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Cava de Viriato, mais um nome enganador de um monumento português. Primeiro, não é bem uma cava – ou pelo menos não no sentido de ser vala ou gruta. Segundo, não é, tanto quanto se saiba, de Viriato. Não obstante, é monumento nacional, e uma visita obrigatória muitas vezes esquecida, até pelas gentes de Viseu.

O mistério que só escavações irão conseguir desvendar. Até lá, a Cava de Viriato pode ter sido tudo, da improbabilidade de um castro lusitano ao mais credível acampamento mouro.

O que é afinal a Cava de Viriato?

A Cava de Viriato é uma plataforma levantada por muros largos (dos quais apenas parte está de pé), em argila, que conta com cerca de 35 hectares, aparentemente constituindo um antigo forte de oito lados relativamente simétricos e circundados por um fosso que já mal se consegue descortinar. Encontra-se junto a Viseu. Tão junto que é parte integrante da cidade, muitas vezes não se dando pelo momento em que lá entramos.

Se formos da Estrada da Circunvalação até à Rua do Coval, que atravessa a Cava de Viriato, provavelmente nem sequer nos apercebemos de estarmos a cruzar tal sítio. É uma ruela estreita, com muros de granito e vinhas de ambos os lados, e um bom ponto de partida para ir conhecer o que falta, que é muito.

A verdade é que, hoje, este monumento se encontra, por dentro, urbanizado. Há estradas, vivendas, quintas, plantações, jardins, estátuas. No fundo, é um bairro viseense, como tantos outros, mas este com uma homogeneidade geográfica e histórica.

Conhecido é o engendramento das suas linhas de água. A sua estrutura parece ter sido desenhada com base nisso – as valas que circundam o antigo acampamento estão ligadas a canais de água naturais – o Rio Pavia e a Ribeira de Santiago por outro.

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A estátua de Viriato, em Viseu

Estátua a Viriato, em Viseu

A origem

Segundo investigadores, deverá ter sido um acampamento, muito possivelmente militar. Desconfiava-se que de origem romana, mas recentemente pôs-se a hipótese de ter origem moura. Não é, digo eu, de excluir a suposição de ambas estarem certas – são muitas as fortificações que transitaram de uma civilização para outra.

Contudo, em anos mais recentes, alguns estudos parecem mesmo tender para uma origem mourisca, fazendo da Cava de Viriato uma espécie de povoação improvisada. Coisa muito possível dado o facto de estarmos numa zona de conquista-reconquista, tendo enormes vantagens esta lógica de acampamento desmontável caso os dados bélicos não corressem de feição a quem lá se instalava.

Esta hipótese torna-se ainda mais favorável quando sabemos que Viseu, apesar de já bem a norte, foi uma espécie de porto seguro dos mouros, que daqui iam investindo saques e ataques ao extremo norte da península, nomeadamente à actual zona da Galiza, de Leão, e das Astúrias.

Teorias alternativas apontam mesmo para outras culturas, como a celta ou pré-celta, mas falaremos disso abaixo, a propósito do nome pelo qual esta construção ficou conhecida.

De qualquer forma, para sabermos um pouco mais, há muito trabalho a fazer, e falo de pesquisa arqueológica, para conhecermos um pouco mais sobre este octógono situado imediatamente a norte do centro da cidade de Viseu.

Porquê Viriato?

Ora, lendo o que foi escrito acima, fica a pergunta: se é romano ou mouro, por que razão lhe entregámos o nome de Viriato?

É uma questão bastante legítima tendo em conta que Viriato, visto como líder das tribos lusitanas, não era romano (pelo contrário, combateu-os) e viveu numa altura muito anterior à chegada dos sarracenos.

Viriato foi atribuído a este território por alturas seiscentistas, por desconhecimento ou por lendária associação. O herói lusitano sempre foi acariciado pelo povo viseense, isso é certo. E vendo um monumento amuralhado de tal dimensão, alguns pensaram tratar-se de uma possível fortificação (um castro) dessas tribos ibéricas, um bastião anti-romano.

Nenhuma escavação foi feita que confirmasse tal afirmação. Mas mais tarde, esta hipótese acabou por encaixar na perfeição na retórica ultra-nacionalista do Estado Novo. E daí à propaganda de vanglorização da raça portuguesa foi um salto. A cúpula do regime aqui montou uma estátua a Viriato – o lugar mais célebre de toda a Cava de Viriato -, com uma frase que não engana politicamente: “Aqui mergulham as raízes desta raça viva e forte, imortal na sua essência”.

No entanto, há algumas teorias que mantêm a ligação deste forte a Viriato, dizendo que o lado lendário viseense nos dá pistas para isso e, mais, a orientação dos muros que formam o octógono corresponde com os pontos cardeais – e, realmente, vendo de grosso modo, é verdade -, argumentando ser uma arquitectura própria das tribos que aqui habitavam. Como comparação, falam de um tipo de fortalezas semelhante existente na Irlanda, embora essas de forma circular. Uma explicação diferente e misteriosa que, por falta de matéria que a refute para já, também deve ser considerada.

Viseu – o que fazer, onde comer, onde dormir

Conhecer Viseu dá bem para um mês. Um dos pólos urbanos da Beira Alta - partilha o estatuto com a Guarda -, tem no burgo da sua Alta, junto à e ao Museu Grão Vasco, um dos melhores sítios para se vaguear no país. Mas há surpresas no sopé da colina que lhe deu fama, como a Cava de Viriato, o artesanato das Flores dos Namorados em Fragosela, ou os planeados jardins do Parque do Fontelo. Entre Agosto e Setembro, o concelho bate recordes de visitas com a Feira de São Mateus, uma festividade com mais de seis séculos. Antes, no mês de Junho, há dois cortejos que se inserem nas festas dedicadas aos santos populares, a Cavalhada de Teivas e a Cavalhada de Vildemoinhos. Se a intenção é ficar pela urbe, a histórica Pousada de Viseu ou a aconchegante Casa da Avó Zirinha são óptimas escolhas.

O campo que cerca a cidade também deve ser alvo de atenção do visitante. Se houver força de pernas, aproveite-se a Ecopista do Dão que liga Viseu a Santa Comba Dão, a pequena Rota do Feto em Mundão, a Barragem de Vila Corça que impele ao banho de água doce. No mês de Junho, não se podem perder as Cavalhadas - as mais conhecidas são as de Vildemoinhos (encostadas à cidade), mas a povoação de Teivas também as vive em grande. Por estes lados do Viseu campestre, temos cama na magnífica Quinta dos Três Rios, explorada por um casal de ingleses bem hospitaleiros, a Casa de Pedra num granito já nortenho, ou a rústica Casa do Compasso em Farminhão.

Nas comidas, há tanto para explorar: os viriatos, os pastéis de feijão, o rancho, as castanhas de ovos, e muito mais. E na restauração temos o Mesa de Lemos, com estrela Michelin, mas também o Improvviso, a Tasquinha da Sé, o já velhote Cortiço, e muitos outros que poderia pôr aqui.

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=40.668108 ; lon=-7.909851

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