Banhos Santos

by | 27 Jul, 2018 | Agosto, Festas, Minho, Províncias, Tradições

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Os Banhos Santos são um ritual organizado por ocasião da Romaria de São Bartolomeu, em Esposende, numa pasmada peregrinação aos antigos Deuses do Mar. Cerimónia anual, acontece todos os dias 24 de Agosto.

O que é o Banho Santo

O Banho Santo vem no seguimento de um primeiro rito que acontece mais cedo, nesse mesmo dia, mas junto à igreja paroquial. Este consiste em crianças que, agarrando num galo (tradicionalmente preto, mas recentemente aceitam-se outros, de cores normalizadas), dão três voltas ao templo – depois disso, é normal entrarem na igreja para beijar o santo e, por vezes, passar por baixo da sua charola.

É após isto que os romeiros fazem caminho pela avenida que dali segue para Oeste e se dirigem para a praia, procurando os ditos banheiros que, a troco de certa maquia, se encarregam de transportar os miúdos até ao mar, mergulhando-os no oceano por três (ou sete) ondas. Assim que o gesto se concretiza, as crianças são devolvidas aos pais, confortando-as de imediato enquanto as secam. Umas apreensivas e a chorar, outras exibindo coragem e gabando-se aos familiares de não terem soltado uma única lágrima.

É possível, da mesma maneira, vermos adultos e idosos a banharem-se no mesmo propósito, embora aqui sem recurso aos braços auxiliares dos banheiros.

A cerimónia continua depois, com merenda no areal e com o cortejo que leva o andor de São Bartolomeu até à água e o retorna à igreja, já no fim.

De todo o Minho vem gente até à freguesia de Mar, em Esposende, para um mergulho milagroso destinado aos gaiatos, mas não só

São Bartolomeu e o diabo

São Bartolomeu com o diabo acorrentado, homenageado no dia 24 de Agosto

Significado do Banho Santo

Há diversas razões que levam os adultos a empurrar as suas crianças para o Banho Santo, ou a mergulharem eles próprios nas três ou sete ondas sagradas.

Contudo, e se podemos bem distinguir cada uma dessas razões, existe uma finalidade maior comum a todas: a da purificação – mais do que a eliminação de uma maleita, é a eliminação do próprio mal que aqui vemos, através do poder curador da água.

Isto é, se, de uma forma mais material, o povo crê que com o Banho Santo fica livre da epilepsia, de problemas dermatológicos, da gota, da gaguez juvenil, ou do próprio medo característico de uma criança, há algo para lá de tudo isto que une as preocupações numa dimensão menos inteligível.

Não se trata, somente, de uma submersão. É um mergulho físico, sim, mas que esconde um outro que não se vê: um mergulho que procura a força milagrosa que expia os corpos mais frágeis, ou seja, os dos mais novos. Depois dele, os rapazes, agora mais próximos de adultos, estarão fortificados, preparados para a longa vida que terão pela frente.

Não será obra do acaso que, na maior parte dos casos, sejam três os mergulhos – três o número divino por tradição, no catolicismo representado como o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Não é, da mesma forma, coincidência, que tal acto seja executado no dia 24 de Agosto, aquele em que se diz que o diabo anda à solta, e será pertinente lembrar neste exacto momento que o santo aqui homenageado é representado com um diabo acorrentado aos seus pés (ver foto) – a título de curiosidade, não muito longe de Esposende, mas para o interior, Amarante passeia os seus diabos pela terra.

O Banho Santo é, assim, uma descida às profundezas, concluída com o regresso à terra, uma ressurreição terapêutica que limpa os diabos do corpo, como sói dizer-se. O mesmo é feito, cinco dias depois, no Algarve, num rito que ganha o nome de Banho 29, mas cujo valor simbólico encontra paralelo no banho de Esposense.

A sua origem poderá estar no culto das águas romano, mesmo grego, ou, com alguma probabilidade, até antes disso, nas tribos indo-europeias do noroeste peninsular. Foi, por sincretismo, adoptado ao registo Católico: facto bem visível pela construção do cruzeiro à entrada da praia, a junção da missa e do sermão ao rito, e a colagem de São Bartolomeu a esta data – um santo que é, por cá, um dos bem-aventurados mais relacionado com o mar, a par de São Pedro.

 

Esposende – o que fazer, onde comer, onde dormir

Esposende não se consegue desvincular da sua condição de destino de praia, e é normal que assim seja - o que seria se não se aproveitassem as dádivas que são o descanso da Praia da Ramalha, a Praia da Apúlia e os seus moinhos de vento, a Praia de Ofir e os seus lendários Cavalos de Fão, ou a Praia de São Bartolomeu do Mar, esta última com os seus anuais Banhos Santos, carregados de paganismo.

Mas que por isso não se perca o resto. Numa revisita histórica, é fundamental conhecer o Portugal castrejo representado no recuperado Castro de São Lourenço. Já o Polvo da Pedra típico do concelho, os vinhos verdes carregados de sal e flora, as Clarinhas de Fão à base de ovo, são alguns realces na gastronomia. Na cidade, é conhecido o restaurante O Buraco, para comida de mar e não só.

Para dormir, recomenda-se o Sense of Ofir ou a Villa dos Corcéis, ambos muito perto da Praia da Bonança.

Outras ofertas e promoções para dormir em Esposende podem ser vistas em baixo:

Mapa

Coordenadas de GPS: lat=41.57408; lon=-8.79913