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Foi por causa deste edifício que comanda toda a Alameda da Estação que um pequeníssimo povoado do Bougado foi crescendo à velocidade da luz. Aqui, nesta casa agora convertida em espaço museológico, estava a antiga estação de caminhos de ferro. Uma semente do que viria a ser a Trofa, quando à sua volta começaram a rebentar indústrias que nem cogumelos.

Daqui houve nome Trofa

A Trofa, enquanto topónimo, já existia. Referiram-se a ele por altura das Invasões Francesas. Também sabemos que, na continuação da povoação de São Martinho do Bougado, havia um lugar chamado de Trofa Velha. No entanto, a Trofa ou a Trofa Velha nunca tiveram força suficiente para dominar todo um lugar, muito menos para nomear um concelho.

E contudo, hoje, a Trofa desenvolveu-se de tal forma que se soltou da influência política dos municípios que antes a partilhavam – Santo Tirso e Maia, principalmente, mas também Vila do Conde. Como é que tal aconteceu? Como é que uma terra pobre, com sistemáticas queixas de falta de água e de maus acessos e de trabalho mal pago, se transformou em vila em 1984, se elevou a cidade nem dez anos depois disso, e se autonomizou como concelho ainda antes do fim do passado século, em 1998?

A resposta está na Alameda da Estação, um espaço requalificado que destaca a velha paragem de comboios, gatilho de todo o dinamismo que se verificou ao longo do século XX e que continua nos dias correntes com a nova estação, situada a menos de um quilómetro da antiga, dando continuidade à cada vez mais alargada zona metropolitana do Porto.

Relógio e alpendre na Alameda da Estação

Um relógio para um comboio que já não vem

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A estação de caminhos de ferro de 1875

No final do século XIX, São Martinho do Bougado não era terra prometida. Eminentemente agrícola, vivia principalmente da cultura de cereais, bem como de algumas frutas e de vinha. Fora isso, era considerado terreno paupérrimo, onde nem as couves e as alfaces conseguiam vingar.

Contudo, aquela malfadada terra gozava de uma escondida qualidade por poucos reconhecida, inclusive por quem lá tinha nascido: a sua geografia. Situava-se bem no centro do caminho mais curto entre duas referências urbanas da zona Norte, a cidade do Porto e a cidade de Braga. O Bougado posicionava-se, portanto, como um dos melhores sítios para atravessar o rio Ave – o que se comprovou até antes da linha de caminhos de ferro, quando uma Ponte Pênsil foi construída no sítio da Barca da Trofa, lugar onde antes se fazia a travessia com ajuda de uma embarcação.

Foi por isso que, em 1875, se decidiu construir um edifício de dois andares que iria ser ponto de paragem para um novo transporte muito em voga na Europa central, movido a carvão, bom para as pessoas mas ainda melhor para as mercadorias. Anexados à estação estariam um armazém e um guindaste. A Linha do Minho que ligava Porto e Braga estava estabelecida e passava pelo Bougado.

Depois de inaugurada a estação, deu-se o efeito dominó. A facilidade de deslocação de mercadorias puxou indústrias para cá (produziam objectos tão díspares quanto chapéus, têxteis, farinha, ração, electricidade, pão, artigos mecânicos, aparelhos industriais, pentes…). A chegada das fábricas trouxe mão-de-obra, gente que preferia ganhar ter rendimento fixo a manejar uma máquina do que sujeitar-se às vicissitudes da vida do campo. E com a explosão demográfica veio, por fim, o comércio, que acabou por dar mais emprego aos poucos que ainda não o tinham. Um novo nome, rebuscado a um antigo, começou a aparecer nas marcas dos produtos aqui criados: Trofa. Produtos da Trofa.

Mas havia mais. Além de assente na Linha do Minho, a Trofa tornou-se no ponto de partida para outras, nomeadamente para a que ligava a povoação aos pólos industriais em redor de Guimarães – primeiro Vizela, depois Guimarães, e finalmente Fafe. Já no século XX, um outro eixo foi terminado, agora daqui directamente para o mar, com destino ao Porto de Leixões, um excelente atalho para os industriais que cá se fixaram e se dedicaram à exportação. E assim se ia formando a nova Trofa. Rápida e sem aviso, como uma locomotiva.

Na primeira metade do século XX, Sant’Anna Dionísio resumiu-a em quinze certeiras palavras: “núcleo populoso formado há pouco mais de meio século no cruzamento das duas vias férreas”. O “núcleo populoso” não pararia mais de crescer. Mesmo quando as fábricas caíram, como aconteceu com boa parte delas – ou porque a sua actividade deixou de interessar ao consumidor, ou porque foram ultrapassadas por outras, ou porque o período pós-revolucionário se mostrou devastador -, a Trofa seguiu caminho e continuou a desenvolver-se, muito por culpa da vantajosa proximidade que tem com o Porto.

A antiga estação viria a fechar, no ano de 2010, porque aqui ao lado uma nova tinha sido construída, preparada para as necessidades dos tempos modernos. Mas mantém-se de pé, limpa de pó, de relógio ao pulso, com o orgulho de quem pensa que ainda há comboios a caminho.

Trofa – o que fazer, onde comer, onde dormir

A Trofa é um dos municípios mais recentes de Portugal. Desde que a antiga estação de comboios apareceu (e que está agora requalificada no espaço da Alameda da Estação), no final do século XIX, que as várias freguesias do Bougado, que posteriormente viriam a ser englobadas no concelho trofense, não cessaram de crescer. Antes, pela indústria. Agora, pela posição suburbana que têm relativamente ao Porto, e cuja fronteira nordeste se estabelece no rio Ave.

Ainda assim, a Trofa afasta-se do conceito de cidade-dormitório. Soube conservar boa parte do seu património histórico (como acontece com o Castro de Alvarelhos ou os Marcos Miliários da Casa da Cultura), cultural (como uma ida à romaria da Festa de Nossa Senhora das Dores ou a visita a uma oficina dos Santeiros de São Mamede do Coronado explicarão) e natural (como o recente Parque das Azenhas ou o sagrado Monte de São Gens mostram).

Nas comidas, há uma propensão para a feitura do leitão, a lembrar a da Bairrada, e tal comparação pode ser comprovada indo aos restaurantes Flor do Ave, Lina ou Adega Regional Os Bairristas, entre outros que este escriba não teve oportunidade de pôr pé. A simplicidade dos grelhados do Tourigalo não faz mal a ninguém e tem preço em conta. Depois há a fábrica da Post Scriptum que os fãs de cerveja artesanal irão gostar pela certa, podendo esta também ser tragada na simpática Malte Taberna.

Quanto a hotelaria, a oferta não é muita, provavelmente pela quantidade de hotéis e derivados que existem na cidade Invicta. Mesmo assim, há espaço para a magnífica casa Porto-Braga Country Side, em Alvarelhos.

Mais ofertas para dormir na Trofa podem ser vistas em baixo:

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=41.34002 ; lon=-8.55345

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