Praia da Falésia

by | 23 Mai, 2022 | Algarve, Lugares, Natureza, Praias, Províncias

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Na realidade, estamos perante um areal que se divide em várias pequenas praias. Aquilo que as une é uma arriba, ora alaranjada, ora amarelada, rcuja altura vai variando, conforme a geografia. Essa parede sobranceira à sequência de praias fez com que as agrupássemos num conjunto a que se convencionou chamar de Praia da Falésia, um ícone do concelho de Albufeira que marca a transição do Barlavento para o Sotavento algarvio.

Seis mil metros de falésia

São, no total, quase seis quilómetros que distam desde os Olhos de Água, no extremo oeste, até ao pontão da Marina de Vilamoura, no extremo este. No meio, as praias que somadas resultam na Praia da Falésia sucedem-se – de poente para nascente, temos a Praia do Barranco das Belharucas, a Praia das Açoteias, a Praia do Alfamar, a Praia do Poço Velho, a Praia dos Tomates, e a Praia da Rocha Baixinha.

À medida que caminhamos no sentido descrito acima, de ocidente para oriente, a arriba argilosa vai minguando. De perto de cinquenta metros de altitude do lado oeste, a falésia vai descendo e descendo, até desaparecer por completo quando atingimos a outra ponta, na Praia da Rocha Baixinha. A meio, sucedem-se troços manipulados pelas chuvas – a água, essa grande oleira, vai vincando fendas na rocha, e pequenas Capadócias surgem em boa pose para a fotografia.

Se quisermos olhar para a beleza da Praia da Falésia de sítio previligiado, há um percurso que pode ser feito lá por cima, de onde irá ver também uma boa parcela do Algarve costeiro. Atenção que o trilho é longo, sobretudo se a intenção for ir e vir, mas valerá a pena caminhar por este muro barrento, uma varanda imensa adornada com um vasto pinheiral, porque não encontrará outro lugar assim no país.

Um vale entre arribas, na Praia da Falésia

As pequenas Capadócias na Praia da Falésia

A praia

Raros são os areais algarvios onde nos podemos dar ao luxo do espaço, sobretudo quando falamos nos de Portimão ou nos de Albufeira, conhecidos pela alta procura que têm em Julho e Agosto. Felizmente, a Praia da Falésia é excepção à regra. Graças ao seu tamanho, há sempre algum pedaço de areia relativamente deserto. Basta que nos afastemos dos principais pontos de acesso – ou seja, Vilamoura, Açoteias, Olhos de Água – e lá estão as clareiras prontas a ser ocupadas.

Também a zona de banhos é simpática para o visitante. A maré vazia chega até longe – permite longos passeios pelo mar adentro, e dá boa margem de segurança para os pais que levam a criançada consigo. A ondulação, estando na costa sul algarvia, é quase sempre baixa.

Por fim, temos os serviços. Restauração e hotelaria não faltam por aqui, e sem a desorganização que encontramos noutros pontos do concelho de Albufeira. Colado à Praia do Barranco das Belharucas, há o Golfinho, para peixe fresco, e as dormidas acontecem no Sheraton Pine Cliffs, conhecido pelo elevador que nos leva até à areia entre profundos penhascos. Na zona próxima do antigo aldeamento das Açoteias temos o caro mas luxuoso EPIC Sana Hotel com o seu restaurante Al Quimia para as refeições, o Falésia Hotel para bolsas mais modestas, o Lagosteira para marisco, o Taste of Punjab para picantes, e ainda a Praceta do Pinhal onde se juntam vários restaurantes, bares, e até discoteca. Mais a oriente, do lado de Alfamar, o AP Adriana Beach Resort guarda uma das áreas menos povoadas da Praia da Falésia para os seus clientes. Por fim, na ponta nascente, temos o NoSoloÁgua Vilamoura, que é mais bar do que restaurante, e logo a seguir a própria marina, onde oferta não falta.

Talvez por isso, pela beleza que os Deuses lhe entregaram, pelo conforto que transmite, pelos comes e bebes, pelos hotéis de primeira divisão, a Praia da Falésia vai ganhando reconhecimento lá fora. O Tripadvisor distinguiu-a como a melhor praia portuguesa, a terceira melhor da Europa, e a décima segunda melhor do mundo, à frente de referências como a Praia Kleopatra ou Galápagos.

