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Feras antropófagas do Norte de Portugal – Parte 2

by | 28 Mar, 2018 | Lendas, Minho, Mitos e Lendas, Províncias, Trás-os-Montes

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Andaram espécimes de Panthera à solta no Noroeste da Península Ibérica?

Panthera é um género de felídeos que engloba 5 espécies: o leão, o leopardo, o jaguar, o tigre (Panthera tigris) e o leopardo-das-neves (Panthera Uncia). Dessas espécies, só o leopardo-das-neves nunca existiu em estado selvagem em territórios historicamente colonizados por Portugal ou por Espanha, além de que, tirando 2 casos registados, não ataca o homem, pelo que é altamente improvável que pelo menos 1 das bestas tenha sido um.

No caso das outras espécies de Panthera, a história é bem diferente. Estão documentados até aos dias de hoje um bom Nº ataques dessas espécies a pessoas, embora no caso dos jaguares têm sido bem mais raros (mas, infelizmente, está a aumentar o Nº ataques dessa espécie ao homem). Além das razões apontadas nas considerações iniciais, outro motivo que resultou nos ataques dos tigres, dos leões e dos leopardos foram lesões incapacitantes para a caça de espécies de animais selvagens, principalmente lesões dentárias que impediam uma mordida mais letalmente eficaz contra presas de espécies mais bem preparadas para se debaterem do que o homem. Os leões, os leopardos, os jaguares e os tigres são bastante furtivos para o tamanho corporal que têm, e podem se deslocar uma distância considerável em busca de alimento em pouco tempo – tudo isso vai de encontro ao facto das bestas serem relatadas em vários sítios num curto espaço de tempo sem se dar conta das suas movimentações, e de serem bastante difíceis de capturar. Além disso, as vítimas humanas dos tigres, pelo menos, são atacadas principalmente quando estão sozinhas e desprevenidas, o que pode explicar a Besta de Montalegre apenas atacar quando elas se encontravam sós e ter de se sair de casa bem acompanhado e armado no caso da Fera de Castro Laboreiro. Muitas vezes, das vítimas humanas dos leões e dos tigres só se encontrou a cabeça (ou o que restava dela) – no caso da Fera de Castro Laboreiro, houve quem encontrasse pelo menos 1 crânio.

Como já foi aqui escrito, havia quem designasse a Besta de Montalegre por «tigre», e, no caso da Fera de Castro Laboreiro, havia quem dissesse que se tratava de um tigre, além de que quem a chegou a vê-lo supôs que fosse um tigre fugido – poderá isso, juntamente com o que foi referido no último parágrafo, indicar que as bestas eram tigres (impossíveis de confundir com leões ou leopardos, a meu ver)?

Deixaram que hienas fizessem o que quisessem no Norte de Portugal e na Galiza?

A hiena-malhada e a hiena-raiada são espécies animais que se podem encontrar em territórios historicamente colonizados por Portugal ou por Espanha: a 1º espécie encontra-se em Angola, em Moçambique, na Guiné-Bissau e na Guiné-Equatorial, e a 2º espécie encontra-se (ou possivelmente encontrou-se) no Saara Ocidental, nos arredores dos territórios que são hoje as únicas possessões espanholas na África Continental e no Litoral Oeste da Índia, onde se situam Goa, Damão e Diu. Como a maioria das espécies de carnívoros de grande porte, a hiena-malhada e a hiena-raiada são normalmente tímidas na presença do homem (aliás, a hiena-malhada é a espécie de carnívoro africana que guarda a maior distância de segurança média em relação às pessoas [até 300 m]). No entanto, tornam-se mais ousadas durante a noite, em que podem seguir as pessoas de perto.
Têm sido registados ataques de hiena-malhada e de hiena-raiada ao homem. Antes de mais, convém referir que essas espécies, reconhecidamente necrófagas, não hesitam em alimentarem-se de cadáveres humanos se houver oportunidade disso – ex. notórios: na Etiópia, as hienas-malhadas foram relatadas a alimentarem-se extensivamente dos corpos de quem morreu no golpe de estado frustrado em 1960 e no Terror Vermelho Etíope; o motivo pelo qual em muitas partes da Turquia se colocam pedras em cima dos túmulos é porque as hienas-raiadas eram conhecidas por escavarem-nos em busca dos corpos (atualmente, tudo indica que a população turca de hienas está muito fragmentada e próxima da extinção).

