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Um pego tanto pode ser a zona mais profunda de um rio, como um penhasco, como até um redemoinho. No caso do Pego das Pias, como veremos, os três significados aplicam-se, e torna-se difícil saber qual das qualidades foi visada na atribuição do nome.

Menos dúbio é o complemento pias, menção clara aos vasos escavados nas rochas que emolduram o espaço.

Natureza em estado bruto

Já foi escrito e dito que o grande encanto do Pego das Pias está na pureza da paisagem, preservada das muitas vezes nefastas ideias humanas. No fundo, o melhor de toda a envolvência é aquilo que não foi feito e que, esperemos, ficará sempre por fazer.

Mantém-se intacto o corpo que a natureza lhe deu. Trata-se de uma ribeira, neste caso do rio Torgal, afluente do rio Mira, que por aqui fez escultura. A água, com a sua corrente, provocou redemoinhos que, como se fossem rodas de oleiros, abriram cavidades na pedra.

Assim se retêm as água doces e frias do Torgal, criando piscinas improváveis tendo em conta estarmos no Alentejo mais seco. A ribeira é abastecida por afloramentos que servem de base a bons mergulhos, ora directos para a água, ora embalados por lianas. Peculiar é, também, o enorme rochedo que emerge do espelho de água, como se tivesse sido pensado como epicentro de todo o quadro natural.

As lendas do Pego das Pias

Há duas histórias que se contam em relação ao pego odemirense.

Uma delas lembra que aqui perto viveu um pai com a sua filha e que a segunda adoeceu gravemente. Não sabendo o que fazer, o pai, em desespero, resolveu pedir ajuda a um santo – o acordo seria oferecer-lhe um par de bois e uma grade em ouro. A filha, milagrosamente, melhorou. Mas o pai voltou atrás com a palavra e retirou as oferendas ao bem-aventurado. Como vingança, um dia que a rapariga foi ao rio Torgal, a um pego onde era costume ir, um encantamento lançou-se sobre ela, e nunca mais de lá saiu.

A segunda lenda versa um episódio comum nas crenças populares portuguesas. Os mouros, escapando aos ataques cristãos vindos do norte, lá esconderam um tesouro que, caso fosse recuperado o território perdido, ali tornariam para o reembolsar. O tesouro ainda lá paira, guardado por uma moira encantada, e acredita-se que em todas as noites de São João, numa altura em que as águas ganham propriedades curativas, ele vem ao de cima – e que quem o conseguir agarrar, desencanta a moira.

Parece que as duas lendas convergem para uma só narrativa, misturando elementos. A segunda surge como uma continuação da primeira, embora readaptada à realidade da Reconquista, sintoma frequente no lendário luso-galaico. Curioso é ver como até aqui, numa escondida praia fluvial do Baixo Alentejo, se fala de uma crença que nos habituámos a associar ao Norte: a magia da noite sanjoanina e as águas abençoadas pelo sol solsticial que se tornam terapêuticas.

Como chegar

A estrada que lá nos leva é acedida por um ponto apenas, situado na N120. Saindo de Odemira para norte, em direcção a São Luís, teremos a meio do caminho de atravessar uma ponte sobre o Torgal – esta aparecerá cerca de cinco quilómetros depois de Odemira e faz-se acompanhar, de imediato, por um caminho de terra batida à direita.

A partir daqui, largamos o carro, porque a estrada não é convidativa para motores, sobretudo os de baixo calibre. Seguimos o caminho de terra que irá quase sempre paralelo ao rio. Assim iremos nós, lado a lado com a ribeira, sem nunca a atravessar. Sempre em frente, por uns vinte ou trinta minutos, até que o trilho termina, um par de quilómetros depois. Lá estará o Pego das Pias, pronto a receber-vos.

Odemira – o que fazer, onde comer, onde dormir

De Odemira ficam sempre as praias, em continuação, ao longo da Costa Vicentina. Não há uma que não se recomende. Da Praia do Malhão, ainda a norte de Vila Nova de Milfontes, à Zambujeira do Mar, já a sul do Cabo Sardão, um rolo de areais escondidos por arribas vai-se revelando aos mais aventurosos. A Praia do Brejo Largo, a Praia do Almograve, a Praia do Cavaleiro, entre dezenas de outras, são de visita obrigatória. Para dentro não nos podemos esquecer da praia fluvial de Santa Clara-a-Velha, na barragem com o mesmo nome, e do Pego das Pias, um dos segredos do concelho.

O descanso pode ser feito em várias casas e quintas que por ali se espalham. Salienta-se a sustentabilidade da Figueirinha Ecoturismo, a Quinta do Chocalhinho junto à sede de concelho, e a Herdade do Touril em pleno Parque da Costa Vicentina.

Se a intenção for conhecer o interior do município, recomenda-se a casa Sernadinha.

Mais oferta para dormidas em Odemira podem ser vistas em baixo:

Mapa

Coordenadas de GPS: lat=37.64454; lon=-8.61888