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A maior lagoa do litoral português alinha-se entre o concelho de Óbidos e o de Caldas da Rainha. Uma praia para uns. Um sustento para outros.

É um dos mais importantes acontecimentos geológicos do Oeste.

Entre o Bom Sucesso e a Foz do Arelho

Se em muitos casos da costa portuguesa é custoso definir a linha de fronteira que separa uma praia de outra, a praia do Bom Sucesso e a Praia da Foz do Arelho não sofrem desse problema. Isto porque, em circunstâncias normais, há um pequeno canal – conhecido por aberta – que liga o Atlântico à Lagoa de Óbidos, criando-se assim uma fronteira natural entre dois areais e, até, entre dois concelhos, o de Óbidos e o das Caldas.

Daí para dentro, passando o banco de areia do Arinho, uma laguna vai abrindo alas à medida que entra em direcção ao continente, só tornando a estreitar uns cinco quilómetros depois. Aí, damos conta de dois membros, um vindo de sul, outro de norte. São os Braços do Bom Sucesso e da Barrosa, respectivamente. Ambos responsáveis pelo provisionamento de água doce à lagoa – há outros canais com o mesmo fim, mas menos visíveis a olho desatento, como o Rio Arnóia, o Rio Real, a Vala da Poça ou a Ribeira das Ferrarias.

E assim se enche a depressão geológica, numa mistura de água de mar e de rio, dando origem a uma ecossistema muito particular, onde a fauna, as actividades ligadas à apanha de bivalves e de peixe, e o turismo balnear, se encontram.

Todos os anos, todavia, há novidades. Ora a aberta está mais pequena, ora não existe, ora desviou para sul penalizando o concelho de Óbidos, ora avançou para norte, reduzindo a Praia da Foz do Arelho e moendo a cabeça ao município das Caldas da Rainha. É um corpo em movimento, oscilando conforme a libertinagem do oceano e os tiques do vento, e adaptando-se àquilo que o homem vai fazendo dela. Porque a Lagoa de Óbidos também é isso: uma invenção da natureza, sim, mas mantida como está através de alguns investimentos municipais. Não fosse essa intervenção humana, e estaríamos agora a falar de um paul ou de um pântano de Óbidos, nunca de uma lagoa.

Actividades na Lagoa de Óbidos

No que toca ao trabalho, a Lagoa dá sustento a vários homens que por lá se encarregam da pesca e da apanha de moluscos. Conseguimos, como testemunho, ver as bateiras atracadas ao longo da lagoa – sobretudo do lado do concelho de Óbidos, isto é, no eixo sul.

Sendo a pesca relevante, o que mais se destaca é mesmo o grupo de mariscadores e os bivalves que trazem no bolso (as ameijoas, em anos favoráveis, são muito boas), isto apesar da decadência de fauna conquícola que se tem verificado ultimamente.

A nível industrial, há exploração agro-pecuária e de matadouros, bem como fábricas de produção de cimento ou de pedra ou de produtos cosméticos, e a famosa cerâmica das Caldas da Rainha.

Recentemente, como é fácil de perceber, a Lagoa de Óbidos ganhou procura enquanto destino de praia, sobretudo na sua foz do lado norte, na Praia da Foz do Arelho. Com isso, apareceram todas as ocupações relacionadas: aluguer de gaivotas, a prática de vela e de surf e de mais tudo o que é desporto de água, hotelaria e restauração que se aproveita do peixe e marisco que a lagoa fornece.

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Braço do Bom Sucesso na Lagoa de Óbidos

Braço do Bom Sucesso

A natureza

Dentro de água, a Lagoa de Óbidos esconde vários tipos de espécies de peixes, muitas delas com bom aproveitamento gastronómico. Rodovalhos, solhas, linguados, robalos, tainhas e choupas, entre outros. Mas também os alvos dos mariscadores merecem lista: amêijoa, mexilhão, camarão e berbigão. Bastará fazer um roteiro pela restauração local e podemos ver como quase tudo isto vira cardápio. Não esquecendo ainda o polvo e a enguia, embora com menor densidade.

