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O Menir da Bulhoa (ou Menir da Belhoa, ou ainda Menir da Abelhoa) instala-se a menos de uma mão de quilómetros de Monsaraz. Dizem uns, menos informados, que é só pedra erecta. Dizem outros, mais preguiçosos, que não vale o desvio. Estão todos enganados.

Uma agulha num deserto

Entre Telheiro e Outeiro, na estrada que liga as duas povoações, e bem no epicentro da Cultura Megalítica do Alto Alentejo, uma agulha de pedra encontra-se espetada num chão empoeirado. É parte da chamada acupuntura da terra, menires que tocam nas linhas de energia terrestre e que, segundo se crê, serviam, segundo os antigos, para tirar o melhor proveito dos solos ou para assinalar um marco geográfico ou ainda para possíveis funções no domínio do sagrado.

É apenas um de muitos que aqui, no distrito de Évora, podem ser vistos, é certo (só nestas redondezas, temos o Cromeleque do Xarez, o Menir do Outeiro e as Antas do Olival da Pêga). Mas o Menir da Bulhoa tem bónus.

Na sua superfície podemos ver desenhados um sol e várias linhas quebradas, ou serpenteantes – no meio das linhas encontramos um báculo, o que será crucial para que entendamos o monumento como uma estela-menir, antropomórfica. Depreendemos, se nada soubéssemos sobre o tema, que este falo pétreo teria uma função ritualística. O sol como astro fecundador, as linhas ondulantes representando a sua electricidade, e o báculo como símbolo de alguém (um pontífice, segundo Loução, aquele que contrói pontes) que se encarregue de garantir a religiosidade cósmica. Tudo se alinha com aquele que é, simbolicamente, tido como um dos fins dos menires: o elemento agregador de dois pólos, um ctónico, ligado à terra, e outro celeste, ligado ao céu.

Paulo Pereira, no livro “Paisagens Arcaicas”, explica que é precisamente o bordão lá incrustado, em conjunto com o seu posicionamento no menir, que o leva a ponderar a hipótese do menhir ser uma representação de uma figura importante na comunidade, semelhante, digo eu, ao sacerdote na corrente igreja Cristã.

Um achado

Foi avistado já na segunda metade do passado século, e o achado foi de tanta importância que logo ganhou estatuto de Monumento Nacional.

Previu-se que aquele cilindro teria sido, antes, um menir com cerca de quatro metros de altitude. Contudo, quando o encontraram, estava no chão, quebrado, sem a sua base e com uma falha no seu topo.

A base foi reconstruída no sítio onde, supostamente, ele se encontrava erecto, na qual se encaixou o menir propriamente dito. Podemos ver isso perfeitamente olhando descontraidamente para ele – há uma espécie de linha divisória que separa o menir milenário (entre o quarto e o terceiro milénio antes de Cristo) do seu suporte, granítico, recentemente adicionado. O que se manteve intocável foi o desgaste na ponta superior.

Reguengos de Monsaraz – o que fazer, onde comer, onde dormir

Reguengos de Monsaraz tem como sua jóia a vila (e castelo) de Monsaraz. É do topo do cerro que avistamos todo o concelho e, por essa razão, é por lá que a maioria dos visitantes gosta de se fixar. Há bastante oferta mas recomendamos três em especial: a elegante Casa Pinto, a histórica Dom Nuno, e o rústico Refúgio da Vila (este último, por se encontrar fora das muralhas, goza de particular tranquilidade).

De qualquer forma, se não pretender ficar no burgo medieval e preferir estar mais próximo da sede de concelho, em Reguengos há uma preciosidade - a Casa Recanto da Horta, uma maravilha de decoração, fazendo-nos duvidar que tratássemos tão bem a nossa própria casa.

No sopé do monte de Monsaraz temos vários exemplos de Cultura Megalítica, como o Cromeleque do Xarez, o Menir da Bulhoa, o Menir do Outeiro, a Pedra dos Namorados ou as Antas do Olival da Pêga. Para caminhar, a Rota das Oliveiras faz o serviço. E o facto de estarmos bem no interior do país fica disfarçado com a dimensão do Alqueva, esse grande mar de água doce a ocupar o coração do Alentejo.

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=38.46225; lon=-7.3829