Praia da Aguçadoura

by | 11 Abr, 2024 | Douro Litoral, Lugares, Natureza, Praias, Províncias

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Há quem não a trate por Praia da Aguçadoura, porque na realidade esta pode ser vista como uma soma de três (ou até mais) praias de menor dimensão. Do meu lado, faz sentido que se fale numa perspectiva mais macro para se perceber a amplitude em que a antiga aldeia homónima, agora elevada a vila, se move pela costa.

A praia da lavoura

A geografia até é bem fácil de entender. Há um corno de terra a sul, o Cabo de Santo André, lugar onde os pescadores poveiros suplicam pelo resgate das almas de gente sua que partiu, que marca o início da Praia da Aguçadoura para quem vem da Póvoa. Já o seu fim é mais discutível mas assume-se que se situe defronte do campo de futebol. Desta forma, e por partes, temos: a sul, entre o Cabo de Santo André e o albergue de peregrinos, a Praia da Pedra Negra, assim chamada por causa de um pequeno leixão, isolado, à entrada da água; ao centro, a Praia do Paimó, cujo bar leva com o mesmo nome, e que está balizada entre o albergue e o solitário moinho junto às dunas; e, por fim, a Praia da Barranha, a mais selvagem das três, que deverá findar, como se disse, perto do campo de futebol, ou assim que o areal emagrece com a chegada do campo de golf, na freguesia da Estela.

Para quem acha que praia é só sol e mar, aqui tem a Aguçadoura para se desenganar. A larga enseada, com cerca de três quilómetros de comprimento, esconde bem mais do que um simples tapete de areia como suporte para umas quantas horas de ócio, bastará estar atento aos detalhes. Com efeito, o sobredito Cabo de Santo André assinala uma abrupta diferença etnográfica no concelho da Póvoa de Varzim. Daí para sul está a cultura da pesca, mais tarde complementada com a do turismo de massas, sobretudo por ter costa mais abrigada dos ventos do norte. E daí para norte, ou seja, na Aguçadoura, está a cultura agrícola dos campos masseiras, um território bruto, bem menos explorado pela avalanche imobiliária, e, no que toca a mergulhos, mais conveniente a surfistas do que a banhistas.

As diferenças culturais do lado poveiro para o lado aguçadourense têm origem histórica, como sempre acontece. De um lado, o velho culto do mar. Do outro, o velho culto da terra. De um lado, o Atlântico como sustento. Do outro, as dunas transformadas em várzeas. De um lado, a sardinha e a pescada e o cherne. Do outro, a alface e a cebola e o tomate.

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Esta fronteira é até revelada pela magia dos topónimos. Se no eixo da Póvoa a ligação do nome das terras à água é evidente, como acontece com a Praia do Esteiro, ou com a povoação de Aver-o-Mar, ou com a Praia da Salgueira, no eixo da Aguçadoura o critério muda, como se vê em termos como a Praia da Barranha (em referência ao barro que aduba as terras) e ao próprio termo Aguçadoura (que alude às pedras que amolavam instrumentos de trabalho de campo). E de caminho, não esquecer o iconográfico moinho, sozinho e tristonho, que dá a ideia de ter aterrado no meio da enseada aguçadourense vindo de outra dimensão, mas que volta a sublinhar que este espaço é mais de lavradores do que de marinheiros.

Praia do Paimo, Aguçadoura

Afloramento rochoso da Praia do Paimó, na Aguçadoura

Claro que há espaço para tudo, e quem quiser estender a toalha nos areais da Pedra Negra, do Paimó, da Barranha, e por aí fora, até à Estela, está livre de o fazer, com a salvaguarda de que a probabilidade do vento não dar tréguas é grande, e com o aviso de que quanto mais para norte se for, mais vigoroso o açoite da Nortada. Há boas notícias: as ribeiras que, aqui e ali, vão desaguando no grande mar do Atlântico e que ajudam a miudagem a estar ocupada sem ter de ir ao perigo das correntes; as rochas, que na zona central são muitas, também ajudam a criar espaços seguros, de pequenos charcos e poças, simpáticos para quem quer descanso das ondas; as parcas saliências dunares que funcionam como naturais corta-ventos, mas que no Verão estarão, quase de certeza, abarrotadas de gente; e por fim, há o passadiço, nunca o esquecer, porque é sempre a melhor forma da passear nas areias, que o digam os peregrinos de Santiago.

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=41.43211 ; lon=-8.78388

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