Flores dos Namorados

by | 30 Mar, 2021 | Beira Alta, Culturais, Províncias, Tradições

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São, de outra forma, conhecidas como as Flores de Papel de Fragosela, indo buscar o nome à freguesia que está imediatamente a sudeste da cidade beirã. Mas a designação Flores dos Namorados imperou, porque imortaliza a sua função original que, apesar de ligeiramente alterada, continua actual.

Origem

Quem as faz – e, neste momento, o trabalho de criação é executado, diria que quase exclusivamente, pela artesã Cila Rodrigues – diz que estas flores de papel existem há trezentos anos. Da minha parte, acredito, porque não tenho muito mais em que me basear, e já sabemos que a arte popular peca sempre pela falta de registos escritos, tendo em conta que quem a fazia, especialmente há trezentos anos, era com quase toda a certeza gente que não sabia escrever.

Eram vendidas pelos próprios artesãos, em eventos de massas, habitualmente de cunho religioso. As romarias, enquanto grandes festas regionais, gozavam de especial interesse para quem as pretendia comercializar – as flores poderiam servir para ornamentar as ruas e para colorir as Senhoras cultuadas nos altares das procissões, por exemplo.

Mas as romarias, toda a gente o sabia, mesmo que não o dissessem, transformavam-se também em palcos de galanteio, sobretudo depois de finalizado o rito sagrado – rapazes de tenra idade esperavam por momentos destes para se entregarem à pretendida. E foi nestas situações que as flores de Fragosela se tornaram conhecidas. Os putos que tinham a sua menina avistada, abeiravam-se dela e ofereciam um exemplar. Elas, aceitando a flor, punham-na ao peito, e retribuíam colocando uma outra no chapéu do rapaz. Servia assim de anel, um símbolo de compromisso entre ambos – como, crê-se, aconteceu com o Lenço dos Namorados, que serviu de indumentária de muitos homens, sublinhando a sua relação com a artesã do lenço.

Apesar desta função casamenteira ter perdido fulgor, ainda hoje há quem as compre como forma de declarar amor ou paixão por alguém, com especial procura em determinados dias do calendário contemporâneo, como o de São Valentim. E se as encomendas para romarias mingaram, há outras que se chegam à frente – os casamentos à cabeça. É bom ver que o legado de gente que já cá não está há tanto tempo tem recompensa ainda hoje.

A criação

Os materiais essenciais são o papel crepe tingido (é este que dá cor às pétalas) e o papel prateado, um trecho de arame e a palheta. Algumas levam ainda penas, no caso de galinha.

O arame, forrado a verde, serve de caule, e por lá deverão passar todos os círculos de papel crepe que, enfiados um a um, engordam as pétalas da flor. A leveza deste tipo de papel permite que o artefacto apresente uma fineza e um rigor invejáveis, com linhas rodopiantes e cores alegres. A palheta garante que as camadas de papel sobreposto se mantenham apertadas, dando um aspecto homogéneo, robusto, mas também delicado.

O papel prateado serve como complemento na parte da ornamentação, ou nas estrelas, como são designados alguns motivos que completam a folhagem.

No fim, completada a flor, junta-se uma pequena bandeira com uma quadra de namorados a gosto, tal e qual como as que vemos no manjerico das festas juninas.

Hoje em dia, há uma artesã a criá-las

Cesto de Flores dos Namorados

Viseu – o que fazer, onde comer, onde dormir

Conhecer Viseu dá bem para um mês. Um dos pólos urbanos da Beira Alta - partilha o estatuto com a Guarda -, tem no burgo da sua Alta, junto à e ao Museu Grão Vasco, um dos melhores sítios para se vaguear no país. Mas há surpresas no sopé da colina que lhe deu fama, como a Cava de Viriato, o artesanato das Flores dos Namorados em Fragosela, ou os planeados jardins do Parque do Fontelo. Entre Agosto e Setembro, o concelho bate recordes de visitas com a Feira de São Mateus, uma festividade com mais de seis séculos. Antes, no mês de Junho, há dois cortejos que se inserem nas festas dedicadas aos santos populares, a Cavalhada de Teivas e a Cavalhada de Vildemoinhos. Se a intenção é ficar pela urbe, a histórica Pousada de Viseu ou a aconchegante Casa da Avó Zirinha são óptimas escolhas.

O campo que cerca a cidade também deve ser alvo de atenção do visitante. Se houver força de pernas, aproveite-se a Ecopista do Dão que liga Viseu a Santa Comba Dão, a pequena Rota do Feto em Mundão, a Barragem de Vila Corça que impele ao banho de água doce. No mês de Junho, não se podem perder as Cavalhadas - as mais conhecidas são as de Vildemoinhos (encostadas à cidade), mas a povoação de Teivas também as vive em grande. Por estes lados do Viseu campestre, temos cama na magnífica Quinta dos Três Rios, explorada por um casal de ingleses bem hospitaleiros, a Casa de Pedra num granito já nortenho, ou a rústica Casa do Compasso em Farminhão.

Nas comidas, há tanto para explorar: os viriatos, os pastéis de feijão, o rancho, as castanhas de ovos, e muito mais. E na restauração temos o Mesa de Lemos, com estrela Michelin, mas também o Improvviso, a Tasquinha da Sé, o já velhote Cortiço, e muitos outros que poderia pôr aqui.

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