Castelo de Tomar

by | 17 Fev, 2022 | Fortificações, Lugares, Monumentos, Províncias, Ribatejo

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Sendo verdade que o Castelo de Tomar e o Convento de Cristo são indissociáveis, ao ponto de se confundirem e de terem sido considerados como património da UNESCO em simultâneo no ano de 1983, decidimos desmembrar os dois monumentos num par de diferentes textos para melhor compreensão de cada um deles. Até porque, a distingui-los, há uma cronologia de que não podemos fugir.

O primeiro castelo

Muito se fala acerca da relação do nosso primeiro rei com a Ordem do Templo. Sabemos que ele se dirigiu aos cavaleiros-monges como Irmão, pela sua própria pena, aquando da doação do Castelo de Soure: “Faço esta doação, não por mando ou persuasão de alguém, mas por amor de Deus […] e pelo cordial amor que vos tenho, e porque na vossa Irmandade e em todas as vossas obras sou Irmão”. Resta-nos perguntar: seria D. Afonso Henriques um companheiro e amigo de armas da Ordem, educado e formado por ela, ou seria ele mesmo, como Paulo Alexandre Loução propõe, um Templário?

De facto, foram mais que muitas as vezes que D. Afonso Henriques se socorreu dos Cavaleiros do Templo enquanto força de conquista, de defesa, e de povoamento, no período da Reconquista. E se não podemos esquecer os Hospitalários e a sua influência na conquista de território a sul, parece evidente que o nosso rei tinha uma clara preferência pela Ordem Templária.

Assim se contextualiza a ascendência do Castelo de Tomar. Antes de haver um Castelo de Tomar, houve um Castelo de Ceras, e terá sido o termo deste último que acabou doado por D. Afonso Henriques à Ordem do Templários, de forma a que esta a mantivesse sob posse cristã. O objectivo era estancar o acesso a Coimbra, a então capital portuguesa, a quem partia de Santarém. Estávamos ainda longe de uma solidificação da fronteira cristã a sul, e qualquer contra-ataque sarraceno facilmente comprometeria o reino – de acordo com Ernesto Jana e com Herculano, na própria zona de Tomar ocorreu em 1137 uma batalha custosa para a frente cristã. Uma linha defensiva orientada segundo o curso do rio Tejo era, assim, necessária para que todo o território a norte, já relativamente estável, gozasse de paz duradoura.

Ainda se discute a posição da fortaleza de Ceras. Tudo indica que foi implantada na Alviobeira, cerca de dez quilómetros a norte da actual cidade de Tomar. No entanto, escasseiam os vestígios para que possamos dar uma exacta coordenada do sítio onde se encontrava. A falta de estudo arqueológico não ajuda. Consta, todavia, que Gualdim Pais, Mestre da Ordem, não terá ficado impressionado com o bastião, talvez pelo seu estado de abandono, talvez pela sua dúbia posição estratégica. Não obstante, aqueles territórios deveriam ter algum activo de combate, fosse em Ceras, fosse nas cercanias, e assim chegou à baila uma terra balizada por sete montes, fertilizada por um rio viçoso, e dotada de antigas muralhas aproveitáveis para nova construção (sabemos que na actual cidade de Tomar existiu povoamento pré-romano, provavelmente de natureza céltica, conforme diz Manuel Joaquim Gandra, posteriormente romanizada com a civitate de Sellium, e também aproveitada depois por visigodos e mouros).

O que conhecemos de um muito curioso testemunho de um nabantino, datado de 1317, a propósito de um inquérito promovido pelo rei D. Dinis, é que na escolha do lugar para construção do novo castelo tomarense, o Mestre Gualdim Pais recorreu à geomancia: “[Santa Maria de Tomar] fora já povoado de antigo e que então dissera o dito Mestre: ‘já aqui foi cidade antiga e foi destruída de mouros e se povoássemos aqui seria fraco lugar para os mouros’ […], e que então o dito Mestre mandou lançar sortes sobre três cabeços que além do rio havia, e lançaram as sortes por três vezes e por três vezes caíra a sorte naquele monte onde agora se vê o Castelo de Tomar”. Este testemunho poderá estar ligeiramente encoberto pelo discurso hiperbólico do povo. Ainda assim, não duvido que uma boa dose dele corresponda à verdade. Significa isto que em torno da colina do castelo, e mesmo antes de ele ser levantado, existia já um misticismo ancestral, tornando-o quase predestinado – um monte da providência.

