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Um dos menos falados rios portugueses, anonimato justificado por não estar inserido em nenhum parque natural de renome nacional, o Rio Póio move paixões no coração dos poucos que o conhecem.

A chegar ao Minho

O Rio Póio, parte da rede Natura 2000, é todo ele transmontano, mas faz o seu caminho com a firmeza de quem quer chegar ao Minho, que fica já aqui ao lado.

Nasce nas geladas encostas setentrionais da Serra do Alvão (por vezes a água de nascente chega a congelar), em Alvadia, e vai escorrendo para norte, sungando o duro granito ao longo de uma cisão tectónica que soma uma amplitude de 400 metros de altura do seu ponto mais alto até ao seu ponto mais baixo. É nas imediações de Cabriz que guina para poente apontando à sua meta: o Rio Louredo, afluente do nobre Tâmega, ao qual se junta nas Casas Novas.

Durante o seu percurso, o Rio Póio é um regalo para os olhos: montanhas magnas, como só Trás-os-Montes sabe fazer, cercadas pelos voos distantes de aves de rapina; lagoas intermediárias de água tão translúcida que reconhecemos todos os percalços do leito, ao fundo; rumorejantes cascatas, longas ou curtas, fortes ou mansas, que impelem o rio para baixo; arribas e outeiros cortados à faca (terá daí vindo nome póio?), fechando o acesso aos menos preparados; e azenhas que moíam o milho agora abandonadas ao seu selvagem isolamento.

O município, fazendo-lhe justiça, colocou o seu Rio Póio como candidato às 7 Maravilhas Naturais de Portugal. Acabou por não estar nos finalistas e é de agradecer: assim temo-lo só para nós.

Percursos e caminhadas no Rio Póio

Conseguimos separar o Rio Póio em três distintos trechos. Um que engloba a sua fase indomável, que vai desde a sua nascente, em Alvadia, até à Cascata Cai d’Alto. Outro que segue da Cascata Cai d’Alto até às redondezas de Cabriz. E outro que parte de Cabriz até à confluência com o Louredo, onde termina. Se a primeira parte é de quase impossível acesso dado todo o enquadramento onde se encontra, protegido pelos contrafortes abruptos que sobram do Alvão, a segunda, embora com grau de dificuldade acentuado, já é visitável pelos mais afoitos, e a terceira, por fim, tem um registo campino, sem grandes atribulações, e, como tal, está ao dispor da maioria dos visitantes.

Quando ouvimos alguém mencionar as aventuras que teve no Póio, está a referir-se, certamente, ao canyoning e à caminhada aquática que lá se praticam (o Pena Aventura Park organiza expedições), e estes são habitualmente prestados no segundo trecho, que já é viajável, mas cujos obstáculos são suficientemente grandes para não ser recomendado a qualquer pessoa.

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Uma das muitas lagoas que encontramos a descer o Póio

Uma das várias lagoas do Rio Póio

O início pode ser feito de vários pontos. A montante temos a hipótese de partir de uma estrada que nos leva de Azeveda até ao rio (a meio da estrada consegue vê-lo à sua direita, bem como um pequeno carreiro em terra que nos leva até lá abaixo) ou da ponte que se encontra imediatamente a sul de Cabriz. A jusante, de Cabriz para oeste, o Rio Póio abranda tornando-se um rio de planície, o que significa que temos muito mais opções para o poder conhecer – há mesmo uma praia fluvial junto a Cerva – e por isso descartamos esta parte da dita caminhada aquática.

Não se trata de uma rota no sentido comum do termo. Na verdade, não existe um caminho traçado. O caminho é o rio, que neste caso deve ser feito de jusante para montante. E se as inúmeras rochas, intercaladas com ambas as margens, garantem que não temos de nos lançar ao roteiro a nado, é importante dizer que há uma grande probabilidade de nos molharmos.

Sugere-se o uso de calçado apropriado – flexível, leve e aderente -, bem como um exaustivo planeamento (leve-se comida e estojo de socorros). E evite-se a ida fora dos meses quentes e secos – quanto mais a chuva aumenta o caudal, menores as probabilidades de superarmos o Póio. Não é demais lembrar que já houve resgates a pessoas que se aventuraram no rio, por vezes com recurso à Força Aérea, já que é impossível fazê-lo a pé ou de barco.

O que ver no Rio Póio

O Póio é o grande museu de que aqui falamos. No entanto, há certos pontos de interesse que vale a pena mencionar.

A começar com o grande ícone da zona, a Cascata Cai d’Alto, que se afirma com os seus sessenta metros de queda de água, tão imponente que parece que chegámos ao início do rio e que dali para trás nada mais há – mas não, ele corre lá em cima, onde nem as mãos nem os olhos conseguem alcançar.

Já as lagoas, que são muitas e de uma limpeza exemplar, destacam-se a Lagoa dos Três Saltos ou das Três Paredes e o Poço do Inferno. Ambas são conhecidas pelos mergulhos que permitem dar, sempre que quisermos saber o que é sentir adrenalina no corpo.

A Ponte Romana que se mostra quando o Rio Póio chega a Cerva é abrilhantada com arte rupestre no parapeito. Conta com dois arcos e heras a cobrirem-lhe o granito. É tema de abertura para algumas lendas que se contam na região, nomeadamente a de Sertório e da sua cerva.

E não podemos deixar de falar nas aldeias e povoados que se foram organizando em torno do Póio, que têm no rio o seu denominador comum.

Ribeira de Pena – o que fazer, onde comer, onde dormir

Ribeira de Pena, terra-fronteira entre duas províncias nortenhas - Minho e Trás-os-Montes, fazendo parte desta última -, é produto das bacias dos seus principais rios. Os cursos fluviais do Beça, do Póio, do Louredo e do Tâmega, estão-lhe na génese, como veias.

Explorar as águas perdidas de cada um destes rios tem vindo a ganhar interesse, sobretudo no Póio e no Louredo, onde o canyoning tem vingado. Ficar na Cerva, na Casa do Vale de Cerva, permite-lhe tirar proveito de se estar a poucos passos do encontro entre os dois caudais. As Casa de Alvite, mais a leste, é solução para os exploradores do Póio que queiram fazer a rota rio acima.

Caso se pretenda estar mais perto da sede de concelho, o Pena Park Hotel, pela diversidade de serviços que oferece, agrada a quase toda a gente, e a Casa dos Codessos é a melhor escolha para grupos maiores.

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=41.47025; lon=-7.85178

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