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Não sabemos ao certo se as pedras baloiçantes (ou pedras cavaleiras, ou ainda pedras bulideiras, havendo também outras denominações regionais) são exclusivamente um fenómeno natural, esculpidas pela água e pelo vento, ou se, sabendo de antemão que estes elementos as foram desenhando, houve por cima disso alguma mão humana a ajudar – escavando-as e limando-as para que baloiçassem mais -, ainda que nunca com a mesma preocupação simbólica que outros casos, como são exemplos os menires e as mamoas da nossa cultura megalítica.

As crenças nas pedras baloiçantes

Certo é que, tendo ou não tendo o homem contribuído directamente para a sua formação, elas sempre foram vividas pelas povoações. O seu carácter mágico é inegável. A selar este aspecto sagrado estão algumas covinhas feitas nas suas superfícies, fazendo delas telas de comunicação com Deuses proto-históricos.

Em alguns sítios tratam-nas por pedras da paciência ou pedras falantes, o que parece confirmar esta ligação emocional que as gentes que as rodeiam criaram com elas. Com efeito, é sabido que em muitas delas se faz futurologia, onde, depois de um impulso para que ela se mexa, e conforme o sítio para onde pende, se tentam tirar respostas em relação ao destino de quem a baloiçou.

Há várias lendas que as têm como personagem, algumas delas comprovando até a sua posterior cristianização, o que só vem sublinhar a sua sacralização pré-cristã.

Em Macedo de Cavaleiros, por exemplo, fazem de uma delas, conforme conta o povo, um sino para chamar as pessoas para a missa, já que o som que esta produzia a baloiçar se conseguia ouvir a dez quilómetros de distância. Noutro contexto, sobre aquela que é, provavelmente, a mais famosa destas pedras – a pedra bolideira junto à aldeia da Bolideira -, conta-se que um pastor viu o penedo mexer quando uma cabra resolveu testar os seus chifres contra ela, e a partir desse momento não há pessoa que ali passe que não teste o seu movimento.

Estão espalhadas um pouco por todo o país (abundam nas serras) se bem que é no norte ou centro-norte que as encontramos mais facilmente, dado ser nos afloramentos graníticos que encontram condições propícias à sua formação – o calcário e o xisto, por exemplo, são mais quebráveis, e dificilmente atingem este tipo de desenho.