Cultura Megalítica

A cultura megalítica refere-se aos monumentos megalíticos, grandes construções de blocos de pedra, cuja origem remonta à pré-história, mais especificamente ao Neolítico (seis a cinco milénios a. C). As pedras monumentais que os constituem foram alinhadas ou colocadas em determinada posição pela mão humana (diferenciando-se assim de afloramentos naturais), sendo que o tipo de alinhamento ou posicionamento vai definir o género de monumento megalítico, como antas, menires ou cromeleques. Encontram-se exemplos de monumentos megalíticos em diversos pontos do mundo, mas são particularmente predominantes no continente europeu, e, curiosamente, com grande incidência ao longo da costa atlântica, desde o Norte de África e costa da Península Ibérica até à Irlanda e Grã-Bretanha. Consoante a sua disposição, a arqueologia atribui-lhes um papel variado: funerário e ritualista por exemplo nas antas ou dólmens, sendo que é comum encontrar-se ossadas humanas e artefactos nas suas câmaras; de símbolo ou altar de fertilidade nos menires, dado as suas formas fálicas; de culto aos astros no caso dos cromeleques, devido à disposição das pedras aparentemente alinhada com posições astronómicas.

Dada a distância histórica que nos separa dos tempos em que foram erigidos, gerou-se uma aura misteriosa em volta destes monumentos megalíticos que deu azo a investigações de um carácter mais esotérico, a partir das quais lhes foram atribuídos diversas propriedades. Estas teorias, como na chamada geobiologia, defendem que estes monumentos megalíticos estão sempre situados em zonas circunscritas por linhas Hartmann e Curry, mas nunca atravessadas por estas. Estas linhas são fios de águas subterrâneas que possuem energias telúricas devido a vibrações de poder electromagnético que podem ser benéficas estando em redor, mas prejudiciais se estiverem directamente abaixo de um indivíduo. Outras teorias relacionam ainda os monumentos megalíticos, especialmente os cromeleques e alinhamentos megalíticos (conjunto de vários menires dispostos de uma forma específica, como na famosa Stonehenge) com a disposição dos astros e com a recepção de energias “cósmicas”. Há quem diga que, devido a essas energias, assim como às linhas de água, a presença prolongada junto a estes monumentos leva à alteração de estados de consciência ou ao revitalizar da energia interior de um indivíduo.

Portugal tem um elevado número de exemplos de Cultura Megalítica um pouco por todo o seu território, sendo alguns destes os mais antigos da Europa Ocidental (sexto milénio antes de Cristo) e possuindo inclusive o maior cromeleque da Península Ibérica (Cromeleque dos Almendres), e uma das maiores antas ou dólmens da mesma (Anta Grande do Zambujeiro). A aura de mistério em volta destes magníficos vestígios do passado levou a que tivessem sido alvo de associação a antigos ritos pagãos e ao desenvolvimento de lendas e crenças em volta destes monumentos. Muitos destes contos populares ainda sobrevivem no folclore português, abundando lendas de mouras encantadas que usam os monumentos como local de habitação, análogas aos sidh irlandeses (ou fadas), ou crenças populares de que estas construções são portais para um outro mundo oculto e mágico ou são dotadas de algum poder sobrenatural e espiritual.

 

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Investigador da Universidade Nova de Lisboa nos âmbitos de literatura medieval, culturas e mitologias europeias.

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