Albufeira – o que fazer, onde comer, onde dormir

Albufeira foi uma das grandes vítimas do terramoto de 1755 e das guerras liberais. O pouco que dali sobreviveu nada interessa à maioria dos que cá vêm na época balnear, quando o concelho facilmente atinge uma população dez vezes superior à que tem no Inverno. O alvo desta gente, maioritariamente alemã, francesa, inglesa, até americana, são, claro, as praias. E são tantas que o tormento está em ter de escolher - com efeito, Albufeira, por tradição, lidera a lista anual de praias com Bandeira Azul no Algarve.

Nomeio, sem ter de puxar pela memória, apenas um parte delas: as famosas praias do Peneco e dos Pescadores, em frente da cidade; a Praia do Evaristo, conhecida pelo seu restaurante; a escondida Praia da Ponta Grande; a mínima mas bela Praia dos Arrifes; a convidativa e muito procurada Praia de São Rafael, guarnecida pelo hotel que lhe deu o nome; a exclusiva Praia dos Aveiros; a célebre Praia da Oura, uma balbúrdia veranil; a Praia dos Olhos de Água, que considero a mais bonita do concelho quando está vazia; a enorme Praia da Falésia, cujo nome presta homenagem à majestosa arriba que lhe é sobranceira. Há muitas outras que ficaram de fora, e demasiadas que desconheço...

Se está na minúscula minoria dos que pretendem mais do que areia, sol, e mar, então ponha a hipótese de visitar o lendário Castelo de Paderne, a nordeste da sede de município, ou dar corda às botas e ver as praias numa outra perspectiva, percorrendo a falésia da Reserva Natural Caminho da Baleeira. Indo na primeira quinzena de Agosto, dê um salto a um dos momentos mais marcantes do calendário religioso algarvio, a Festa de Nossa Senhora da Orada, ou a uma pequena celebração nos Olhos de Água dedicada a um dos nossos peixes favoritos, a Festa da Sardinha. Para Setembro, no primeiro fim de semana, ficam guardadas as Festas do Pescador, habitualmente a mais esperada celebração popular do concelho.

Na cidade, salvam-se ainda algumas casas do bairro antigo, bem como a Igreja da Misericórdia, e a icónica Torre do Relógio, curiosa obra de ferro forjado. Também na cidade, para comer bem, lembrem-se do recatado Staar, do espaço quente que é o Bistro, e do excelente mas muito acessível Lusitano, que trata a gastronomia algarvia com o orgulho de quem é de lá. Fora do centro, há uma taberna que é um mimo: o Cantinho do Mar, com comida tradicional e baratinho como toda a gente gosta. Bem perto deste último, temos o La Cigale, restaurante de praia nos Olhos de Água, com boa sardinha e boa cataplana, e também o Manzo, para quem gosta de carnes maturadas. Fora do circuito, a norte, há dois nomes a reter: Veneza, restaurante e garrafeira ao mesmo tempo, e com óptima ameijoa-preta; e Mato à Vista, para apurado peixe e ensopada carne. Do lado do Barlavento, temos o mítico Evaristo, que para quem ali passa férias, dispensa apresentações, e o restaurante da praia de São Rafael, instalado no meio da praia homónima.

Quanto à hotelaria, como sabemos, oferta não falta. Os preços, em época alta, sofrem a habitual inflação, e por isso é trabalho ingrato tentarmos, em Julho ou Agosto, ter valores para o bolso médio português quando quem está disposto a pagar não é de cá. Havendo disponibilidade financeira, sugere-se o EPIC SANA Algarve, grande empreendimento junto à Praia da Falésia, ou o Vila Joya, encostado à Praia da Galé. Para uma estadia despretensiosa, afastada das massas, o Golden Cliff House, à beira da Praia dos Alemães, é escolha acertada. Mais acessível é o Lost & Found, bom mas um pouco afastado das praias, e a Guest House Dianamar, praticamente no centro de Albufeira, embora seja difícil conseguir reserva nos meses festivos. Por fim, guardem este nome: Quinta do Mel, um achado que sabe servir produtos regionais ao mesmo tempo que oferece uma tranquilidade que raramente rima com as praias de Albufeira.

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=37.08613 ; lon=-8.16879