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A Serra do Sicó é pequena, atingindo apenas os 559 metros de altitude. Destaca-se não só pelo nome curioso como por ser um maciço calcário, situado numa encruzilhada de pluviosidade suficiente para erodir a rocha por milénios, e assim criar formar dramáticas, como canhões, buracas, algares, grutas, lapas, lapiaz e exsurgências.

Estendendo-se a Serra por uma área grande o suficiente para marcar a paisagem de seis concelhos, não faltarão locais para explorar.

Uma das melhores vertentes para abordar o maciço é do lado nordeste, fazendo a chamada Rota do Vale dos Poios ou, sucintamente, Rota dos Poios.

Início da Rota dos Poios – o vale

A caminhada começa, pois, na aldeia do mesmo nome.

Poios?

Sim, é precisamente essa a designação e significado. As massas calcárias expostas ao sol e a proliferação de aves, e consequentemente os seus dejectos, “alcunharam” inevitavelmente o vale.

O Vale dos Poios, divide-se em dois canhões, o Poio Novo e o Poio Velho, que rasgam escarpas acentuadas no planalto de Degracias-Alvorge, garantindo uma passagem à água e aos caminhantes para várzeas do rio Anços.

É um dos maiores vales fluviocársicos do país, e como é habitual neste tipo de geologia, não tem um curso de água permanente, compensando a secura com inundações e fluxos brutos em anos de muita chuva, que rebentam de várias exsurgências e olhos de água, quando os caudais subterrâneos, ficam demasiado cheios.

As suas ravinas porosas metamorfoseiam-se em abrigos perfeitos para aves e, como tal, é um local famoso para a observação de aves, sobretudo o bufo-real e o andorinhão-real.

Outra espécie atraída por este tipo de fragas é a dos humanos, mais concretamente o pessoal aficionado da escalada. Infelizmente, nem todos os praticantes sabem respeitar a natureza e escalam durante a época de nidificação (Janeiro a Julho), espantando muitos casais de aves. Aliás, este autor, quando visitou o local, testemunhou pessoas estrangeiras a fazer escalada, quando não o deviam. Pede-se encarecidamente aos leitores que, sempre que detectarem actividades do género na época de cria, notifiquem logo a GNR local, que já está pronta a intervir.

Mas, para passeios pedestres, o vale é sempre acessível e o trajecto até parece ter uma calçada trabalhada pelo homem, o que é na verdade pura coincidência da Natureza.

A passagem humana pelo lugar é milenar, como provam os quatro painéis insculpidos do Paleolítico Superior, descobertos nas buracas do vale, com figuras humanas, salientando-se uma fálica e outra coroada com cornos ou chifres (após a sua descoberta em 1990, por Helena Moura e Thierry Aubry, não voltaram infelizmente a ser conduzidos trabalhos arqueológicos).

Subindo o caminho, a paisagem muda gradualmente – da mata mediterrânea até às oliveiras, vinhedos e hortas do planalto.

Há possibilidade de seguir outros trajectos, mas se o objectivo for visitar o outro ex-libris da zona, convém virar à esquerda, em direcção a Mocifas de Santo Amaro e Covão das Favas. Nestas pequenas aldeias é de tomar atenção aos tanques que se encontram espalhados por entre as casas. Na verdade, não são tanques artificiais mas sim dolinas reaproveitadas para armazenar água, num terreno que a suga e pouco deixa para a agricultura.

Fim da Rota dos Poios – a capela

Ao chegar ao incrível miradouro com uma imagem da Nossa Senhora da Boa Estrela, vemos não só o vale do rio Anços e Redinha, como também uma dolina enorme ao fundo, no caminho de regresso à aldeia de Poios.

Mas antes de aí chegar, há que visitar, finalmente, a capela da padroeira das aldeias circundantes. Com culto a remontar pelo menos à época medieval, o templo encaixa-se entre lapas, onde a própria estrutura da capela entra em simbiose com as paredes maleáveis da ravina onde se pendura. Embora simples por fora, é, no entanto, rica por dentro. Até o mais desinteressado ficará espantado com a caverna escondida por detrás do altar e com as suas paredes pingantes de humidade, onde ex-votos e promessas de cera, se mesclam com a rocha, almejando ser fósseis. O local respira um mistério opressor no interior, contrastante com a clareza de vistas e de ar do exterior.

Caverna atrás do altar

Interior da capela na Rota dos Poios

Segundo a lenda, em tempos que o mar se encontrava mais perto, um pescador foi apanhado por uma tempestade. Logo prometeu o pobre coitado que, se chegasse a terra são e salvo, construiria uma capela onde aportasse. Logo surgiu, oportunamente, uma estrela que o guiou até terra. Cumprindo a promessa, nasceu a capela.

A metamorfose das pedras, já bastante espectacular, espanta ainda mais se o visitante procurar do outro lado da estrada três buracas, conhecidas no local como o “Monstro das Bolachas” pois, de facto, a bocarra e os olhos redondos parecem-se com a personagem da Rua Sésamo.

Resta então, descer então ao vale, passando pela dolina, onde os sapos ecoam a pureza das suas águas e seguir caminho, passando pela Estrela Poiense Associação Cultural e Recreativa. Se estiver aberta, é aproveitar para perguntar onde se pode encontrar um sítio para provar o Bacalhau à Poios, que este autor na altura não conseguiu achar.

Pombal – o que fazer, onde comer, onde dormir

Em Pombal há coisa que não se perde: as Festas do Bodo, no fim de Julho, com quase uma semana de música e fé popular. A melhor forma de as viver por dentro é no Cardal Hotel, bem central e de trato fiel. Destaca-se também a vila histórica de Redinha, na zona norte do concelho, quase a chegar à fronteira do distrito de Leiria com o distrito de Coimbra, e logo ali ao lado o Vale do Poio Novo e do Poio Velha que pode ser visitado numa rota bem sinalizada.

Já no que toca a praia, Pombal não tem muita oferta. Na verdade, tem só uma, mas falamos da Praia do Osso da Baleia, que compensa de largo a falta de escolha - dado tratar-se de um areal onde a hotelaria é praticamente inexistente, o que só lhe fica bem, sugerimos a Casa na Areia, bem perto, mas já no concelho da Figueira da Foz.

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=39.98933; lon=-8.56044