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O Senhor do Padrão – antes conhecido como Senhor da Areia por se encontrar em pleno areal da Praia de Matosinhos (ou do Espinheiro), entretanto parcialmente conquistada pelo Porto de Leixões – é, à primeira vista, um imponente alpendre pétreo a marcar o início do concelho de Matosinhos para quem vem da Foz do Porto.

Contudo, o que realmente lhe marca a origem é o outro objecto, mais pequeno e a cerca de dois metros de distância: um fontanário de água doce defronte de todo o mar salgado.

Guarda do mar

É impossível, à nossa passagem, ignorar a imposição do Senhor do Padrão na fronteira entre o concelho de Matosinhos e o concelho do Porto, mesmo com todo o barulho visual que existe hoje em seu redor.

Um sólido alpendre barroco cujo interior é ocupado por um cruzeiro é completado com um outro monumento, com cerca de um terço do tamanho. Visto assim, o padrão propriamente dito e a fonte que está à sua frente parecem pai e filho. Contudo, o pai, neste caso, surgiu depois, estando a fonte documentada em tempos anteriores.

Será difícil imaginar como seria vê-lo aqui antes, quando o Porto de Leixões ainda não existia e tudo isto era areal. Mas tente-se. É pensar como, pelo século XVIII, isolado dos contentores e dos prédios que foram ocupando esta área à medida que a urbe crescia, o Senhor do Padrão se fixava numa pose de guarda do horizonte, dono das areias, à qual era devida uma qualquer reverência antes de sequer ousarmos pisar o seu chão.

Não será de espantar, portanto, que seja reconhecido actualmente como um dos principais emblemas matosinhenses, representação física do seu lendário mais famoso e epicentro das festas mais importantes da cidade.

As lendas

As duas origens lendárias do Senhor do Padrão revelam-nos que este é um lugar de aparições.

Uma primeira relata-nos a vida de uma mulher, antes de grande beleza, que ficou com uma cara de meter medo. Tanto que as pessoas fugiam só de a ver. Ela, envergonhada, viu-se obrigada a usar um véu que lhe cobrisse a face. Todos os dias a pobre mulher procurava ajuda em médicos, na oração, em padres, na bruxaria, na medicina alternativa – tudo em vão. Até que um dia ouviu falar de uma fonte de água doce próxima do mar ali para os lados do Espinheiro onde antes terá aparecido a imagem de Jesus. Para lá foi, sem grande esperança. Mas lá chegada, junto à fonte, apercebeu-se de uma presença estranha mas benigna. Sentia que estava perante um lugar sagrado. Banhou as mãos na água da fonte e lavou a cara com ela. E ficou livre de todo o mal que se impregnara na sua cara. Um milagre!

A segunda lenda, em parte mencionada na descrição feita acima, refere-se ao aparecimento de uma imagem de Jesus antes pertença de José de Arimateia, homem rico e seguidor de Cristo antes e depois da sua morte. A escultura terá milagrosamente viajado por mar, passando por dezenas de contratempos, até ali aterrar, no areal de Matosinhos, embora sem um braço. O membro em falta, contudo, segundo algumas versões, viria a aparecer mais tarde, exactamente no mesmo sítio.

Estamos na presença de dois distintos tipos de culto – um naturalista, às águas, e outro cristão, ao Senhor do Padrão. Provavelmente, a segunda lenda terá surgido como forma de substituir a primeira no inconsciente popular, enquanto abafo cristão para um sítio que, aparentemente, seria alvo de devoção pagã. Outros monumentos aqui bem perto, como o Senhor da Pedra ou a Capela da Boa Nova ou a Capela de Nossa Senhora da Guia, e mesmo os banhos santos de Esposende deixam antever que toda esta costa do Douro Litoral terá sido divinizada (como de resto acontece um pouco pelo resto do país – bastará atentar, por exemplo, nos círios da Estremadura).

Se assim for, isto significa que a fonte, ou seja, o pequeno alpendre que se encontra a dois passos do Senhor do Padrão, é a razão de tudo isto existir – isto é, o alpendre maior, no fundo aquilo a que chamamos o Senhor do Padrão, será uma construção planeada pela igreja, hipótese com que Joel Cleto, no capítulo do livro “Lendas do Porto – Volume II” dedicado ao Senhor do Padrão, parece concordar, ao indicar que tal construção terá surgido na esteira das medidas de reforço das instituições católicas da Contra-Reforma.

A romaria

Certo é que nos tempos que correm ainda vêm pescadores pedir boa fortuna à faina, e que todos os anos é celebrada a Romaria do Senhor de Matosinhos cujo momento alto é a procissão feita através das artérias principais do concelho, terminando no Senhor do Padrão.

Toda a festa ocupa três semanas do calendário, adoptando já a forma das habituais festas juninas, embora comece, por tradição, a meio de Maio.

Há exposições, concertos, apresentações culturais, visitas guiadas, encontros de tunas, debates, museus com horário alargado, danças, workshops e outras actividades, numa agenda carregada e variada.

São, com toda a justiça, as festas da cidade de Matosinhos. E o facto de lhe atribuírem o nome de Romaria do Senhor do Padrão só mostra o quão incontornável esta obra é para o povo matosinhense.

Matosinhos – o que fazer, onde comer, onde dormir

Matosinhos é mar. Toda a cidade se volta para lá, e mesmo as freguesias interiores, como Leça do Balio e São Mamede de Infesta, estão a poucos minutos do Atlântico. Posto isto, é difícil que as recomendações principais não estejam bem junto aos areais, da tranquilidade de Leça da Palmeira (é impensável estar por ali sem se espreitar, mesmo que a seco, as piscinas de Leça, de Siza Vieira) aos populosos restaurantes defronte das docas (onde se destacam os mariscos e os peixes do Palato, do Salta o Muro, e do Lage).

As Festas da Cidade, também conhecidas como Romaria do Senhor do Padrão, são imperdíveis, bem como alguns lugares sacros - o Senhor do Padrão, junto ao Porto de Leixões; a Capela da Boa Nova, junto à Casa de Chá da Boa Nova, esta última também projectada por Siza Vieira.

Para dormir, e porque estamos em Matosinhos, sugerimos aquilo que é bom e próximo do oceano - a João's Beach House, em Leça da Palmeira, com vista desimpedida e terraço; o Porto Sea Apartments, de frente para a Praia de Matosinhos.

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=41.18119 ; lon=-8.6943