Ponte de Prado

by | 30 Mar, 2023 | Engenharia, Lugares, Minho, Monumentos, Províncias

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Durante centenas de anos, a estrada que ligava a leonesa cidade de Astorga à portuguesa cidade de Braga fazia-se por aqui, pela Ponte de Prado, peça de granito maciço que une duas rampas em ascensão e com convergência no seu centro. Até ao final do século XX assim foi, para irritação de bracarenses e vila-verdenses que ansiavam por uma estrada mais moderna, consoante com o crescente tráfego automóvel que diariamente cruzava o rio Cávado.

A nova ponte lá apareceu, em 1999, construída a montante. Aliviou o engarrafamento da velhinha Ponte de Prado, onde nem sequer cabem dois carros ao largo. Só lhe fez bem. No presente, serve essencialmente de via de comunicação para as terras nas redondezas de Prado e de Merelim, bem como de moldura de duas praias fluviais: a Praia Fluvial de Merelim, a sul, e a muito procurada Praia Fluvial do Faial, a norte.

História e lenda da Ponte de Prado

Considerando o marco miliário aqui achado, é praticamente certo que o caminho romano que ligava Braga e Astorga atravessava o Cávado algures por aqui, e parece que também nestas margens se montaram guardas para as legiões do Lácio. O que não é certo é se a travessia se fazia por uma ponte ou de outra forma – de barco, por exemplo, ou por um almegue. Daí que a afirmação que coloca a origem da actual Ponte de Prado como romana se torne um pouco descomedida, pelo menos até que alguma coisa de mais substancial seja encontrada.

No entanto, no século XII, ela já existia certamente. Talvez por esta altura tenha surgido a lenda que perdurou até ao presente, que defende ser esta ponte o resultado de um amor de um rei por uma mulher de bom berço – segundo o povo, terá o monarca ordenado a sua montagem para que pudesse ver a sua amada mais facilmente, sem recurso a barqueiro.

Corresponderia a sua construção medieva com uma das alturas em que o lugar de Prado mais se desenvolveu, enquanto parte do couto de Pico de Regalados – uma oferta de Afonso Henriques a Paio Mendes -, numa altura em que Portugal tinha de estar atento às suas fronteiras a norte, e à sua reconquista a sul. Paio Mendes, homem da alta nobreza que acabou nomeado arcebispo de Braga e que se distinguiu como um dos grandes apoiantes de D. Afonso Henriques na luta pela independência do Condado, terá sido o seu principal financiador.

Foi esta via que se aguentou durante toda a época medieval, até ao seu desabamento no início do século XVI, vítima da força do Cávado que, quando engordava, podia levar tudo à frente, sobretudo contando que nesses tempos os rios corriam selvagens, sem a regulação das barragens. Os reparos posteriores foram pouco mais do que limpeza de rugas. Fizeram-na durar outros cem anos, para depois ser novamente reconstruída, aqui sim, com cara nova, e de acordo com os cânones da arquitectura seiscentista, tornando-a mais robusta e segura. Essa é a versão final, mais pedra, menos pedra, que se vê hoje.

A Ponte de Prado e os ovos da Páscoa

Estando bem menos movimentada de motores, a Ponte de Prado foi sendo aproveitada como ponto de encontro entre residentes das duas margens. Um bom exemplo é o raro fenómeno que acontece anualmente no Domingo de Páscoa.

Pela noite, sai a população de casa para se agrupar junto à antiga travessia do Cávado. O tabuleiro fica cheio e há pessoas que preferem fixar-se pelas extremidades. Consigo trazem um ovo cozido, ainda por descascar. À meia-noite, devem quebrar a casca, desembrulhá-la, e atirá-la ao rio. Quanto ao ovo, deve ser tragado de imediato. A crença é que tal gesto retira as dores de cabeça a quem o pratica.

Interessante que este inusitado colóquio, sendo uma tradição moderna, mantém os símbolos de sempre: o ovo, marca maior do período pascal, enquanto metáfora para a regeneração ou os princípios. Assim é a Páscoa, um recomeço da natureza. Comer o ovo, como faz a vila de Prado, é renascermos com ela.

Varadim com brasão

Varandim com Armas dos Condes do Prado

Vila de Prado ao fundo

Entrada na vila de Prado, vindo de Merelim

Vila Verde – o que fazer, onde comer, onde dormir

Vila Verde explica-se a si própria: para onde quer que se mire, é a cor que lhe dá nome que ataca os olhos. Estamos num dos mais longos vales do coração do Minho. Não admira que à nossa volta, debaixo de cada pedra, salte uma romaria. A ter de escolher, a de Santo António de Vila Verde ou a Feira dos Vinte da vila de Prado, são das mais concorridas.

E já que estamos na vila de Prado, terra em lugar prometido, numa das principais passagens do rio Cávado, leia-se um pouco sobre a fascinante história lendária da ponte que serve de papel de parede à Praia Fluvial do Faial. Um pouco a norte do vilarejo, e continuando no encalço do património lendário, temos o Penedo da Moura junto ao antigo castro, hoje popularmente conhecido como Monte do Castelo, ao qual só se acede com esforçada caminhada. E para nascente, uma nova lenda justifica um bizarro costume que deve ser comprovado na Casa das Promessas do Santuário do Alívio - à santa, é costume oferecerem-se cobras como ex-votos.

Mas vila verde não se percorre apenas entre montanhas. Na fronteira norte do concelho, há vila-verdenses serranos, a viverem nas sobras ocidentais do Gerês. Por lá encontramos uma pequena aldeia de nome Borges onde, segunda crença popular, um dente de São Frutuoso ajudava as povoações a curarem-se da raiva. E também na serrania vila-verdense tem lugar, no minúsculo povoado de Mixões da Serra, a famosa Bênção dos Animais, celebrada num livro e numa exposição fotográfica de Alfredo Cunha. Mais para sul, uma outra elevação foi equipada com torreão para defesa de um dos maiores apoiantes de D. Dinis na guerra civil contra D. Afonso IV - a Torre de Penegate.

Na gastronomia, não se pode sair de lá sem ir aos pratos elementares: as Papas de Sarrabulho (que têm uma versão especial na Feira dos Vinte), o Pica-no-Chão (do qual Vila Verde é capital), e o Pudim Abade de Priscos (cujo inventor aqui nasceu). Para ir ao melhor que o o concelho tem para entregar no prato, recomendam-se a Tasquinha do Cerqueira e a Toca do Lobo para as carnes. Com preço um pouco acima dos anteriores, mas famoso pelo bacalhau e pelo arroz de pica-no-chão (vulgo, arroz de cabidela), temos o Torres.

E para dormir, à cabeça, aparece a antiga Torre e Casa de Gomariz, actualmente revivida enquanto hotel de luxo, a Torre de Gomariz Wine & Spa Hotel. Mas há tanta oferta que podemos passar uma tarde inteira no processo de escolha. De portas recentemente abertas está o Recanto Nature, novinho em folha mas já com boa fama. Para casas, uma boa opção é a Casa Tarrio, a norte da sede de concelho, ou a Casa da Assudra, perto do Monte do Castelo.

Mapa

Coordenadas de GPS: lat=41.59573 ; lon=-8.46292