As hienas-malhadas são bastante temidas no Malawi, onde se sabe que ocasionalmente atacam as pessoas durante a noite, especialmente durante o tempo mais quente, quando as pessoas dormem lá fora – a Besta de Montalegre começou a atacar em Maio, quando normalmente o tempo começa a aquecer, e, repito, tudo indica que a Fera de Castro Laboreiro pelo menos atacou em Junho, quando o tempo por norma já está quente (embora tudo indique que os ataques das bestas tenham sido de dia). As principais vítimas das hienas-raiadas (e possivelmente também das hienas-malhadas) são menores de idade, e sabe-se que a Fera de Castro Laboreiro atacou um bom número de menores.

Além disto tudo, se há quem sugira que a já referida Besta de Gévaudan foi uma hiena-malhada, será que se pode sugerir-se que pelo menos uma das bestas que atacaram no Norte de Portugal era uma hiena? Já agora, é curioso que boa parte da descrição da Besta de Montalegre faz lembrar a descrição da hiena-raiada (ex.: crina cinzenta da ponta da cauda ao alto da cabeça, patas cinzentas bastante compridas e boca demasiadamente rasgada). E poderia uma hiena-raiada, com as suas riscas que lhe dão o nome, ser confundida com um tigre, de quem muita gente sugeriu para ambas as bestas, por quem não conhecesse a espécie de hiena em causa (e também as outras)?

Javalis mataram para comer muitas pessoas no Noroeste da Península Ibérica?

O javali é uma espécie de animal historicamente presente no Norte de Portugal e na Galiza. Já se sabe que um javali adulto com os seus mais de 70 kg de massa, força nada pequena, presas afiadas e velocidade e agilidade insuspeitas é um animal que mete respeito! É certo e sabido que os lobos-cinzentos geralmente evitam caçar javalis adultos sempre que podem; e quando os caçam, pode-se dizer que um javali adulto saudável não é fácil de matar nem com uma alcateia com mais de 10 membros! Os javalis têm atacado pessoas ao longo dos tempos, principalmente de Novembro a Janeiro, a sua época de reprodução, em áreas agrícolas junto a florestas ou em caminhos florestais, sítios frequentes no Noroeste da Península Ibérica. Além disso, houve quem sugerisse que a Fera de Castro Laboreiro fosse um javali.

Mas, pelo que se sabe, os javalis atacam as pessoas por se sentiram ameaçados a eles ou às suas crias, não para as predarem. No entanto, sabe-se que, embora seja raro, o javali pode predar espécies animais tão grandes como a ovelha-doméstica (Ovis aries). Além disso, a subespécie doméstica (Sus scrofa domesticus) é conhecida por ter morto e comido crianças na Idade Média. Já agora, têm sido relatados nos últimos anos híbridos de porcos-domésticos com javalis de subespécies selvagens em vários pontos da Península Ibérica com cerca do dobro da massa dessas subespécies! Poderá uma animália dessas ter sido 1 das feras ou ambas?

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Linces-europeus causaram o terror no Norte de Portugal e na Galiza?

Atualmente só há 1 espécie de lince em estado selvagem na Península Ibérica: o lince-ibérico (Lynx pardinus), a espécie de felídeo mais ameaçada do mundo. Mas tudo indica que no passado uma outra espécie de lince percorreu terras ibéricas, nomeadamente a Norte (e ainda pode haver quem ache que ainda existe nos Pirinéus ibéricos!): o lince-europeu, de maior tamanho corporal e mais agressivo que o lince-ibérico, e, ao contrário deste, capaz de matar adultos de veado-vermelho e de gado ovino e caprino.

