Castro de São Miguel

Num cocuruto da Serra da Ladareira, a 500 metros de altitude e a pisar a divisória de distrito entre Santarém e Castelo Branco, encontra-se um monumento nacional esquecido: o Castro de São Miguel, também conhecido por Castro de Amêndoa, ou pelo mais completo Castro de São Miguel de Amêndoa.

Embora a cultura castreja seja apontada como uma característica dos povos do noroeste ou norte ibéricos, nomeadamente Galiza, Minho, Douro Litoral, Trás-os-Montes, Leão e Astúrias, também os encontramos noutros pontos do país, possivelmente com contextos culturais um pouco diferentes dos seus comparsas nortenhos. Já aqui foram mencionados castros como o de Outeiro Lesenho ou o de Curalha. Aqui, contudo, descemos um pouco no mapa português. Estamos na província que é talvez aquela que mais representa a transição entre norte e sul português – a Beira-Baixa.

O castro é limitado por uma muralha quadrangular (embora não devamos levar a sua geometria tão à letra) que coroa este cabeço, estando as habitações encostadas ao muro meridional, entre os silvados que inevitavelmente vão crescendo onde a presença humana é quase nula. Do lado norte, aproveitava-se a brusquidão do seu relevo como palco de defesa natural.

É produto da idade do Ferro, como a maioria o é, embora o período Hallstáttico nestas zonas mais remotas do país tenha aparecido com atraso e nunca largou alguns vícios calcolíticos (e, convém lembrar, estendeu-se até mais tarde também). Neste caso, contudo, há algumas evidências que apontam para a reutilização do Castro de São Miguel enquanto bastião de defesa ao longo do tempo – por romanos e, aqui vem o lado mais insólito, por Visigodos.

Outra peculiaridade é um pequeno anexo rectangular, próximo do seu vértice a noroeste, que indica estarmos perante algo acima do simples castro – talvez uma cidadela seja termo mais na mouche.

Mapa e Coordenadas de GPS: lat=39.668133 ; lon=-8.064582

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.