Torre de Menagem, ao centro, e Torre da Rainha, à esquerda

A cunha oriental do Castelo de Tomar, com a Torre de Menagem à direita e a Torre da Rainha à esquerda

Tomar enquanto nova Jerusalém

Antes de irmos directamente à história e caracterização do Castelo de Tomar, é importante fazer o paralelismo do lugar com um outro, situado ponta oriental do Mediterrâneo, numa povoação que já naquele tempo era controversa: Jerusalém, Terra Santa, reclamada por judeus, cristãos e muçulmanos.

O saber templário está imbuído de influências orientais. É de conhecimento geral que a sua criação teve como primeira meta a segurança dos peregrinos cristãos que se deslocavam à Terra Santa. É normal, portanto, que os Mestres da Ordem do Templo fossem, desde a primeira hora, influenciados pela disposição, pela arquitectura, e pela gnose hierosolimitana. Tomar foi pensado, em certa medida, como um decalque de Jerusalém.

Nuno Villamariz Oliveira explica-o bem no livro “Castelos Templários em Portugal“, ao fazer um paralelismo entre o plano urbano de Jerusalém e o plano urbano de Tomar, extrapolando depois para a planta do castelo. Manuel Joaquim Gandra, em “Codex Templi“, também o faz, expondo, por exemplo, a forma como o rio Cedron e o vale de Josaphat separam a urbe do Monte das Oliveiras, tal como o rio Nabão separa a sede templária da diocese da Senhora das Oliveiras. E continua: “torna-se evidente por que motivo a Horta dos Frades e os seus moinhos-lagares […] são réplica do Horto das Oliveiras […], isto é, literalmente, da prensa de azeite, cenário da prisão de Jesus”.

Parece óbvio que Tomar obedeceu a um esquema pensado de raiz. E que, contrariamente ao que se pensa, isso não terá surgido originalmente da cabeça do Infante D. Henrique, que no século XV planificou a cidade de Tomar e tornou-a próxima daquilo que é no presente. Esse mindset vinha de trás, de Gualdim Pais, o Mestre que pensou aquele espaço enquanto uma Terra Santa lusitana, um microcosmo da Jerusalém que conhecera anos antes de aqui chegar. Tomar é executado como projecção sagrada: de Jerusalém, sim, mas também como espelho dos astros na terra. Completa Manuel Joaquim Gandra: “os principais edifícios religiosos e civis da capital templária de Portugal dispõem-se zodiacalmente em torno dela, crucificados por quatro conventos […]”.

Só assimilando tudo isto, conseguimos compreender o Castelo de Tomar, bem como o seu comparsa mais novo, o Convento de Cristo, porque também ele foi traçado, ao longo de séculos, na mesma lógica.

História do Castelo de Tomar

D. Afonso Henriques, como recompensa pelos bem sucedidos ataques cristãos a Santarém e Lisboa, recompensou a Ordem Templária atribuindo-lhes variadas terras, sobretudo entre o Tejo e o Mondego, zona que era preciso cimentar do lado cristão para depois se pensar nos territórios a sul.

Gualdim Pais, então Mestre da Ordem, decide que Tomar, pelas razões expostas acima, era o lugar indicado para que um forte-templo ali se levantasse. No dia 1 de Março de 1960, os guerreiros e, provavelmente, alguns locais, põem mãos à obra.

Todos os recursos foram aqui alocados. O fundamental da fortaleza, descontando a iconográfica Rotunda, foi edificado em tempo recorde – nove anos, sensivelmente. O esforço imposto no Castelo de Tomar foi de tal ordem que, durante esse período, não houve testemunho de qualquer outra construção templária.

Dois anos passados do início da sua construção, Gualdim Pais incentivava o povoamento da povoação através de um foral. A almedina, isto é, o espaço a sul da alcáçova destinado à vila, começa a ganhar gente. No morro principal, onde o castelo já se afigurava praticamente completo, um novo e enigmático monumento ganhava forma – a Rotunda, posteriormente conhecida como Charola ou, muito simplesmente, por Templo. Os novos habitantes, encorajados pela segurança de que gozavam, ajudavam no trabalho – tornaram-se alvenéis, agricultores e pastores. O ramalhete compunha-se – um castelo, um templo, um povo.

O cerco

Três décadas depois do seu nascimento, o Castelo de Tomar seria posto à prova, numa altura em que não se encontrava totalmente acabado.

O califa Abu Iacube Almançor inicia uma ofensiva contra o reino português. Tomou Silves e dali marchou para norte. Seguiram-se as fortalezas da foz do Sado e do Tejo – Alcácer, Palmela, Almada. Em pouco tempo, estava no aquém-Tejo. Venceu em Abrantes e em Torres Novas. Sitiou Santarém. Galgou em direcção ao Mondego, parando no Castelo de Tomar onde, tal como fizeram em Santarém, montou cerco.

