Santuário de Nossa Senhora dos Remédios

by | 2 Out, 2020 | Lugares, Monumentos, Províncias, Religiosos, Trás-os-Montes

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Toma conta da metade sul da cidade e tem, lá em baixo, a mítica Estrada Nacional 2 a roçar-lhe os pés. Com efeito, correndo qualquer artéria da Baixa de Lamego, mesmo que distraidamente, é impossível não reparar no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, imponente monumento que passou pela mão de Nicolau Nasoni, e não só.

História

Para falarmos de uma Senhora nestas bandas, devemos começar a conversa num bem-aventurado cristão: Santo Estevão, que, aliás, deu nome à colina onde agora se dispõe o santuário.

Seria Santo Estevão o santo aqui cultuado, desde pelo menos o século XIV – sabemos que existia neste espaço uma capela dedicada a ele onde os lamecenses viriam pedir bênção. Cerca de duzentos anos depois, a ermida original foi demolida e em sua substituição veio outra, com uma diferença: a nova capela teria a imagem da Virgem com o seu menino ao colo.

Este câmbio, aparentemente de menor importância, veio mudar muita coisa. O povo, gradualmente, deixou de pedir ajuda a Santo Estevão. As súplicas eram agora dirigidas à Virgem, e essas estavam normalmente relacionadas com maleitas que se queriam ver curadas. Transformou-se assim a Senhora numa Senhora dos Remédios, por remediar os males de muitos lamecenses.

E mais tarde a segunda capela foi também deitada abaixo. O culto à Senhora dos Remédios ganhou adeptos e exigia-se um edifício que se ajustasse às massivas recepções recebidas. Em 1750 colocou-se a primeira pedra do novo templo. Este seria concluído quase trinta anos depois, em 1778. Logo a seguir foi projectado o escadório, obra magna do santuário, que só seria completado cerca de noventa anos depois. Por fim, já na segunda metade do século XIX, trabalhou-se o frontão, as sacristias e as duas torres sineiras laterais da actual igreja. No total, foram cento e cinquenta e cinco anos de labor, numa realização que se estendeu de 1750 a 1905. Ou seja, várias gerações de lamecenses nasceram e cresceram e morreram enquanto o seu santuário se fazia.

As festas e o simbólico

Havendo cerimónias organizadas na Semana Santa e na Festa da Senhora da Esperança, Lamego intensifica a sua devoção ao sagrado nas festas que envolvem o seu santuário. Do final de Agosto até 9 de Setembro é celebrada a Festa da Nossa Senhora dos Remédios, apelidada de Romaria de Portugal.

Trata-se de um fenómeno popular cuja afluência dificilmente encontramos noutro sítio. Duas semanas e meia de festa e devoção que culminam nos três pontos altos, em três dias distintos: 6 de Setembro com a sua Marcha Luminosa nocturna, 7 de Setembro com a sua Batalha das Flores diurna, e 8 de Setembro (feriado municipal) com a massiva Procissão do Triunfo, onde a imagem da Virgem é levada da Baixa até à Igreja da Senhora dos Remédios passando por vários pontos da cidade.

A forma como a festividade é encarada pelos lamecenses transforma estas semanas – e sobretudo os últimos dias – em qualquer coisa de hipnótico. Um dia, talvez, falaremos delas neste espaço num texto dedicado apenas à Festa da Senhora dos Remédios de Lamego.

Os Atlantes junto à escadaria de acesso à Igreja da Senhora dos Remédios

Os Atlantes na Fonte dos Gigantes

Vista aérea e completa do Santuario da Senhora dos Remédios

O santuário visto de cima

O Santuário

O Santuário de Nossa Senhora dos Remédios pode ser abreviado em três diferentes partes: o majestoso escadório que liga a Baixa lamecense ao lugar de culto; os pátios ou patamares que se vão sucedendo à medida que percorremos o santuário de baixo para cima; e a igreja, no cimo do monte de Santo Estevão.

Todas as componentes recolhem um dedicado detalhe estético e devem ser observadas com passo lento. E, claro, começando de cima para baixo. Se a preguiça for muita, há acesso de carro até aos patamares superiores.

