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Quando um dia, em 2011, a Câmara Municipal de Águeda pediu a uma agência da casa uma ideia para decorar a principal via da cidade, mal sabia que estava a virar a vida do município por completo.

Uma instalação que tinha como objectivo, na melhor das hipóteses, colocar Águeda na boca dos portugueses, acabou a ser falada no mundo inteiro. A pequena Rua dos Guarda-Chuvas, hoje, vai até ao Japão.

A ideia

São coisas do destino. Em 2011, um festival de arte urbana de nome AgitArte, com vida curta (existia então há menos de dez anos) mas já algum reconhecimento público, pedia algo impactante na zona histórica aguedense. Foi nesse seguimento que a autarquia convidou a agência de marketing de guerrilha Impactplan a, com pouco dinheiro e muita imaginação, retirar do seu brainstorming uma ideia vencedora. Saiu não só vencedora mas também milagrosa.

O que se pretendia era tornar a Rua Luís de Camões mais apetecível tendo o AgitArte como contexto. Sendo o festival no Verão, pensou-se em usar guarda-chuvas de várias cores como forma de dar uma cobertura criativa ao passeio, protegendo os visitantes do sol ao mesmo tempo que se criava uma nova estética citadina. Ao projecto, assumidamente inspirado em Mary Poppins, chamaram Umbrella Sky Project.

Executada a ideia, esperaram-se os resultados. E eles vieram rapidamente e em catadupa. A Rua dos Guarda-Chuvas, que era na prática uma simples ocorrência de um festival maior, ultrapassou as fronteiras do AgitArte e as expectativas do melhor dos optimistas.

Há milhares de fotografias a circular pelas redes sociais da moda, maioritariamente tiradas por estrangeiros, e as perguntas que fazem acerca delas é sempre a mesma: onde é? E a resposta vem com a vaidade de quem lá esteve: Águeda

Uma pequena cidade da Beira Litoral, quase sempre esquecida em função da sua célebre vizinha – a cidade de Aveiro -, pulou do território português para a estratosfera. E, saliente-se a curiosidade, chegou ao mundo através de um objecto que até associamos aos dias tristes.

O festival AgitArte

Estreado em 2006, o festival que esteve na origem do Umbrella Sky Project é de entrada gratuita, conta com vários prémios no seu histórico (foi recentemente reconhecido pelo Fest300 que compila os 300 melhores festivais do mundo), e foi o primeiro empurrão para a nova Águeda que agora vemos (os hotéis e a restauração, por esta altura, não conseguem dar vazão à procura).

Uma feliz parceria entre o poder público local e a iniciativa privada, com a duração de um mês (ocupa Julho inteiro) e que teve como objectivo promover a música e a arte de rua numa terra caída no esquecimento.

É graças ao AgitArte que vemos as pinturas de murais e de escadarias, os coloridos bancos de jardim, os ornamentos de mobiliário urbano. Eventos paralelos como o espaço pedagógico para miúdos – o Agitakids -, a exibição de produtos de artesanato, os comes e bebes, entre outros, garantem que há sempre alguma coisa para fazer, mesmo àqueles menos dados a uma forma de arte tão contemporânea.

A Rua dos Guarda-Chuvas e as ruas anexas

Para ver a Rua dos Guarda-Chuvas (ou chapéus-de-chuva para outros), temos uma boa e uma má notícia. Começamos sempre pela má: os guarda-chuvas não estão expostos o ano inteiro. Agora a boa: também não estão limitados ao período de duração do AgitArte.

Como dissemos, eles saem para os céus das principais artérias de Águeda aquando da abertura do festival, mas aguentam-se por lá até depois do encerramento deste: normalmente até final de Setembro, mas convém sempre confirmar ano a ano. São no total cerca de seis mil guarda-chuvas agarrados a fios e telhados de seis ruas distintas, sendo a Luís de Camões a principal e a única a ter direito a pavimento especial. Ultimamente juntaram-se outros adereços, como balões ou faixas.

De 2017 para a frente, também o Natal serviu de desculpa para trazer os guarda-chuvas para os telhados da zona histórica, podendo ser vistos entre 1 de Dezembro e 15 de Janeiro.

As cores dos chapéus, do Verão para o Natal, mudam radicalmente. Nos meses estivais predomina a cor, toda a cor, não havendo qualquer vergonha em usar a palete completa. Também os padrões não são uniformes. A regra é que, pela diversidade, o céu fique mais colorido do que um arco-íris. Já em Dezembro, o que nos prende a visão é a luz. A luz branca e amarelada que associamos às estrelas – e à quadra natalícia.

Guarda-chuvas com iluminação de Natal, em Dezembro

Aspecto dos guarda-chuvas em época natalícia

O Umbrella Sky lá fora

À conta disto, Águeda viu-se referenciada em publicações impensáveis no passado século – a CNN colocou a cidade portuguesa como um dos 25 sítios mais coloridos do mundo e a Rua Luís de Camões como uma das 25 ruas mais bonitas do mundo, ao lado de preciosidades como a Convent Avenue de Nova Iorque ou a Cockburn Street de Edimburgo, imagine-se; antes disso, já a Architectural Digest a tinha elevado ao top de ruas mais belas tendo como parceiras de nomeação alguns bairros de cidades como Paris, Recife ou Budapeste.

Mas mais do que o reconhecimento da imprensa, os guarda-chuvas de Águeda impõem-se pelo tour que já fizeram pela Terra. Países como Espanha, França, Bahrein, Estados Unidos, Japão, entre outros, pediram réplicas da instalação em zonas nobres do seu tecido urbano. E mais estarão, seguramente, por vir.

Águeda e o seu Umbrella Sky Project junta-se assim ao reduzido lote de produtos portugueses de referência mundial, e bem sabemos nós como há poucos desses se exceptuarmos o futebol. Mas, com mérito próprio, os guarda-chuvas aguedenses estão ali, lado a lado, com o Vinho do Porto, o pastel de nata, ou o Fado. Quem diria?

 

Águeda – o que fazer, onde comer, onde dormir

Em Águeda não há como fugir ao festival AgitArte e respectivo evento da montagem do céu de guarda-chuvas. Além de recomendável, é testemunhar como um evento consegue tirar uma cidade de uma cave coberta de pó. Se nos acomodarmos no Águeda Hostel & Friends ou no XPT Águeda Alojamento Local, temos direito a vista de camarote. Ainda falando em eventos, os Santos Mártires de Marrocos, poucos quilómetros a noroeste da sede de concelho, é uma jornada de fé católica e, possivelmente, pagã, a visitar.

A zona poente do concelho está ocupada por esse grande lago, a Pateira de Fermentelos, e a Estalagem da Pateira é, pela localização, indicada se quiser estar a um pé das suas águas doces.

Conheça mais sítios onde ficar em Águeda:

Mapa

Coordenadas de GPS: lat=40.57223; lon=-8.44682