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Lenda da Luz da Cobraceira

by | 3 Nov, 2022 | Douro Litoral, Lendas, Mitos e Lendas, Províncias

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Um indiscreto lume, como se de um pavio de um círio ardesse, gravita sobre as margens do rio Ave até entrar terra adentro. A Lenda da Luz da Cobraceira ainda pode ser ouvida no agora concelho da Trofa. A luz, essa, nunca mais alguém a viu.

A chama que anda

Já se contava a presente história quando este trecho do rio Ave, na ala norte de Santiago do Bougado, ainda fazia parte do concelho de Santo Tirso. Hoje, a margem esquerda do Ave transformou-se no belo Parque das Azenhas, o que dificulta imaginar como era isto há décadas, numa altura em que alguém que aqui fosse topado seria de imediato tido como fugitivo, mendigo ou criminoso.

Contudo, conta o povo que lá também se via uma outra coisa. Não se tratava de fugitivo ou de mendigo ou de criminoso. Nem parecia sequer ser alguém. Aquilo que os olhos percebiam no meio da escuridão nocturna era apenas a ligeira agitação de uma chama, do tamanho daquelas que um brandão de igreja tem. Mais surpreendente que isso: a chama não sossegava. Parava e arrancava. Tanto lhe dava para rasar águas ribeirinhas como para subir altitudes sobrehumanas. E passou a ser conhecida como a Luz da Cobraceira.

Sobre ela elaboravam-se os mais diversos comportamentos. Por vezes, equivalia a um valente susto, correndo ameaçadora até alguém que acabaria por fugir. Outras, pelo contrário, mostrava-se solidária, e se se apercebesse de que havia um homem incauto por perto, acompanhava-o, alumiando o caminho.

Infelizmente, desde há uns tempos para cá, os testemunhos da Luz da Cobraceira cessaram. Talvez porque a urbe foi galgando estes terrenos, e os citadinos que aqui se fixaram são menos crédulos do que a antiga população rural. Ou talvez porque a luz tenha beneficiado de um desencantamento e esteja agora livre da sua antiga forma, como muitos crêem.

Uma alma penada?

A luz que surge nos relatos pode ser, de acordo com crença local, um vestígio de alguém que morreu na corrente do Ave e que ficou entalado entre dois mundos – o nosso e o do além. Portugal, como país de larga maioria católica, tem um nome para este espaço intermédio, onde não se está na Terra nem no céu: purgatório. E no purgatório permanecem as almas penadas que esperam um lugar celeste. A Luz da Cobraceira parece enquadrar-se, portanto, no lendário tradicional das almas penadas, seres que divagam na nossa dimensão até que, depois de cumpridas as suas purgas, ascendem ao sítio onde os anjos moram.

Alexandre Parafita, no livro Mitologia Popular Portuguesa, escreve sobre uma lenda parecida, ouvida no concelho de Vinhais, onde o povo confirma a existência de luzes num souto. Essas luzes procuram pagar promessas ou dívidas que deixaram em vida. Quando alguém em seu nome o faz, as luzes desaparecem, dando a entender que mereceram o seu lugar no céu. Novamente, a alma penada no imaginário popular.

Convém também falar das inúmeras lendas que o sul do país tem nestes mesmos termos. De Setúbal a Grândola, passando por Alcácer, é famosa a Luz da Caniceira. Mais a sul, tem nome parecido mas não igual: Luz da Carniceira. Há quem relate visões muito semelhantes no alentejo raiano de Mértola ou mesmo no Algarve serrano do Caldeirão. Nestes casos, a origem da luz parece ser mais consensual – anda sempre à volta de uma mãe que matou a filha, normalmente num forno de pão. E daqui nascem duas variantes: ora é a filha que se transforma em luz e tem carácter vingativo; ora é a mãe que se transforma em luz enquanto eterna alma penada sem direito ao céu.

Esta preocupação portuguesa com as pessoas que, depois de mortas, vivem provisoriamente no limbo, está muito bem representada na existência das alminhas – pequenos nichos cobertos por arcos ou tejadilhos que podemos observar em todo o país, embora com maior concentração acima do Mondego.

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Trofa – o que fazer, onde comer, onde dormir

A Trofa é um dos municípios mais recentes de Portugal. Desde que a antiga estação de comboios apareceu (e que está agora requalificada no espaço da Alameda da Estação), no final do século XIX, que as várias freguesias do Bougado, que posteriormente viriam a ser englobadas no concelho trofense, não cessaram de crescer. Antes, pela indústria. Agora, pela posição suburbana que têm relativamente ao Porto, e cuja fronteira nordeste se estabelece no rio Ave.

Ainda assim, a Trofa afasta-se do conceito de cidade-dormitório. Soube conservar boa parte do seu património histórico (como acontece com o Castro de Alvarelhos ou os Marcos Miliários da Casa da Cultura), cultural (como uma ida à romaria da Festa de Nossa Senhora das Dores ou a visita a uma oficina dos Santeiros de São Mamede do Coronado explicarão) e natural (como o recente Parque das Azenhas ou o sagrado Monte de São Gens mostram).

Nas comidas, há uma propensão para a feitura do leitão, a lembrar a da Bairrada, e tal comparação pode ser comprovada indo aos restaurantes Flor do Ave, Lina ou Adega Regional Os Bairristas, entre outros que este escriba não teve oportunidade de pôr pé. A simplicidade dos grelhados do Tourigalo não faz mal a ninguém e tem preço em conta. Depois há a fábrica da Post Scriptum que os fãs de cerveja artesanal irão gostar pela certa, podendo esta também ser tragada na simpática Malte Taberna.

Quanto a hotelaria, a oferta não é muita, provavelmente pela quantidade de hotéis e derivados que existem na cidade Invicta. Mesmo assim, há espaço para a magnífica casa Porto-Braga Country Side, em Alvarelhos.

Mais ofertas para dormir na Trofa podem ser vistas em baixo:

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Coordenadas de GPS: lat=41.34649 ; lon=-8.58657

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