Falcoaria Real de Salvaterra de Magos

by | 19 Jul, 2014 | Lugares, Monumentos, Museus e Exposições, Províncias, Ribatejo

Monumentos

Natureza

Povoações

Festas

Tradições

Lendas

Insólito

Salvaterra de Magos é, por passado histórico, terra de forte personalidade monárquica. O antigo Paço Real e a sua pequena capela lá estão para o carimbar – casa de campo da corte portuguesa, perto da movida da capital e ainda mais próxima dos terrenos de caça que davam chão às empoladas caçadas reais. Afinal, é só fazer uns quilómetros para jusante do Tejo e depois do Mar da Palha, lá aparecia a Lisboa imperial.

Ninguém estranha, portanto, que uma falcoaria, actividade ligada a famílias de sangue azul, aqui se tenha instalado, num edifício de estilo pombalino, recuperado para a ocasião. Aqui são expostas algumas das aves de rapina de alto e baixo voo, habitualmente orientadas para colherem presas vivas e trazerem-nas aos seus treinadores.

A caça com falcão

Se a caça já era, em certa medida, um passatempo de gente rica – não havia rei ou fidalgo que dispensasse umas horas semanais para se dedicar a ela -, a falcoaria é-o ao quadrado. Implica, contudo, uma disciplina espartana do falcoeiro, que de dia para dia tem de formar a sua ave a mirar, perseguir, caçar, e regressar. Ou seja, a carabina, neste caso, é a ave de rapina, e os canos justapostos são as garras aguçadas. Os dois, falcoeiro e falcão, funcionam como um, tal como o florete, nos antigos duelos, podia ser a extensão de um braço.

Conseguimos ver uma equivalência, portanto, com o fox hunting ainda praticado em poucos países europeus – foi proibido na maioria deles -, mas neste caso a busca é feita pelo ar e não por terra, e em substituição dos hounds temos os falcões, que no caso da Falcoaria Real são o sacre, o gerifalte, o gavião, o açor, o peregrino, o aleto, o lanário, a águia-real e o esmerilhão.

Além de uma longa explicação acerca desta actividade cinegética secular e da visita às aves que se encontram em cativeiro, o edifício conta ainda com uma exposição permanente dedicada à Arte da Falcoaria e outras itinerárias, normalmente relacionadas com a temática cinegética.

Em 2016, a falcoaria foi elevada a Património Imaterial da Humanidade, chancela da UNESCO.

Mapa

Coordenadas e GPS: lat=39.02788 ; lon=-8.79783