Calçada de Alpajares

by | 2 Fev, 2017 | Lugares, Natureza, Províncias, Rotas e Caminhos, Trás-os-Montes

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É um quilómetro transmontano, nem a isso chega, que faz parte de um conjunto de oito mil metros se quisermos tomar o percurso completo. Uma serpente de quartzo: ziguezagues a subir, por entre arribas onde se acumulam calhaus atrás de calhaus. Não é caminho próximo a quase ninguém, mas há muitos que o fazem na mesma, de gaiatos a idosos, o que diz muito sobre o quão belo é.

Um caminho romano que passava por um castro galaico foi, segundo o povo, guardado pelo Diabo. Ainda existe e está à espera de caminhantes.

Percurso da Calçada de Alpajares

Na verdade, como já se disse na introdução acima, a Calçada de Alpajares (também conhecida por Calçada dos Mouros ou Calçada do Diabo) é apenas uma parte de um percurso maior, uma parte de um troço que começa na foz da Ribeira do Mosteiro, segue para norte, e volta atrás depois, terminando no ponto de partida.

Com esboço romano, o seu início dá-se antes da subida até ao castro, que como é costume se situa no cume do monte. Separamo-la das outras pela disposição do solo, que de estrada ou de terra passa a ser composto por toscos seixos de quartzito, resultando destes vários degraus de dimensão acima da média. Estas lápides formam uma gigante escadaria serpenteante. Uma estrada que aligeira declives que, de outra forma, pareceriam cortados à picareta.

Destas densas arribas vemos o Douro, a povoar os vales a sul, dando escarpas em saldos para abutres do Egipto nidificarem. A meio caminho, pontos de interesse não faltam: um típicos pombais da região, sepulturas rectangulares escavadas na rocha, o Castro de São Paulito, rochas devotivas, um moinho recuperado, pinturas rupestres. E para os fanáticos da geologia, há nas robustas rochas as famosas dobras, ondas de pedra que ficaram de eras que já nem têm nome.

Indo no final do Inverno não podemos deixar de olhar para as amendoeiras que escolhem esta altura para florear. Nesgas cor de rosa que vão saltitando das copas, entre outra flora favorecida pelo clima seco, como as figueiras da índia, as laranjeiras ou as oliveiras.

 
Caminhantes na Calçada de Alpajares

Entre arribas sobranceiras ao Douro, lá vai a serpente que é a Calçada de Alpajares

Lenda da Calçada de Alpajares

Ainda há pouco tempo atrás falámos da Ponte da Misarela que tinha o diabo como seu patrono. E damos de novo com caso semelhante. A lenda da Calçada de Alpajares tem uns acertos de diferença em relação à supracitada.

Vinha um almocreve a trote do Douro, galgando passo desde Barca D’Alva. Chovia e trovejava muito, e quando chegou à Ribeira do Mosteiro as águas eram tão fortes que invadiam partes da margem que deveria estar a seco. A travessia, com a corrente que estava e o comprimento do caudal, mostrava-se impossível.

O arrocheiro pediu ajuda a quem quer que o ajudasse, a Deus ou ao Diabo. Dos dois, apareceu o segundo, que lhe acedeu ao pedido dizendo que em troca queria a sua alma, concluindo que teria a ponte construída antes que o galo preto cantasse. O cavaleiro concordou e ajudantes de Satanás logo se prepararam a construir seixos que subiam à tona de água.

De hora em hora iam cantando vários galos, mas nunca o preto. Ao nascer do sol, a ponte estava quase terminada. Quase, mas faltava ainda uma pedra. E aí o galo preto cantou. O almocreve aproveitou a deixa para saltar do último calhau construído até à outra margem, não tendo, por falta de compromisso da parte do Diabo, de entregar a sua alma.

Apesar de pequenos pormenores que a distinguem de outras, este é mais um activo do lendário galaico a juntar a outros tantos que versam sobre o Diabo enquanto guardador de pontes – normalmente saindo a perder, ou seja, mostrando a superação do homem à adversidade.

Freixo de Espada à Cinta – o que fazer, onde ficar, onde dormir

Vila histórica desde a primeira metade do século XIII, os seus habitantes beneficiaram de vários forais e de carta de feira, embora a sua posição geográfica, de terra-fronteira, a tenha posto ao dispor de algumas guerras contra o poderoso vizinho ibérico.

Na vila, é obrigatória a visita ao interior da Igreja Matriz, mas também à Igreja da Misericórdia, e ao castelo, claro. E pela altura da Páscoa, é imperativo conhecer a Procissão dos Sete Passos. Nas redondezas, vigiado pelo Abutre do Egipto, é a natureza que domina: as arribas que cercam o rio Douro, que aqui é fronteira, os registos pré-históricos como o Cavalo de Mazouco, a Ribeira do Mosteiro, a Calçada de Alpajares, a Praia Fluvial da Congida, a magnífica vista do Miradouro de Penedo Durão e da sua estátua à Senhora do Douro.

Para comer bem, é favor ir ao Cinta d'Ouro para as alheiras da casa, e as dormidas fazem-se na aconchegante Casa da Caroline ou no poiso de férias Terra d'Alva, ambos com piscina.

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=41.056715 ; -6.900352