Zés Pereiras

Os Zés Pereiras são grupos de percussionistas, habitualmente homens, que se fazem acompanhar de caixas e bombos, martelando batidas marciais vibrantes e hipnóticas.

São uma tradição do Minho, embora também os possamos ouvir em algumas zonas do Douro Litoral. E podem tocar sozinhos ou, em alternativa, fazerem-se acompanhar de outros instrumentos, nomeadamente a gaita-de-fole galega ou um modelo nela inspirado (muito raramente, a gaita-de-fole mirandesa poderá vir à baila, bem como outros instrumentos de sopro).

Poderemos ouvi-los em ocasiões festivas – religiosas ou profanas, como romarias e cortejos. A mais icónica concentração de Zés Pereiras acontece nas eternas Festas da Senhora da Agonia em Viana do Castelo, ou nas Feiras Novas de Ponte de Lima em Ponte de Lima.

A origem do seu nome não é consensual. Uma explicação que gosto, por ter contexto lendário, assume que o primeiro instrumento a ser construído no mundo foi a gaita-de-fole, e que o homem que a fez era pastor e se chamava Zé Pereira – e a partir daí deu-se o nome de Zé Pereira a qualquer conjunto que integrasse gaitas e percussões. Que tenha sido um pastor a inventar a gaita-de-fole é bem possível já que o fole era feito do bucho do seu gado. Que ele se chamava Zé Pereira é um salto grande demais para se fazer. De qualquer forma, as lendas servem para dar pistas à história, e é assim que as devemos ler. E por esse lado, o que não é de mandar fora é esta associação dos Zés Pereiras à vida pastoril.

Tocam os géneros musicais mais enraizados no norte do país: as chulas e os viras são essenciais, e o corridinho (que tem uma variante nortenha, em alternativa à algarvia) poderá igualmente ser trazido para o cancioneiro tradicional dos Zés Pereiras. Todos eles tocados com a intensidade de quem quer pôr a terra a tremer.

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.