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Procissão do Senhor da Cana Verde

by | 1 Jul, 2020 | Abril, Alto Alentejo, Festas, Março, Províncias, Tradições

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A vila do Crato celebra a sua Quinta-Feira Santa com uma devoção sui generis, a Procissão do Senhor da Cana Verde. Realiza-se durante a noite e à luz de archotes.

A Semana Santa do Crato

A Procissão do Senhor da Cana Verde é o ponto alto de uma festa religiosa maior. Trata-se de um dos vários episódios da Semana Santa da vila do Crato, no Alto Alentejo, a par com a Procissão dos Ramos, a Procissão dos Passos, a Procissão do Santíssimo, o Enterro do Senhor e a Missa da Ressurreição (estes dois últimos são realizados posteriormente à Procissão da Cana Verde).

Tal como noutras povoações do resto do país, são recriadas de forma cronológica as principais etapas por que Jesus passou, desde a sua entrada em Jerusalém até à Ressurreição.

Na Quinta-Feira Santa, porém, a solenidade do momento confere ao dia uma aura especial. Depois da Missa da Ceia, celebrada na Igreja da Misericórdia ao final da tarde, os fiéis deslocam-se para a Igreja Matriz. Espera-se que a luz dos lampiões públicos se apague, por volta das nove e meia da noite, enquanto archotes são acesos e pendões levantados, um a um, pelos cratenses que decidem homenagear a Paixão.

Uma imagem amadeirada de Cristo prepara-se então para acompanhar a procissão que começa e termina na Igreja Matriz do Crato. À chegada, cratenses e a mesma imagem assistem à cerimónia, após a qual esta última é colocada numa espécie de caixa funerária – será usada também no dia seguinte, Sexta-Feira Santa, numa outra procissão nocturna, desta vez a do Enterro.

A Procissão do Senhor da Cana Verde é, juntamente com a Procissão do Enterro, o dia mais concorrido de toda a Semana Santa da vila do Crato.

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Ecce Homo, o Senhor da Cana Verde, de Caravaggio

A cana verde

A Cana Verde é aquilo que Jesus agarra quando se encontra representado vítima de flagelação, contando já com a coroa de espinhos na cabeça – equivale, de outra forma, ao ecce homo tantas vezes posto em tela, inclusivamente por Caravaggio. Faz assim parte daquilo que genericamente designamos como a Paixão de Cristo, incluindo-se em quase todas as celebrações pascais cristãs (porque há as não cristãs).

A imagem do Jesus da Cana Verde revela-se contraditória – como tantas vezes a própria Bíblia o é. Se por um lado vemos Cristo torturado e castigado e ferido, por outro é-nos mostrado o Cristo Rei, com o seu ceptro (de cana), a sua coroa (de espinhos), e o seu manto. Uma dicotomia que não vem ao acaso numa alusão ao Jesus homem e ao Jesus divino.

A cana tem, em várias tradições, uma forte conexão com a riqueza e a abundância (até com o sol, como símbolo do Leste, isto é, das terras do sol nascente) – o que valida a ideia de poder ser vista como um ceptro, ao mesmo tempo que pisca o olho a um outro sentido da Páscoa, de cariz naturalista, e ligado à ressurreição da natureza que acontece por volta de Março ou Abril no hemisfério norte. Esta dualidade pascal pode ser admirada em certas tradições portuguesas, sendo as Queimas do Judas as mais transversais ao país.

Crato – o que fazer, onde comer, onde dormir

A Anta do Tapadão e a Anta do Crato são os dois exemplares que mais merecem ser vistos neste paraíso megalítico que é o Alto Alentejo. Não esquecer o incontornável Mosteiro de Flor da Rosa, hoje transformado em pousada, bem como um alívio de estômago no restaurante O Recanto, tantas vezes incompreendido (o ensopado de borrego e a alhada de cação são um mimo). Para dormir, além do já mencionado mosteiro, considere-se a Casa do Largo para turismo rural.

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Mapa

Coordenadas de GPS: lat=39.28421; lon=-7.64469

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