Fora de água, gaba-se a avifauna, ainda mais quando o Outono irrompe, ali por Setembro e Outubro. Patos-reais, maçaricos-reais e maçaricos-galegos, garças, corvos-marinhos, gaivotas e gaivinhas. Pontualmente, poderão aparecer flamingos, gansos-de-faces-pretas ou os alvos cisnes-mudos.

E fora de todos estes grupos, passeia-se por lá a inevitável lontra, que regra geral anda por todo o país, desde que haja água por perto.

No Braço da Barrosa há menção honrosa para a vegetação, nomeadamente para o seu carrascal.

Uma lagoa que já chegou a Óbidos

Sabemos hoje que esta Lagoa de Óbidos é uma versão minguada de uma outra, com cerca de dez mil anos de vida, e que alastrava por dois outros braços de água, agora desaparecidos. Um deles chegava mesmo ao sopé do monte onde se construiu a vila de Óbidos, até onde se podia navegar. Há vários achados arqueológicos que circundam o antigo limite e que sublinham a sua importância já nesse tempo.

Em tempos mais próximos, já com a sua dimensão reduzida face àquilo que era, mas ainda assim maior do que hoje, a lagoa é mencionada nas cortes de Évora, no ano de 1460: e por que razão?, pela mesmíssima que hoje é falada nos jornais: – assegurar a sua aberta de comunicação com o mar. O mesmo é referido quase duzentos anos depois, quando João IV decreta que a aberta não pode ser mexida sem supervisão camarária.

Assim foi vivendo a Lagoa de Óbidos até o conceito de turismo de praia se democratizar gradualmente, ao longo do século XX. As visitas balneares cresceram, pressionando o mercado imobiliário da zona e com alguma lamentação por parte de quem lá trabalha (na pesca, na apanha de marisco, e, no passado, na exploração do sal).

Depois de várias dragagens, feitas de tempos a tempos consoante a necessidade, é actualmente cerca de oito vezes menor do que o seu tamanho máximo.

A praia na Lagoa de Óbidos

A Lagoa de Óbidos em dias de calor

Óbidos – o que fazer, onde comer, onde dormir

O concelho de Óbidos tem três grandes referências turísticas: a vila medieval homónima, as praias (nomeadamente a Praia do Bom Sucesso), e a Lagoa de Óbidos.

Se o intuito é conhecer o casco histórico de Óbidos, o melhor mesmo é lá passar a noite. Ofertas não faltam, difícil é escolher. E por isso damos um empurrão às escolhas: encostada à muralha temos a Casa Picva, arrumada e de bons colchões; quem não se importa de partilhar casas-de-banho tem no Hostel Argonauta bom descanso; destacamos também a Torre de Maneys pela beleza do seu interior.

Para as praias ou Lagoa de Óbidos é preferível reservar-se sítio na orla marítima do concelho. Para casas, é aconselhável a WHome - Refúgio do Agricultor, com decoração cuidada e encostada à Praia do Bom Sucesso - conta com camas suficientes para oito pessoas, eventualmente mais se acordado com os responsáveis. O Rio do Prado, referenciado em várias publicações ligadas ao turismo e lifestyle, não pode deixar de ser falado, pela inovação estética e pela localização, além de tudo aquilo que proporciona adicionalmente: banho turco, piscina, sauna, passeios a cavalo...

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Caldas da Rainha – o que fazer, onde comer, onde dormir

Das Caldas da Rainha vem-nos à cabeça a cerâmica de Bordalo Pinheiro e a sua Fábrica de Faianças. Dali saíram peças tão iconográficas que ainda hoje se falam, mormente quando a sátira política vem à baila. Pegando na deixa, sugerimos o Bordallo's Prime Apartments, bem no centro - são, no total, três apartamentos, todos inspirados na obra do criador de Zé Povinho. Por perto está o 19Tile, um belo espaço desenhado por quem já correu meio mundo.

Contudo, há que não esquecer outros pontos do concelho. Como, por exemplo, o eixo norte da Lagoa de Óbidos, que nos leva até a uma das mais famosas praias do Oeste, a Foz do Arelho, e aí há muito por onde ficar. Salientam-se, de entre muitos, o Hillside House Suites & Spa e a Casa Encosta da Lagoa (o nome diz tudo - com vista desabrigada, quer para o mar, quer para o lago).

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=39.41694; lon=-9.21369

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