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Também conhecida por Bandurra para os locais e por Viola de Castelo Branco para os de fora, a Viola Beiroa esteve praticamente extinta, sobrevivendo apenas à conta de uns velhos exemplares que se aguentaram até aos dias de hoje.

A par com alguns outros cordofones portugueses (como a Braguesa, a Amarantina, ou a Campaniça), ressuscitou e está de boa saúde, talvez como nunca esteve.

Origem

É relativamente consensual a atribuição da zona raiana a Leste de Castelo Branco como sua naturalidade, o que corresponderá a todo o eixo fronteiriço da Beira Baixa – há registos relativos ao seu uso em Lousa (concelho albicastrense), por ocasião das Festas à Senhora dos Altos Céus, sendo tocada na cerimonial Dança dos Homens.

Menos consensual é o ano (ou a década, ou o século) em que surgiu. Aponta-se para a época seiscentista ou setecentista, com as devidas reservas pois toda a matéria popular sofre da habitual falta de documentação escrita. É até possível que uma viola de arame fosse tocada por aqueles lados em passados mais remotos, mas enquanto instrumento ligeiramente diferente do seu aspecto actual. Sabemos, todavia, que servia de acompanhamento nos cantares de taberna e em certas ocasiões festivas como casamentos ou tardes domingueiras.

Contudo, a Viola Beiroa nunca deverá ter tido a fama local que uma Braguesa, por exemplo, teve na região de Braga. Isso por si só justifica os poucos exemplares que chegaram até nós. E explica também, em parte, a sua aparente extinção, entretanto ressuscitada graças a várias iniciativas públicas e privadas.

Aspecto geral

O jogo de cordas principal não foge muito àquilo que encontramos noutras violas de arame – cinco cordas duplas onde os dois conjuntos de cordas mais graves apresentam a mesma nota mas em oitavas diferentes. Contudo, na parte de cima da viola, contamos duas cordas extra (bastante agudas, chamadas requintas ou cantadeiras) que se afinam num novo cravelhal, e é aqui que a Viola Beiroa se distingue das demais. Estas requintas não são pisadas, sendo apenas tocadas com a mão direita, servindo como entrelaço da melodia cantada.

Conta com cerca de 80 centímetros e comparamos a forma da caixa ao número 8, tal ela emagrece junto à boca, no enfranque – é este encurtamento que a põe, em aparência, mais próxima da Viola Campaniça e a distancia da Amarantina ou da Braguesa.

Quanto à afinação, o assunto dá pano para mangas. Parece que a mais comum alinha as seguintes notas: ré-si-sol-ré-lá, ou usando a designação internacional, D-B-G-D-A. As requintas deverão ser afinadas em ré. Mas há outras alternativas, e recentemente a maioria dos artesãos constroem-nas com afinações mais compatíveis com a canção moderna – a fórmula lá-mi-si-lá-ré ou mesmo sol-ré-lá-sol-dó põem-na, em termos de afinação, lado a lado com a Braguesa ou a Amarantina.

A própria forma como é tocada pode ter mudado com o tempo, tendo em conta que era antes um instrumento popular onde, muitas vezes, apenas o indicador tocava a melodia e o polegar poderia, por vezes, fazer os bordões nas duas requintas agudas.

Os recentes esforços municipais com vista à recuperação da Viola Beiroa, vindos maioritariamente do concelho de Idanha-a-Nova, levaram a que fosse formalizado um caderno de especificações técnicas que deve ser respeitado pelos artesãos portugueses em actividade.

A bandurra no século XXI

Têm sido várias as exerções para resgatar a Bandurra de um esquecimento generalizado, mesmo na região onde nasceu.

O município de Idanha-a-Nova, em particular, criou uma associação com o objectivo de preservar o instrumento, dedicou-se à produção de novas violas, abriu inscrições para cursos de construção de Beiroas. Castelo Branco tem também lançado concertos tendo a Bandurra como actriz principal, manifestando a intenção de colocar a sua viola de arames como Património Imaterial da UNESCO. Outras colectividades, como por exemplo ranchos folclóricos beirões ou certos músicos associados ao rejuvenescimento da canção tradicional portuguesa, terão ajudado à sua promoção.

Estas acções recentes têm surtido efeito, vendo-se agora um notório incremento no número de tocadores e aprendizes, dentro e fora da sua zona de influência histórica.

A título de curiosidade, e como prova da sua boa saúde, um novo instrumento veio ao mundo, filho legítimo da Viola Beiroa: a Beiroinha, que funde as qualidades da Viola Beiroa com as do Cavaquinho, servindo assim as mãos dos mais gaiatos.

Cantiga Bailada, tradicional da Beira Baixa, tocada por Marco Silva

Castelo Branco – o que fazer, onde comer, onde dormir

Castelo Branco, tantas vezes nomeada capital da Beira Baixa, terra de Templários e da posterior Ordem de Cristo, tem na sua Sé, antiga Igreja de de São Miguel, um dos monumentos de visita certa. Mas há outros pequenos detalhes que por lá andam para olho atento, como o manuelino popular de alguns portados da cidade, o Paço Episcopal e seus jardins, o Santuário de Nossa Senhora de Mércoles, e os vários solares espalhados pelo concelho.

De Castelo Branco ouvimos também falar do célebre bordado e de uma das suas grandes consequências: as Colchas de Castelo Branco. Nesse sentido, é interessante uma passagem pelo Museu de Francisco Tavares Proença Júnior e pelo Museu da Seda para compreender a realidade têxtil albicastrense. Os queijos regionais, alguns deles portadores do selo de qualidade DOP, são obrigatórios para qualquer bom garfo. E não esquecer a Viola Beiroa, rejuvenescida nas últimas décadas, com um delicioso timbre, que até já deu origem a um outro instrumento, a Beiroinha, para as unhas dos gaiatos.

Quanto a natureza, há um óptimo passeio que se pode fazer de barco entre Portugal e Espanha - o ponto de partida é no Cais de Lentiscais, sendo a navegação feita até ao Cais de Cedillo.

Para dormir na cidade, o ideal é experimentar os apartamentos Casa 92. Para consultar outras ofertas e promoções, ver em baixo: