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Ameixas de Elvas

by | 8 Mai, 2018 | Alto Alentejo, Gastronómicas, Províncias, Tradições

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As Ameixas de Elvas obrigam a que se tenha em mãos um particular tipo de ameixa: a grega Rainha Cláudia verde – um fruto de referência da região, muito acarinhado em França tendo aí a origem do seu nome corrente.

Um produto DOP, referência na região, que acabou num livro de uma autora tão improvável quanto famosa

História das Ameixas de Elvas

Tendo em conta que a receita das Ameixas de Elvas se encontra gravado no receituário do Convento das Freiras Dominicanas, é bem possível que existam desde, pelo menos, o século XVII, podendo ir mesmo até ao século XVI.

Nessa altura, como era costume, só a realeza e seus primos é que tinham direito a ela.

Posteriormente, No início do século XIX, surgiram as primeiras fábricas de produção de Ameixas de Elvas, pegando na receita conventual e dando-lhe, cada uma, o seu toque. Começou aqui, com a industrialização deste mercado, a democratização do seu consumo, alargando-se a sua área de produção a zonas circundantes a Elvas.

Hoje em dia, e agora que conta com a garantia Denominação de Origem Protegida, é processada em três concelhos diferentes: Elvas, evidentemente, e ainda Borba e Estremoz (este último de forma menos artesanal).

As “Elvas Plums” de Agatha Christie

Um dos muitos livros de Agatha Christie, The adventure of the Christmas pudding, fala das nossas Ameixas de Elvas, traduzindo-as para Elvas Plums.

O pano de fundo da trama, como o título indica, é a época natalicia, e num dos capítulos é descrita una tradicional ceia de Natal britânica. No meio de vários doces, lá se mencionam as ameixas alentejanas, coisa possível pela influência que os ingleses tiveram em Portugal e pela influência que receberam dele – muito provavelmente, teriam sido os comerciantes de Vinho do Porto provenientes do Reino Unido que, além do néctar do norte, resolveram importar também este fruto do sul.

Ao que parece, a autora de muitos dos mais célebres policiais do passado século era apreciadora delas.

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Receita das Ameixas de Elvas

Conta-se que um dos principais segredos para que a Ameixa d’Elvas fique bem cozinhada é a pouca espera que existe entre a sua apanha e a cozedura – duas tarefas que deverão ser processadas num só dia, já que a espera, por mais curta que seja, empobrece a fruta.

Assim sendo, logo que é feita a colheita (e falamos dos meses de Julho e Agosto, sensivelmente, devendo a fruta estar ainda verde para aguentar bem a cozedura), a ameixa deve ser transportada para o sítio da fervura e lá deverá mergulhar apenas em água.

Só depois de fervida vai para um segundo caldo, este sim de água e açúcar até atingir ponto de espadana, sendo cozida aí também. Entra em repouso por cerca de dois dias e vai novamente a cozer, em calda. Depois, volta a descansar, até ser escorrida através das fissuras de uma ciranda.

Ou seja, resumindo, há três idas e lume, uma primeira em água, duas a seguir em calda de água com açúcar. Dignas de nota são também outras alternativas ao fabrico da fruta, podendo haver ainda mais cozeduras do que as três que mencionámos.

Muitos alentejanos preferem fazer da Ameixa de Elvas um acompanhamento de sobremesa do que uma sobremesa por si só. Com efeito, na região de Elvas, é várias vezes servida lado a lado com Sericaia.

Ameixa Rainha Cláudia ainda por colher

Ameixa Rainha Cláudia

Venda das Ameixas de Elvas

O empacotamento é feito manualmente por várias indústrias locais, muitas delas de empacotamento artesanal, sobretudo as de Elvas. Serão essas as mais genuínas, dirão muitos, e para isso convém ir à origem para as termos em casa.

De resto, em várias redes de supermercados do país conseguimos Ameixas de Elvas à venda.

Tratando-se de um produto que depende da colheita, também a sua comercialização, para garante da qualidade, deve ser feita sazonalmente. Entre Outubro e Dezembro é quando podemos comprar boa Ameixa de Elvas, a tempo da ceia de Natal, como fez Agatha Christie.

Onde ficar

Ligeiramente a norte da cidade de Elvas encontra-se um muito recomendável monte alentejano, agora adaptado a outros propósitos, para nosso bem: é o Hotel Rural Monte da Provença.

De divisões amplas, inclusive no que diz respeito aos quartos, está rodeado de pomares e de vinha. Tem piscina exterior.

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