Há indícios, estudados pelos especialistas, que apontam para a existência no passado de linces-europeus no extremo Norte da Península Ibérica, do qual se inclui a Galiza, as Astúrias, o País Basco e o Noroeste de Portugal, até ao séc. XIX. Embora sejam raros, há registos de ataques de linces-europeus a pessoas em várias zonas da Eurásia; parece que há 1 registo de um ataque a uma criança em Tourém em 1758, registado por João Álvares de Azevedo, abade da igreja de Sam Thomé de Parada do Gerês (desconheço de que povoação se trata) – a não esquecer que pelo menos 2 das vítimas da Fera de Castro Laboreiro eram crianças –, e de mais ataques a pessoas na Galiza e nas Astúrias; pensa-se também que a Besta da Gargaille, acusada de atacar muita gente em 1819, tenha sido um exemplar de sexo feminino dessa espécie.

Tal como os espécimes de Panthera já referidos, os linces são bastante furtivos, e podem se deslocar uma distância considerável em busca de alimento em pouco tempo – tudo isso vai de encontro ao facto das feras serem relatadas em vários sítios num curto espaço de tempo sem se dar conta das suas movimentações, e de serem bastante difíceis de capturar.
Será plausível que pelo menos 1 das feras tenha sido um lince-europeu? Poderia o tigre referido em ambos os casos ser, afinal, um lince? Mas, mesmo com os relatos de ataques existentes, poderia um lince retirar órgãos das vítimas humanas, ou mesmo só deixar uma ou outra parte delas por aí?

 

Um ou mais lobos-cinzentos aterrorizaram o Norte de Portugal e a Galiza?

Existem na Península Ibérica 2 subespécies de lobo-cinzento: o cão-doméstico (Canis lupus familiaris) e o lobo-ibérico (Canis lupus signatus). Apesar de haver relatos de cães que mataram e comeram pessoas, não creio que tenha sido o caso no Barroso e em Castro Laboreiro nos séc. XVIII e XIX, respetivamente: os cães são demasiado familiares para passarem por feras que ninguém consegue identificar, além destes serem demasiado próximos aos homens para passarem despercebidos. Vou atentar nos animais denominados lobos, dos quais os espécimes de lobo-ibérico são.
A frequência dos ataques de lobos a pessoas varia com a localização geográfica e o período histórico. Comparado com outras espécies de carnívoros de grande porte, os ataques de lobo-cinzento (subespécies selvagens) são raros porque os lobos historicamente são subsequentemente mortos, ou até mesmo extirpados da zona em reação. Como resultado, os lobos hoje tendem a viver principalmente longe das pessoas ou desenvolveram a tendência e a capacidade de evitá-las. O país com os registros históricos mais extensos é a França (que é, relembro, também um dos países europeus mais afetados por bestas misteriosas), onde cerca de 7600 ataques fatais foram documentados entre 1200 e 1920. Nos tempos modernos, eles ocorrem com maior frequência na Índia e nos países limítrofes. Existem poucos registros históricos ou casos modernos de ataques de lobo na América do Norte comparativamente à Europa (onde muito poucos ataques de lobo ocorreram neste século): ao contrário do continente europeu, em que durante séculos só os mais abastados tinham armas de fogo, e apenas muito recentemente é que o seu uso tornou-se, assim por dizer, mais democrático, é mais que certo e sabido a enorme quantidade histórica de armas de fogo que existem para todas as classes sociais na América do Norte, o que fez com que os lobos norte-americanos fossem perseguidos com mais intensidade e que, por isso, tivessem mais medo dos homens que os seus congéneres europeus, que, por falta de medo, eram mais propensos a atacarem pessoas. Em relação a ataques de lobo a pessoas em Portugal, estes têm sido raros, não havendo casos fatais desde meados do século XX e não havendo registo de ataques no século XXI.
A maior parte dos ataques ao homem não são predatórios, mas sim defensivos. Os ataques predatórios são ataques não provocados motivados pela fome. Em certos casos, um lobo cauteloso pode lançar ataques, digamos, investigativos ou exploratórios para ver se a sua vítima é adequada como presa. Tais ataques nem sempre são pressionados, pois o animal pode cessar o ataque e ir para outro lugar em busca da próxima refeição. Durante os ataques predatórios, as vítimas podem ser mordidas repetidamente na cabeça e no rosto, e, depois de mortas, arrastadas e consumidas, às vezes até a 1-2,5 km do local do ataque, a menos que o lobo ou a alcateia sejam afugentados para se recuperarem os restos mortais. Os ataques predatórios não param até que os lobos envolvidos sejam eliminados.

