Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite

by | 14 Abr, 2022 | Agosto, Festas, Províncias, Tradições, Trás-os-Montes

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No nome de uma festa ficam expostas as três grandes culturas agrícolas de Carrazeda de Ansiães: a da macieira, a da vinha, e a da oliveira. A Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite, tem data marcada todos os anos, no último fim de semana de Agosto.

Trabalhar a terra em Carrazeda

Carrazeda de Ansiães vive do que o chão lhe dá. E o chão é diverso, muito mais do que se espera num território relativamente pequeno. Se nos vales dos rios Tua e Douro estamos nos domínios da Terra Quente transmontana, o planalto onde se encontra a sede de concelho e que constitui a maior fatia do seu território é frio, ventoso, até agreste.

Diferentes tipos de solo darão, claro, diferentes lavradios. Na Terra Quente imperam as árvores e arbustos de climas mediterrânicos. É de lá que sai a uva para o cobiçado Vinho do Porto, ou vinho tratado, usando o vernáculo regional. No planalto, a maçã, que pede Outonos e Invernos frios, tem ganhado destaque, ano após ano, com mais produtores, mais pomares, e mais produção. Quanto ao azeite, embora seja o menos importante dos três em termos de volume, encontra condições óptimas na já mencionada Terra Quente, de onde nasce um produto fresco e com uma ponta de picante, que nada deve ao que de melhor se faz no Alentejo.

A agricultura, de resto, continua a ser o sector chave no desenvolvimento do município, ao ponto de este se ver ameaçado com o problema da mão de obra – de facto, o cultivo da terra obriga a que se tenha de contratar gente de fora do país para ajudar as empresas locais, sobretudo pela altura das colheitas. Tendo em mente que o concelho conta com meia dúzia de milhares de habitantes, é compreensível que se recorra a outras fontes, mais ainda depois de os portugueses fugirem do campo e da labuta de sol a sol.

Búlgaros, cazaques, indianos, entre outros, vieram uma primeira vez para a apanha da maçã e para a vindima de Setembro e Outubro. Muitos ficaram para os anos seguintes. Já tiveram filhos por lá. Uma boa parte poderá ajudar depois na fase da colheita da azeitona, que atravessa os últimos três meses do ano, embora neste caso não seja necessário tanto capital humano. Nos meses de Inverno e Primavera, há limpezas e podas a fazer. De tarefa em tarefa, os novos carrazedenses arranjam jeiras por todo o ano, e assim a demografia de Carrazeda de Ansiães mudou.

A montra de todo um concelho

Não deve vir como novidade dizer que a Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite dá destaque a estes três pilares da economia carrazedense. Não só pelo volume de produção que têm como, mais ainda, pela sua qualidade.

Eu, que evito cair no engano de considerar tudo o que é nacional como o melhor do mundo, tenho dificuldade em pensar em exemplos que se igualem, em qualidade, com os vinhos durienses ou os azeites transmontanos. Já quanto à maçã, cuja importância nesta zona é relativamente recente, podemos sempre mencionar as Astúrias, aqui bem perto, como comparativamente à frente, pelo menos para já.

De qualquer forma, se esta santíssima trindade não é suficiente, há mais razões para ir – as compotas, os queijos, os enchidos, o mel, a sidra (que boa que é a Alfa, originária de Carrazeda)… e a restauração, que por esta altura não dorme e alarga os horários bem para lá do que é normal.

Fora do mundo da gastronomia, temos os habituais concertos. Uns que ocorrem paralelos à feira, em arruadas filarmónicas ou de gaiteiros. Outros que ocupam as horas da noite, depois dos stands fecharem, dando aos jovens o que fazer.

Não sendo uma celebração religiosa, a igreja junta-se à festa, por vezes com uma eucaristia a anteceder a abertura da feira, mas sempre com a Procissão dos Padroeiros a ocorrer no Domingo, dia de fecho. É o momento mais sóbrio e pio de todo o programa: imagens dos padroeiros do concelho são colocadas em andores individuais, decorados com flores, que correm a vila antes dos últimos concertos.

Finado o evento, é altura de arregaçar mangas. As colheitas chegaram com o mês de Setembro. Começa aí o trabalho para a feira do ano que vem.

Carrazeda de Ansiães – o que fazer, onde comer, onde dormir

De uma vila medieval - hoje o abandonado Castelo de Ansiães que guarda, entre outras coisas, a bela Igreja de São Salvador -, o povo fez as malas e assentou em terriolas cercanas. Uma delas, a mais povoada das redondezas, foi a de Carrazeda, agora conhecida como Carrazeda de Ansiães, sede de um concelho vigilante do Douro e do Tua.

Em Carrazeda, aproveite-se a Taberna da Helena para quem gosta de boa carne. Num registo mais castiço, o restaurante Convívio também se recomenda. Os produtos da região têm na Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite a altura ideal para serem provados - está marcada para final de Agosto, em Carrazeda. Fora da gastronomia, os carrazedenses que me perdoem mas, na minha opinião, o que há mais para oferecer no município está na natureza e não na actual vila: as belas anta de Vilarinho da Castanheira e anta de Zedes, bem como o imponente planalto granítico sobranceiro ao Douro e que pode ser percorrido através da Rota dos Miradouros, tal como vários lugares lendários como a Fraga da Ôla e a vizinha Fraga das Bruxas.

Para dormir, há uma bonita morada em Vilarinho da Castanheira, a Casa Dona Urraca. Na fronteira sul do concelho, os socalcos vinhateiros dão-nos dois óptimos poisos de xisto: o Hotel Casa do Tua e o Terraços de Baco, ambos excelentes para entrarmos no mundo dos vinhos do Douro.

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=41.24148 ; lon=-7.3068