O cerco enfraquecia a hoste cristã, privada dos campos que lhe dava pão e gado, e que estava, ainda por cima, em minoria. Na hora que considerou certa, Abu Iacube Almançor dispara o ataque para a tomada do castelo. Entrando pela vertente sul, e chegando mesmo a ultrapassar a cerca exterior, o até ali invicto exército muçulmano foi castigado. Daí virá, talvez com carga lendária, o nome da porta meridional de acesso à almedina: a Porta do Sangue, que aqui explicámos poder ter outra justificação.

Os sarracenos, feridos, não aguentam por muito mais tempo. Seis dias depois de ali se instalarem, desertam. Foi o fim da avassaladora remontada muçulmana que assustou, com razão, o reino. O velho Gualdim Pais, na altura com mais de setenta anos, salvara Portugal.

A Ordem de Cristo – os neo-Templários

Depois de estabelecida a fronteira do reino de Portugal a sul, ou seja, anexando o Algarve à coroa, as fortalezas templárias, quase todas situadas bem a norte, vão perdendo a sua função guerreira, mormente as que se encontram longe da fronteira com Castela, como é o caso de Tomar. Contudo, isso não impede o crescimento da influência templária – na Europa, o tesouro da Ordem começa a ser comentado (e cobiçado).

Entretanto, um evento ocorre em França. Filipe IV, entretido com as suas guerras, estava falido. A Ordem do Templo, já famosa pelo seu volumoso tesouro, torna-se a presa principal do monarca. Do Papa Clemente V, a quem tinha prestado ajuda, exige uma retribuição de favor: perseguir e erradicar a Ordem, com consequente transferência dos seus bens para a coroa francesa. Acusados de heresia, os cavaleiros Templários são acossados. A caça acontece em toda o Velho Continente. Em 1321, a Ordem é oficialmente extinta.

Mesmo assim, há excepções. Uma delas, provavelmente a mais evidente, acontece em Portugal. O rei D. Dinis desdobra-se em acções para evitar a extinção da Ordem Templária – não é para menos, Portugal foi, em boa parte, uma criação dos cavaleiros-monge, a quem a monarquia estaria eternamente grata. Para isso, recorre ao Papa. Dando a desculpa de que uma nova ordem militar era essencial na salvaguarda do reino contra o Islão, pede aprovação para uma nova ordem, chamada Ordem de Cristo (ou Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou ainda Ordem de Cavalaria de Jesus Cristo).

A Ordem de Cristo não era mais do que a Ordem do Templo, mas com outro nome. Os bens e territórios removidos ao Templo, por imposição papal, e transferidos para a coroa, foram devolvidos à Ordem de Cristo logo que ela se fundou. A sua sede, depois de uma curta estadia em Castro Marim, retornou a Tomar, a eterna casa-mãe. O Castelo dos Templários era agora o Castelo da Ordem de Cristo – dois alter-egos do mesmo escritor.

De castelo a convento

Com a Ordem de Cristo e a consolidação do território português, o Castelo de Tomar torna-se outra coisa. Menos beligerante, mais circunspecto. O Infante D. Henrique, nomeado Mestre da nova Ordem, define um plano para Tomar, que na verdade é uma continuação daquilo que já tinha sido pensado.

O castelo é requalificado. Na alcáçova é montado o Paço do Infante. A urbe ganha outra dimensão, de malha geométrica, pensada a régua e esquadro. D. Manuel I mantém o espírito empreendedor do Infante no morro principal tomarense. Decide o rei que as gentes que habitam a Almedina devem ser empurradas para fora da muralha – todo aquele casco histórico passa, a partir daí, a ser reduto da Ordem. Os nabantinos atirados para fora do forte procuram casa nas redondezas e Tomar extravasa para lá do rio.

No século XVI, D. João III e a sua rainha, D. Catarina, entregam novas reformas ao recinto. O Castelo de Tomar, uma edificação de sobriedade românica com pontuais registos góticos, ganha estilos que até ali desconhecia – nomeadamente renascentistas mas também manuelinos. Alguns ainda o apelidavam de Castelo de Tomar, mas, no entanto, e à medida que os acrescentos iam chegando, já não era bem um forte que ali estava… Um novo monumento, que começava a invadir o espaço do castelo, nascia – o Convento de Cristo, mais tarde estendido até à Cerca Conventual, actual Mata dos Sete Montes. Mas desse falaremos noutra praça.

