Carvalho de Calvos

by | 13 Fev, 2023 | Flora, Lugares, Monumentos, Natureza

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Estava antes solvido numa floresta maior, densa, de outros carvalhos autóctones, embora reunisse dos lanhosenses um afecto especial – pelo porte, pela idade, pela sombra, pela funda cratera que recorta a base do seu tronco principal. O Carvalho de Calvos era, assim, um de muitos. Mas, ao mesmo tempo, o preferido de todos.

Imagine-se quanta gente não fez da sua folhagem um gigante chapéu de sol. Quantos piqueniques comunitários não foram ali agendados. Quantos namoros não tiveram por lá as suas mentirosas promessas de amor eterno.

Mas hoje, este carvalho-alvarinho a que o povo se habituou a chamar de Carvalho de Calvos (ou Carvalho da Fondoua, ou Carvalha Grossa, ou Carvalha da Tojeira), exibe-se num parque onde a vegetação rasteira e uma ou outra árvore sobrevivente da limpeza florestal efectuada pelo município não fazem mais do que dar palco à grande estrela da companhia.

O tamanho e a idade

O Carvalho de Calvos é de tal dimensão que precisa de uns quantos esteios nos troncos mais pesados para crescer sem risco de quebrar. Em altura, andará perto das três dezenas de metros. Em largura, a copa deve chegar aos cem metros. E no tronco, o perímetro não deve estar abaixo dos dez metros.

Todo este peso bruto vem, ainda assim, acompanhado de graciosidade. A aparente aleatoriedade com que os ramos escolhem orientação é feita com sabedoria, como se o próprio Carvalho de Calvos soubesse que este é um passatempo de séculos, num rito que se assemelha ao de uma velhota a tricotar pacientemente camisolas para o neto.

É a mirar o seu tamanho que a pergunta é feita: quanto tempo levou a que isto se criasse? E aqui, as opiniões são muitas. Antes, acreditava-se que superava os 500 anos. Mas o palpite parecia não lhe fazer jus. Estudos mais recentes revelaram uma idade mais próxima dos 700 anos de vida, uma enormidade para esta espécie (e, caso ajude, falamos aprofundadamente sobre os carvalhos portugueses aqui).

As estimativas que balizaram a idade real do Carvalho de Calvos levaram a que fosse considerado o mais antigo carvalho da Península Ibérica, e de caminho, o segundo mais antigo da Europa. A consideração deve, contudo, ser feita com um certo conservadorismo. Pessoalmente, tenho sempre algumas reservas quanto a este tipo de comparações porque haverá muito carvalho perdido e ignorado pelo homem em certos recantos nacionais e internacionais, bem como muitos outros que não foram alvo de avaliação. Ainda assim, o título de mais velho da península fica-lhe bem, e se por acaso não for exactamente assim, a verdade não andará muito longe disso.

Edifício do Centro Interpretativo do Carvalho de Calvos

Centro Interpretativo do Carvalho de Calvos

Centro Interpretativo do Carvalho de Calvos

A juntar ao parque que a Câmara Municipal comprou e renovou, construiu-se também um edifício que tem como objectivo promover o Carvalho de Calvos, dar alguma informação aos passantes curiosos que se deixam maravilhar pela imponência da majestosa árvore, e garantir uma função pedagógica com o público mais jovem, apelando à renovação e reciclagem de materiais e como elemento central de um futuro sustentável.

O Centro Interpretativo recebe ainda diversas actividades e eventos, de apresentações de livros à exposição de artesanato, de workshops dedicados ao reaproveitamento de equipamento a jogos e passatempos lúdicos para incutir o gosto pela natureza nas crianças. Conta também com uma horta biológica que está disponível para ser trabalhada por quem se comprometer a isso. Recentemente, criou-se um centro de BTT para os que pretendem percorrer o concelho a dar ao pedal.

Como se vê, o Carvalho de Calvos é agora o objecto principal de um complexo didáctico e turístico. Se antes só os lanhosenses o conheciam, agora é de quem cá passar. Desmontaram-lhe a selva que o envolvia e não há como não dar por ele.

Hastes de ferro a segurar tronco do Carvalho de Calvos

Esteios seguram o Carvalho de Calvos

Póvoa de Lanhoso – o que fazer, onde comer, onde dormir

Portugal nasceu aqui, num baluarte anterior à própria pátria, hoje conhecido como Castelo de Lanhoso - foi especialmente querido à história de D. Teresa, mãe de Afonso Henriques, que alguns consideram a verdadeira primeira monarca portuguesa. Além da renovada fortificação, há, logo ao lado, duas outras construções obrigatórias - o Castro de Lanhoso, que esteve na origem de tudo isto, e o Santuário de Nossa Senhora do Pilar, que começa no sopé do Monte do Pilar e chega até ao seu topo.

E no entanto, apesar dos três exemplos de património histórico descritos acima já serem suficientes para justificar uma visita, Póvoa de Lanhoso tem muito, mas mesmo muito, para ver. A destacar, temos a Filigrana que é trabalhada em Travassos e em Sobradelo da Goma, em primeiro lugar. Em segundo, o Centro Interpretativo Maria da Fonte, um espaço de pesquisa e divulgação de uma das mais célebres figuras da cultura popular, cantada e pintada e esculpida de norte e sul do país enquanto protótipo da mulher nortenha, e que de uma pequena revolta junto à Igreja de Fonte Arcada fez contagem decrescente para uma nova guerra civil. E em terceiro, caso haja possibilidade de ir a meio de Março, as Festas de São José, que se prolongam por uma semana mas que têm no dia 19 de Março o momento da sua majestosa procissão.

Quanto a lugares estivais, o pontão da Barragem de Andorinhas - num trecho predestinado do rio Ave, logo a jusante da lendária Ponte de Mem Gutierres -, e a Praia Fluvial de Verim, no extremo norte do município, são escolhas evidentes. Não muito longe desta última, o Pelourinho de Moure é uma curiosa obra que contraria o manuelino de onde brotou. E numa outra apertada praia, a Praia Fluvial da Rola, há o Santuário da Senhora de Porto d'Ave, responsável pela concorrida Romaria dos Bifes e dos Melões. De referência internacional é o DiverLanhoso, um dos maiores parques de aventura no continente europeu, com diversificada oferta de actividades, mormente para a criançada.

Nas comidas, os dois andares do Velho Minho guardam boa garrafeira e cozinha regional bem preparada - é bom o cabrito, finalizado com um pudim Abade de Priscos. Para dormir, o resguardo da Casa do Monte da Veiga, junto a Calvos (onde respira um dos mais belos carvalhos nacionais), dá noites sossegadas a quem as quiser, mas também a Villa Moura, em Fonte Arcada, entrega boa qualidade de serviço, piscina, e vista desimpedida sobre a serrania que cerca a sede de concelho.

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=41.59619 ; lon=-8.26843