas, conta com um bom restaurante para quem quiser ir à Chanfana; Foz d'Égua, à beira do Piódão, apesar de ser propriedade de meia dúzia de pessoas, pode ser visitável em todo o seu alcance; Benfeita conta com uma torre que repica pela paz; Vila Cova de Alva embeleza-se com convento, ermidas a rodos, e rua manuelina; e Barril de Alva vale a pena se andar por ali no terceiro Sábado de cada mês, quando acontece a feira. Não sendo um povoado mas merecendo de igual forma visita, temos a Capela da Rainha Santa Isabel, de planta distinta e diferenciadora.

Também na componente gastronómica, o município de Arganil dá cartas: nas carnes, é famoso o Bucho Recheado de Benfeita, de Vila Cova de Alva e de Folques, o coelho assado, e o cabrito; nas sopas, a canja de galinha e o caldo da castanha têm versão depurada, à moda da serra; o resto da imaginação foi despendida com a lambarice, nas Tigeladas de Torrozelas servidas em recipientes de barro, na Broa de Batata que se vende nas lojas do Piódão e de Côja, nos licores serranos feitos à base de ervas nativas, nas bolachas de ovo e açúcar conhecidas por Sequilhos. Em Junho podemos provar tudo isto num só sítio: a Feira das Freguesias.

E enfim, mal se falou da própria vila de Arganil. Os monumentos que mais merecem visita do burgo estão na sua periferia - o Santuário do Mont'Alto, a este, e a Capela de São Pedro, a norte. Simpático e barato é o restaurante A Tasquinha, bem no centro, para picar pratos locais. Uma boa alternativa à sede de concelho é a vila de Côja, apelidada de princesa do Alva por ser cruzada por este, famosa pelo seu parque de campismo com acesso à praia fluvial, e onde no restaurante Príncipe do Alva se pode entregar aos sabores do Polvo à Lagareiro.

Para dormir, o que mais se recomenda é que se pernoite nas pequenas casas xistosas afogadas nas ondas do Açor. Há muitas que conseguiram manter o toque da serra modernizando-a com o necessário conforto. Para nomear algumas, aqui ficam as que destacamos: a Casa da Quelha ou os InXisto Lodges em Chãs de Égua, bem perto do Piódão e de Foz d'Égua; a Casa da Padaria bem no coração do Piódão, e por favor fiquem para o pequeno-almoço; a Casa do Loureiro, um chalé no Soito da Ruiva; a Casa do Alto, na aconchegante Benfeita, bem perto da Mata da Margaraça; o muito procurado Campus Natura; ou a Casa do Rio Alva, à beira-rio e mais próxima de Arganil. Se entender que o ideal é ter mais serviço e menos tradição, terá sempre o INATEL Piódão, com a melhor vista sobre a aldeia presépio, ou a Quinta da Palmeira, casa oitocentista adaptada a hotelaria com dez quartos disponíveis.

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=40.2685 ; lon=-7.98862

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