Viola Amarantina

Chamam-lhe Viola Amarantina porque é natural de Amarante. Mas não deixa de ser um nome curioso tendo em conta que o amar acaba lá representado.

Com efeito, a melhor forma de reconhecermos a Amarantina é mesmo pelo seu lado romântico. Basta para isso passar os olhos de relance. Ele lá está, nos dois corações que substituem a boca circular vista nas restantes violas.

Já o modelo é muito semelhante a uma irmã sua, que paira mais a norte: a Viola Braguesa, bracarense.

Conta portanto com um conjunto de cinco cordas duplas: as quatro (ou o conjunto de duas) mais agudas tocam a mesma nota, na mesma oitava, e as seis (ou conjunto de três) mais graves tocam a mesma nota mas em oitavas diferentes. Mas ao contrário da de Braga, a escala vem até à boca, aumentando as hipóteses sonoras mais agudas.

Finalmente, depois de anos a penar, a Viola Amarantina veio para ficar – há até quem se tenha apaixonado por ela fora de terras durienses

Esteve à beira da extinção. Contudo, um punhado de gente amarantina suou o que foi preciso suar para a devolver à terra. Agora voltou às festas de Amarante, a acompanhar as chulas do Douro (ou neste caso, do Tâmega). Juntam-se à festa a muito antiga rabeca chuleira, também. Ou o cavaquinho minhoto, que é amigo de tudo o que é arraial.

Importante é também saber a lenda que a Viola Amarantina carrega consigo. Não será difícil adivinhar que fala de dois amores. Ou de um amor que um trovador de poucas posses sentiu por uma mulher, e que, não tendo tido resposta, resolveu selar os corações de ambos neste instrumento de grande pormenor artístico – não só na parelha de corações como também no floreado que contorna toda a caixa.

O futuro parece garantido. Os artesãos fazem-nas para serem tocadas, e os formadores mexem-se para haver mais gente que a toque. Um esforço que começou em poucas pessoas mas chegou para salvar a Amarantina de uma morte lenta. Valeu a pena.

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.