Burro Mirandês

by | 5 Jan, 2015 | Fauna, Lugares, Natureza, Províncias, Trás-os-Montes

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O Burro Mirandês, como dá para perceber, é autóctone do planalto de Miranda do Douro, no Nordeste português.

Características do Burro de Miranda

Aquilo que o distingue dos burros comuns é, mais do que tudo o resto, a pelugem e o porte. Com efeito, em Miranda, os burros contam com uma camada de pelo comprido e grosso, de cor castanha escura (com excepção para as três manchas brancas que envolvem a boca e os olhos), preparando-o para o frio rigoroso do Planalto, parte da Terra Fria transmontana, onde popularmente se diz que há nove meses de Inverno para cada três meses de Inferno.

É um animal robusto, com membros sólidos, tronco e cabeça fortes, quase a elevá-lo ao metro e meio de altura. As orelhas são compridas e também cobertas de pelo grosso e castanho. Alimenta-se de aveia e cevada e outros tipos de cereais. Usado principalmente como animal de carga, sofreu dos inevitáveis sinais dos tempos, e foi sendo substituído por máquinas nas economias agrícolas mirandesas.

Actualidades do Burro Mirandês

Já convivi com eles por alguns minutos, em viagens anuais que faço aos arrabaldes de Miranda do Douro, Duas Igrejas, Sendim, e outras mais, e posso garantir que nunca vi um que não me fosse dócil. Guardados em pequenos quintais à beira das estradas que se alongam nas planuras secas do Planalto Mirandês, o burro, normalmente solto, aproxima-se do homem sem medo e normalmente à procura de companhia.

O facto de ter perdido o seu lado funcional, como meio de transporte, de carga, e de parceiro de trabalho nos campos agrícolas, é hoje uma ajuda ao turismo rural da região, sendo o passeio de burro uma forma de vender o estilo mirandês à antiga. Bem ou mal, sabe-se que a utilidade é fundamental na preservação desta raça, e os passeios são uma boa iniciativa para o tornar de novo útil no mercado.

Apesar de poderem viver até aos quarenta anos, o seu período fecundo é relativamente curto, e dura, grosso modo, dos seis aos quinze anos.

Em 2013, acabou em destaque na versão europeia do jornal NY Times, num artigo em que um jornalista resolveu colocar o Burro Mirandês como metáfora para os portugueses: tiveram, burro e homem, a sua importância, mas correm agora risco de desaparecer, e isso só não já aconteceu porque ambos ainda conseguem sobreviver à conta de subsídios vindos da União Europeia. Este não é um espaço político e portanto vamos abster-nos de julgar tal opinião.

Recentemente criou-se um festival que lhe é dedicado. Usando a arcaica língua mirandesa, deram-lhe o nome de L Burro i L Gueiteiro.