A escadaria, de nove lanços, com disposição em x, ora convergindo ora divergindo do centro, é maravilhosa e ganha o dobro do encanto quando as luzes a destacam no breu nocturno. Inicia-se na Avenida Dr. Alfredo de Sousa, um dos principais eixos da cidade, a partir de um largo onde quatro estátuas, dedicadas às quatro estações do ano, se fazem ver.

Nos patamares destacam-se vários pátios com capela, estatuária e variados fontanários. Primeiro deparamo-nos com a Fonte Pura e a Fonte do Pelicano, nos primeiros lanços do escadório. Mais acima, o Pátio de Nossa Senhora de Lourdes inclui uma formosa capela de devoção à Sagrada Família, e ainda uma fonte onde podemos ver um tritão – que, curiosamente, foi apelidada de Fonte da Sereia. Quase a chegar à igreja, é conhecido o Pátio dos Reis, adornado com estatuária dos dezoito reis e patriarcas de Israel, e cujo centro é ocupado por uma fonte com obelisco levantado por aquilo que se crê serem gigantes atlantes (a esta fonte chamaram Fonte dos Gigantes).

A igreja, de desenho barroco – o mesmo que vemos noutras terras nortenhas, nomeadamente no Minho -, é dominada pelo granito. Lá dentro tudo nos remete para a devoção mariana. Encontramos o objecto do culto, a imagem da Senhora dos Remédios, no altar-mor (os dois altares laterais apresentam São Joaquim e Santa Ana, ou seja, os pais de Maria, Mãe de Jesus). Também um painel de azulejos dá conta de vários episódios vividos por Nossa Senhora. Defronte da igreja, no adro, uma alçada cruz carimba a fé cristã.

A tela onde todo monumento se insere não é secundária. Todo o parque que acompanha o monte de Santo Estevão é povoado por arvoredo que atrai a visita. Há carvalhos, ciprestes, loureiros, azereiros, olaias, choupos, castanheiros, medronheiros, eucaliptos, ulmeiros, teixos, faias, acácias, tílias, cedros. Um dos castanheiros, em particular, e pela idade que tem, foi considerado Árvore de Interesse Público – está lá em cima, perto da igreja, já seco mas de tronco gordo e intacto e florido de heras.

Frequente é, pela sua estética, a comparação com o Bom Jesus de Braga. Além da óbvia analogia feita entre as escadarias de um e outro, trata-se também, em ambos os casos, de uma divinização de um monte. Há, contudo, diferenças significativas entre ambos, sobretudo no que toca ao simbolismo. Neste aspecto, o Bom Jesus foi desenhado para contar uma história, desde o primeiro até ao último passo, ao contrário da Senhora dos Remédios que é, de forma bem mais explícita, um magnífico templo dedicado a Maria, na sua variante curadora e milagreira – isto é, dos Remédios.

Lamego – o que fazer, onde comer, onde dormir

Se estiverem ali pelo interior norte junto ao rio Douro, visitem Lamego. É o conselho mais curto, directo e honesto possível. Lamego, a cidade, e Lamego, o concelho, são obrigatórios para quem gosta dos pequenos prazeres da gastronomia, da movida urbana, e, ao mesmo tempo, do bucolismo da natureza duriense.

Nas quintas que circundam a sede de concelho temos dos melhores vinhos que se fazem no país - não esquecendo as Caves da Raposeira junto à urbe. Sugere-se a Quinta da Casa Amarela ou a Quinta da Pacheca (é possível reservar quartos em ambas). A norte do concelho, a escadaria esculpida na Barragem de Varosa da é única. A sul, o Carnaval de Lazarim e os seus Caretos devem ser vividos pelo menos uma vez na vida.

Já na cidade, a obra humana manda. O Santuário de Nossa Senhora dos Remédios (palco da Romaria de Portugal, em homenagem à Virgem) e a Sé de Lamego são as escolhas óbvias nas edificações religiosas, mas há também o Castelo - a este propósito, dormindo na maravilhosa Muralha Charm House temos o privilégio de tocar nas paredes da cerca antiga. Na restauração destaca-se a cozinha gourmet do Douro Excellence e do Vindouro, e a simplicidade dos petiscos da Casa da Rua.

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=41.09202; lon=-7.816