Caracterização do Castelo de Tomar

Se olharmos para o mapa dos castelos templários em Portugal, observamos como eles se fixaram, quase todos, nessa faixa central do país, a acompanhar o rio Zêzere e o curso fluvial tagano. A ideia, como já foi dito, era colocar um tampão às investidas sarracenas, que no século XII ainda eram uma recorrência.

Tendo todos eles a devida importância na contenção de ataques mouros, um deles foi pensado para ser sede da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, nome oficial dos Cavaleiros do Templo. Esse novo castro, por assim dizer, que deveria obedecer à vivência templária, bem como à sua cosmovisão do mundo, viria a ser o Castelo de Tomar.

Conhecidos como cavaleiros-monges, ou monges-guerreiros, definição que hoje passa como paradoxal, os Templários apenas viviam em espaços que completassem o seu fulgor bélico e a sua veia teológica. Os castelos onde habitavam não eram, portanto, apenas castelos.

Tal pode ser observado em vários que sobreviveram até aos nossos dias, como o belo Castelo de Almourol ou o distante Castelo de Monsanto, mas nenhum é tão representativo da mundivisão da Ordem do Templo quanto o Castelo de Tomar. O saudoso escritor Umberto Eco foi categórico: “se […] conseguia imaginar um castelo templário, assim é Tomar”.

Uma inspiração oriental

Vimos no início como à cidade de Tomar correspondia, na essência, o plano urbanístico desenhado na Terra Santa, Jerusalém.

A mesma lógica se aplica ao castelo. Nuno Villamariz Oliveira, a este respeito, desenha um esquema onde faz equivaler: à muralha tomarense, a antiga cerca hierosolimitana; à alcáçova, o Templo de Salomão (ou o Segundo Templo); à Rotunda, a Cúpula do Rochedo; à Porta do Sol, a Porta de Sião; e à Porta do Sangue, a Porta de Jaffa. Sobre uma eventual correspondência da Torre de David na fortaleza tomarense, só trabalhos de arqueologia poderão dar uma resposta.

De qualquer forma, de todas as analogias enunciadas, a única que podemos hoje confrontar, graças ao bom estado de ambas, é a que põe lado a lado a Rotunda e a Cúpula do Rochedo (ou Cúpula da Rocha).

A dita Rotunda (agora conhecida vulgarmente por Charola) que se encontra no castelo nabantino sofreu, ao longo dos séculos, diversas alterações. Inicialmente cumpriria a função de lugar sagrado mas também de posto de vigia. A segunda utilidade foi desaparecendo, sendo substituída, quase em exclusivo, pela primeira – razão pela qual preferimos abordar o tema da Charola no artigo acerca do Convento de Cristo, pois embora tenha sido uma construção templária, praticamente simultânea à obra do castelo, ela tem vindo a transformar-se mais num ícone conventual do que castrejo.

Aspecto geral do Templo do Rochedo

O Templo do Rochedo, ou Cúpula da Rocha, inspirador do Templo no Castelo de Tomar

A muralha

Um dos aparelhos que mais impressiona no Castelo de Tomar é a muralha. Parte dela desapareceu, e ainda assim rendemo-nos à sua monumentalidade. Flui conforme a topografia, ondulando pela colina mais alta dos Sete Montes como uma serpente.

É a longa muralha exterior que agrupa os três distintos espaços que podemos visitar. Estas três secções separavam-se por meio de duas outras muralhas, estas interiores.

A norte, no topo da colina, onde o olho vê mais longe, temos o castelo principal, com a sua torre de menagem (a primeira, diz-se, a ser feita em Portugal), do lado nascente, bem como a Rotunda, no lado poente. A intermediar uma e outra estava a alcáçova, agora parcialmente ocupada pelo convento.

Abaixo da alcáçova estendia-se a praça de armas. Embora ajardinada, esta ainda é hoje reconhecível. Aqui se encontra, na ponta oriental, a majestosa e proeminente Torre da Rainha – assim conhecida pela requalificação de que foi alvo, feita pela rainha D. Catarina de Áustria, mulher de D. João III -, de planta quadrangular, ponto a partir do qual a cerca inflecte para oeste. É também aqui que podem ser vistas as ruínas da antiga Igreja de Santa Maria do Castelo.

Por fim, na zona mais a sul, teríamos a Almedina – agora ornamentada com um laranjal -, antes vivida pela povoação tomarense até ao ano em que D. Manuel I decretou que o povo a desocupasse, com o intuito de dar maior reclusão e espaço à Ordem de Cristo.

Nos dias que correm, há um Caminho de Ronda que pode ser feito: com início na Porta do Castelo, passa pela ponta oriental, actual Torre da Rainha (e antiga Torre do Relógio), também pela circular Torre da Condessa que acede à Mata dos Sete Montes, e termina junto à incompleta Casa do Capítulo.

O alambor

Revolucionário na arte da guerra foi o alambor colado à cerca exterior. Um alambor, para quem não é versado em arquitectura militar, é um retoque feito à base da muralha, de forma a aumentá-la, garantindo maior estabilidade e dificultando o acesso do inimigo a ela.

Neste caso, tem como característica principal o facto de ser rampeado – quem quer que quisesse escalar a cerca por escadas ou por torre de assalto, não tinha como. Além disso, o alambor dava vantagem aos arqueiros que, das ameias e seteiras que se encontravam cortadas no pano de muralhas, conseguiam sempre ver onde parava o invasor, já que o reforço em rampa construído na base evitava ângulos mortos.

Em Tomar, o alambor tomou outras proporções. Era rampeado e largo, e acompanhava toda a muralha – actualmente a melhor maneira de o apreciarmos é nos troços entre a Porta de Santiago e a Porta do Sol, na entrada norte.

Tomar – o que fazer, onde comer, onde dormir

Em Tomar, nada do que parece, é. Produto da simbologia Templária, da imaginação do Infante D. Henrique, e da religiosidade da Ordem de Cristo, a cidade tornou-se palco de investigação dos mais diversos académicos - nacionais e internacionais. Não raras vezes, cada monumento conta com mais de três ou quatro interpretações diferentes. É, portanto, justo que algumas visitas se façam acompanhar de alguém que conheça bem as sinuosidades do monumentos visitados, como é o caso da santíssima trindade que se encontra na margem direita do rio Nabão: o Castelo de Tomar, o Convento de Cristo, e a Mata Nacional dos Sete Montes.

Mas além desses três óbvios destinos, só na cidade, há dezenas de outros pontos a picar: a sinagoga, o Café Paraíso, o jardim que guarda a Roda do Mouchão, o Convento de São Francisco, a Igreja de São João Baptista, os Paços do Concelho. Na outra margem do rio, onde o betão domina, a oferta turística é menor, mas ainda assim temos exemplares como a Igreja de Santa Maria do Olival, com uma belíssima fachada de um gótico obscuro.

Nas festividades, é impossível não mencionar a Festa dos Tabuleiros, realizada de quatro em quatro anos. Mas também a pascal Matança dos Judeus, organizada por rapazes e raparigas de Cem Soldos, deve ser vista, bem como a Feira de Santa Iria, no dia 20 de Outubro, ou o orgulhoso Carnaval da Linhaceira, considerado como o mais artesanal de Portugal. Para um público mais jovem, a música pop e rock nacional tem destaque no Festival Bons Sons, também em Cem Soldos.

Nas sempre importantes comidas, há duas iguarias que têm de ser provadas para quem aprecia doces: uma delas é fácil de adivinhar, as Fatias de Tomar, disponíveis em várias cafetarias e restaurantes da terra; a outra é a mais recente invenção nabantina, um pequeno bolo intitulado Beija-me Depressa, que podemos provar, exclusivamente, no café Estrelas de Tomar. Mais quatro restaurantes juntam-se à pool de sítios a ir para manjar à séria - o famoso Tabuleiro; a medieval Taverna Antiqua; o Chico Elias que nos meses invernais tem direito a lareira, mas que requer algum cuidado porque conta com um horário sui generis; e a Lúria, casa de comidas e bebidas regionais onde se destacam alguns pratos sazonais e as açordas.

Para dormir na cidade de Tomar, a escolha é muita. Reduzimos o leque a um par de hipóteses, ficando o leitor a saber que haverá muitas outras, eventualmente tão boas quanto estas: o Hotel República, que não esquece a herança templária nabantina e acolhe-a na sua decoração, e a Casa dos Ofícios, edifício setecentista que recupera as antigas actividades da labora tomarense. Fora do perímetro urbano aconselham-se várias alternativas nas margens do Zêzere, junto à Barragem de Castelo do Bode, como a Casa RioTempo, com vista e acesso para a albufeira, ou a Quinta do Troviscal, um cuidado espaço que goza de privilegiada geografia.

Mais espaços para dormir no concelho de Tomar podem ser vistos em baixo:

Mapa

Coordenadas de GPS: lat=39.60338 ; lon=-8.4176