Festa de Nossa Senhora das Dores (Trofa)

by | 17 Out, 2022 | Agosto, Douro Litoral, Festas, Províncias, Tradições

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As centenárias Festas de Nossa Senhora das Dores, no concelho da Trofa, são mais do que uma tradição religiosa – afirmam-se, na verdade, como a grande festividade municipal, acima da Feira Anual e acima da Romaria de São Gonçalo.

A Capela da Senhora das Dores

Num simpático espaço verde que confunde dois distintos parques – o da Senhora das Dores e o Dr. Lima Carneiro -, uma capela oitocentista de linhas barrocas com tamanho suficiente para ser elevada à condição de igreja veio substituir uma outra, aparentemente demasiado pequena para receber o culto popular à Senhora das Dores.

No seu interior, ao fundo, como figura principal do retábulo-mor, uma imagem de Nossa Senhora cujo peito é atravessado por sete espadas condensa as sete dores de Maria. Contudo, na parte baixa do altar vemos Jesus, em menor escala, deitado. Se aceitarmos que a organização das figuras não foi feita ao acaso, colocando a Senhora em sofrimento em cima e Jesus numa pose que lembra o seu enterro em baixo, parece que estamos perante a revelação da Sétima Dor de Maria: a do sepultamento de Jesus.

Será este o mote para a realização da procissão à Senhora das Dores, a Mãe que sofre as humilhações, as agruras e, por fim, a morte do seu filho. De forma paradoxal, a componente profana das festas deixa a gravidade da sua origem de fora.

Programa das Festas de Nossa Senhora das Dores

O programa ocupa, actualmente, quase duas semanas do mês de Agosto, embora tenha havido anos em que as festas se estenderam para lá disso. Ainda assim, as queixas dos organizadores vão crescendo de ano para ano – há pouca gente nova a querer participar e a programação é cada vez mais difícil de fazer. No entanto, no que toca a visitantes, as festas estão de boa saúde.

Regra geral, iniciam-se num Sábado com uma Alvorada e, assim que a noite chega, prossegue com uma Procissão de Velas. A partir daí, a festa vai acumulando actividades de natureza cultural até chegar o grande dia da romaria – concertos de música popular, de tunas, de fados de coimbra, de bandas filarmónicas, de DJs, de cantares ao desafio, de folclore, de Zés Pereiras; há mostras de artesanato local e stand up comedy; o fogo de artifício é outro ponto alto; e na Segunda-Feira que se segue à romaria, monta-se a também centenária Feira das Sementes.

Abrange toda a zona entre o parque da Senhora das Neves até à Alameda da Estação, apanhando uma artéria pedestre que liga ambos os recintos.

Imagem da Senhora das Dores, no interior da igreja homónima

As Sete Dores trespassadas no peito da Senhora

A romaria

A romaria acontece no terceiro Domingo do mês de Agosto, mas há uma rara excepção que pode mudar o calendário – caso o terceiro Domingo calhe no dia 15 de Agosto, dia da Assunção de Maria, a romaria é empurrada para o quarto Domingo de Agosto. Faz sentido, claro, para evitar que duas celebrações à Senhora aconteçam na mesma data.

Como o próprio nome sugere, a homenagem à Senhora das Dores retrata uma devoção mariana na sua faceta sofrida, por oposição a outras Senhoras de culto, digamos, mais optimista – como, por exemplo, a Senhora da Alegria, alvo de devoção bem perto daqui, no Monte de São Gens. É nesse contexto, assumindo a veneração ao suplício, que devemos entender todo o esforço dedicado à feitura dos andores e ao seu transporte.

Com efeito, o andor é a insígnia das Festas de Nossa Senhora das Dores. No total, são dez. Olhando para eles de baixo, não dá para não bater palmas à sua exaustiva decoração e à sua monumental dimensão em forma triangular – o maior mede entre 15 a 16 metros, o que o torna mais alto do que alguns dos prédios envolventes, e pesa mais de seiscentos quilos. Obviamente, tal tamanho e tal peso obriga a que o deslocamento seja feito com mais do que apenas a força humana. Há rodas na base a garantir que a viagem possa ser feita sem estragos, e mesmo assim são necessários vários homens para os fazer mexer – um verdadeiro calvário que, não por coincidência, alude às Dores da Senhora venerada.

O percurso habitual da procissão começa pelas cinco horas da tarde na Igreja Matriz de Santiago de Bougado e dirige-se até à Rotunda do Catulo para depois entrar no Parque da Senhora das Dores, dando a volta à capela e retornando para a Igreja Matriz. Além das charolas e da assistência, há centenas de figurantes que dão ânimo à romaria. Uma alegria colorida contrastante com o momento solene que é a reverência à passagem do andor, ou seja, às Sete Dores de Maria.

Homens carregam andor na Senhora das Dores

Homens carregam a Senhora das Dores

Fila de andores na Senhora das Dores da Trofa

Andores na Senhora das Dores

Trofa – o que fazer, onde comer, onde dormir

A Trofa é um dos municípios mais recentes de Portugal. Desde que a antiga estação de comboios apareceu (e que está agora requalificada no espaço da Alameda da Estação), no final do século XIX, que as várias freguesias do Bougado, que posteriormente viriam a ser englobadas no concelho trofense, não cessaram de crescer. Antes, pela indústria. Agora, pela posição suburbana que têm relativamente ao Porto, e cuja fronteira nordeste se estabelece no rio Ave.

Ainda assim, a Trofa afasta-se do conceito de cidade-dormitório. Soube conservar boa parte do seu património histórico (como acontece com o Castro de Alvarelhos ou os Marcos Miliários da Casa da Cultura), cultural (como uma ida à romaria da Festa de Nossa Senhora das Dores ou a visita a uma oficina dos Santeiros de São Mamede do Coronado explicarão) e natural (como o recente Parque das Azenhas ou o sagrado Monte de São Gens mostram).

Nas comidas, há uma propensão para a feitura do leitão, a lembrar a da Bairrada, e tal comparação pode ser comprovada indo aos restaurantes Flor do Ave, Lina ou Adega Regional Os Bairristas, entre outros que este escriba não teve oportunidade de pôr pé. A simplicidade dos grelhados do Tourigalo não faz mal a ninguém e tem preço em conta. Depois há a fábrica da Post Scriptum que os fãs de cerveja artesanal irão gostar pela certa, podendo esta também ser tragada na simpática Malte Taberna.

Quanto a hotelaria, a oferta não é muita, provavelmente pela quantidade de hotéis e derivados que existem na cidade Invicta. Mesmo assim, há espaço para a magnífica casa Porto-Braga Country Side, em Alvarelhos.

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=41.33593 ; lon=-8.55912