Os ataques predatórios podem ocorrer em qualquer época do ano, com um pico no período de Junho a Agosto, quando as chances de as pessoas entrarem em áreas florestais (para, por ex., pastar o gado ou colher frutos e cogumelos) aumentam, além de que os lobos com crias experimentam maior stress alimentar durante este período – tudo indica que a Fera de Castro Laboreiro pelo menos atacou em Junho, e a Besta de Montalegre poderá ter continuado com os ataques após o mês em que apareceu.
O Instituto Norueguês de Pesquisa da Natureza realizou um estudo mundial sobre ataques predatórios das subespécies selvagens de lobo-cinzento ao homem. O estudo em causa mostrou que 90% das vítimas de ataques predatórios eram menores de 18 anos – sabe-se que pelo menos 3 menores foram atacados pela Fera de Castro Laboreiro, 2 deles acabando por morrer –, especialmente com menos de 10 anos de idade. Nos raros casos de adultos mortos, as vítimas eram quase sempre mulheres – Pelo menos 4 mulheres foram mortas pela Besta de Montalegre, embora 13 homens o fossem. Isso é consistente com as estratégias de caça do lobo, em que as presas mais fracas e vulneráveis são o alvo principal. Além de sua inferioridade física, as crianças eram mais vulneráveis aos lobos, pois eram mais propensas a entrarem em florestas sem vigilância para colherem bagas e cogumelos, além de cuidarem sozinhas do gado em pastagens junto às florestas – tal como o rapaz de 14 anos que só se salvou da Fera de Castro Laboreiro devido à proteção que as suas vacas lhe deram. Embora essas práticas tenham desaparecido em grande parte na Europa, ainda persistem bastante na Índia, onde vários ataques foram registrados nas últimas décadas. Mais um motivo para a vulnerabilidade das crianças é o fato de que algumas poderem confundir lobos com cães e, assim, abordá-los.
Será que 1 só lobo ou uma alcateia deles foram pelo menos 1 das bestas? Já agora, poderiam 1 ou mais híbridos de cães-domésticos com lobos-ibéricos matarem para comer pessoas nestes casos?

 

Ursos-pardos provocaram o terror no Noroeste da Península Ibérica?

Tal como referi no meu artigo anterior sobre o urso-pardo, relatos apontam que ainda deambulavam ursos pelas zonas fronteiriças no Norte até 1957, o que quer dizer que ursos a aparecerem em território nacional a Norte do Douro nas alturas em que se deram os casos não era nada improvável de acontecer; além disso, segundo Paulo Caetano e Miguel Brandão Pimenta no seu livro Urso Pardo em Portugal – Crónica de uma extinção, o último urso realmente abatido em estado selvagem em Portugal foi na Serra do Gerês em 1843 – ou seja, 18 anos antes do caso da Fera de Castro Laboreiro começar, que ocorreu perto da zona do abate ou mesmo aí. Acho que se pode colocar a questão se as populações do Norte de Portugal, pelo menos após o abate em causa, teriam consciência da existência da espécie.
Também referi nesse meu artigo que ataques de ursos-pardos a pessoas não são frequentes, dado que geralmente é uma espécie bastante tímida na presença do homem, e que foge dele sempre que pode, mas, ainda assim, pode atacar o homem se sentir-se a si e/ou às suas crias ameaçados, ou se estiver esfomeado, embora ataques predatórios sejam raros; mortes humanas por ataques de urso-pardo têm sido relatadas, principalmente na América do Norte e na Rússia, onde existem subespécies de urso-pardo bem mais agressivas do que o urso-europeu (Ursus arctos arctos), a subespécie existente na Península Ibérica. A maioria dos ataques de urso-pardo, de qualquer tipo, ocorre de Julho a Setembro, quando o Nº pessoas que andam ao ar livre pelo habitat natural da espécie (ex.: caminhantes e caçadores) é maior – é possível que ambas as bestas atacaram também pelo menos em Julho. Os ataques predatórios ocorrem quando um urso faminto perdeu o medo natural dos homens, e com, geralmente, a escassez de alimentos a fazer com que os ursos muitas vezes se tornam mais desesperados e agressivos.

