Terras de Cavaleiros

Terras de Cavaleiros é um dos quatro Geoparques atribuídos pela Unesco ao território português, sendo de todos eles o que mais recentemente recebeu tal distinção – os outros três são o Naturtejo, o Arouca Geoparque, e o Açores Geoparque. Situa-se junto a Macedo de Cavaleiros, onde aliás reside a sua sede, e desfila uma cadeia de serras que parecem não ter fim, resultado de um embate de massas que lhe valeu o nome de umbigo do mundo.

A história começa no Ciclo Varisco. O quê? Ciclo Varisco? Sim, Ciclo Varisco, um tal que teve como resultado as cordilheiras, cadeias montanhosas que se fizeram do choque de continentes quando estes chegaram ao limite da sua extensão. Aqui, no dito Maciço de Morais, perto de Macedo de Cavaleiros, encontram-se registos dessa integração continental com uma idade superior a 300 milhões de anos, que deu depois origem ao continente matriz da Pangeia, mais tarde separado, começando-se assim a desenhar o mapa mundo que hoje conhecemos.

Terras de Cavaleiros é, na verdade, um planalto, com a particularidade de contar com um tipo de solo de caracterísitcas especiais, contando com uma amplitude de 400 metros entre os seus pontos mais baixos (que se aproximam dos 400 metros de altura) e os seus pontos mais altos (que atingem os 800 metros de altura). Surgem à sua volta vales escavadíssimos que marcam a sua fronteira, como se os Deuses da terra estivessem chateados quando os fizeram naquele momento, e cujos sedimentos são entretanto drenados por rios profundos que seguem para oeste, dos quais se destaca o Sabor. A terra é ríspida e transpõe o lado transmontano quente (o do Douro) para o lado transmontano frio, que avança em direcção a Miranda. O Geoparque conta assim com uma ponderação entre o clima gelado do Leste de Trás-os-Montes e os calores sufocantes dos vales durienses. Talvez por isso se possa encontrar uma flora diversa, que tanto pode ir buscar inspiração ao mediterrâneo (na oliveira e azinheira, por exemplo, mas não só – até sobreiros aqui há!) como ao atlântico (carvalhos e castanheiros, sobretudo), árvores que se levantam acima de narcisos, rosas-albardeiras, troviscos e orquídeas de vários tipos. Por aqui, com muita muita sorte, pode também ser encontrado o misterioso lobo ibérico, tal como o gato-bravo, a gineta ou o esquilo vermelho. E cogumelos aos magotes, e borboletas mil. Nos ares voam águias e milhafres, a longa distância, e pica-paus e chapins nos limitados céus dos bosques. Mas mais que a soma das espécies, das mais convencionais às mais endémicas, Terras de Cavaleiros vale pelo mosaico para o qual todas elas contribuem com a sua cor.

Os Geoparques são criados com o objectivo da sua conservação, por um lado, e como forma de promoção turística da região demarcada, por outro, estando ambos obviamente interligados. Entrando na natureza que envolve Macedo de Cavaleiros, é de agradecer à Unesco pela decisão. Venha-se, por isso. Seja para pescar, ou para caçar, ou para desportos náuticos, ou para BTT, ou para caminhadas. Ou que se venha apenas para testemunhar o milenar carnaval dos Caretos de Podence, que aqui se passa. Venha-se, enfim.

Mapa e Coordenadas de GPS: lat=41.575748 ; lon=-6.941814

Comentários

(251 Posts)

Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.

2 comentários sobre “Terras de Cavaleiros

  1. Anonymous

    Obrigada Ricardo pelo magnífico texto acerca do Geopark Terras de Cavaleiros!!! Sílvia Marcos – Coordenadora do Geopark Terras de Cavaleiros.

  2. Ricardo Braz Frade Post author

    Cara Sílvia,

    Não tem de quê, e não é favor nenhum. Passei muito bons dias por aí. Felicidades e cumprimentos às gentes transmontanas.

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