A título de ex. de ataques predatórios, acho que muitos leitores se devem lembrar de que o excêntrico entusiasta dos ursos estado-unidense Timothy Treadwell e a sua namorada Amie Huguenard foram mortos e quase totalmente comidos por pelo menos 1 urso-pardo de 28 anos em Outubro de 2003 no Alasca, em cujo estômago mais tarde foram encontrados roupas e restos humanos. A cabeça desfigurada, a espinha parcial, e a mão e antebraço direitos, com o relógio de pulso ainda ligado, de Treadwell foram recuperados a uma curta distância do acampamento deles; os restos parciais de Huguenard foram encontrados ao lado das barracas rasgadas, parcialmente enterradas num monte de galhos e terra – tal como no caso da Fera de Castro Laboreiro, os diferentes restos mortais das vítimas foram encontrados em determinados sítios.

Por tudo isto, será que se pode supor que 1 ou ambas as bestas foram um urso-pardo esfomeado? No entanto, há que dizer que não há registo de ataques fatais na Península Ibérica desde a Idade Média.

 

Uma última teoria e considerações finais

Todas as teorias que apresentei até agora foram naturais, de exemplares de espécies animais selvagens. Mas, e se por detrás de 1 ou dos 2 casos estivessem mãos humanas? O facto das vítimas da Besta de Montalegre aparecerem com as entranhas retiradas faz lembrar as macabras atividades de certos homicidas em série – um ex. disso foi Jack, o Estripador. Poderia estar algum assassino ou mais, com um certo fascínio mórbido, ligados a pelo menos 1 dos casos? Será que um culto de loucos provocou homicídios horrendos no Barroso e em Castro Laboreiro nos séc. XVIII e XIX, respetivamente, que perduraram na memória coletiva? Será que o(s) homicida(s) poderia(m) ter atacado com peles de animais, interpretando perfeitamente o papel de feras por identificar a testemunhas aterrorizadas demais para pensar? A teoria dos homicídios em série camuflados por ataques de bestas misteriosas também é uma das teorias para o caso da Besta de Gévaudan. Tudo porque se sabe que há caminhos tortuosos que a mente humana pode seguir!

Possivelmente nunca se darão respostas concretas sobre o que foram a Besta de Montalegre e a Fera de Castro Laboreiro – se é que realmente existiram. Também se repara obviamente que as gentes do Barroso e de Castro Laboreiro não estão muito dispostas a relembrar esses casos além do suficiente para que não caiam no esquecimento, e muito menos de forma economicamente rentável, ao contrário dos aguiarenses, que têm atividades escolares e económicas inspiradas na Cabicanca, das quais mostrei ex. disso no meu artigo anterior sobre ela – o que é perfeitamente compreensível: enquanto, supostamente, a Cabicanca não fez mal a ninguém, a Besta de Montalegre e a Fera de Castro Laboreiro deixaram um legado de morte e mais sofrimento a populações já de si bastante sofridas pelas condições geográficas e socio-económicas. Quem é que, entre as populações afetadas, tem estômago para deixar vivo esse legado para além das histórias que se contam de geração em geração?!
Não poderia finalizar o artigo sem agradecer ao Nuno Pedroso, do CARNIVORA – Núcleo de Estudos de Carnívoros e seus Ecossistemas, e ao Dr. Francisco Álvares, do CIBIO-InBIO, Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, pela valiosa colaboração para este artigo.

 

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