Silarcas

Bem sei que parecem batatas, tanto é que alguns, em calão, chamam-lhes batatilhas. Não são. As silarcas (também conhecidas por túberas ou criadilhas) são cogumelos, e existem com maior densidade no Baixo AlentejoAlto Alentejo.

Poderão ser abertas ou fechadas – estas últimas são aquelas cujo aspecto é mais abatatado e as preferidas deste escriba.

Encostam-se às raízes dos sobreiros até serem apanhadas por um qualquer errante: as silarcas (ou túberas) passam por batatas mas são um delicioso cogumelo alentejano

Encontrar Silarcas

Encontrar silarcas não é fácil. Os supermercados mal as vendem, e a vasta maioria dos restaurantes não as cozinham.

O mais fácil será ir ao Alentejo profundo. A restauração local poderá, com sorte, tê-las escondidas num prato regional. Algumas feiras da zona também as poderão vender em tendas de rua improvisadas – destaque para a da aldeia de Cabeça Gorda, a quinze quilómetros para sul de Beja, que se realiza no mês de Março. E à falta de opção, poderá ser o interessado a ir ao encontro delas, no seu berço.

Escondem-se por baixo de solos terrosos e só damos conta que ali andam porque há pequenos altos que as denunciam. Selvagens, estão carregadas de terra. É uma prova de onde vieram e assim as queremos. De qualquer forma, é bom que a apanha seja feita tendo um conhecedor do assunto por perto – as silarcas são muito parecidas com outro tipo de cogumelos não comestíveis.

Nos dias que antecipam e iniciam a Primavera – a época em que rebentam -, ainda é possível vermos pessoas a apanhá-las nos campos do Alentejo para venda local, um hábito próximo daquele que é feito com as trufas, muito embora o valor das silarcas seja francamente mais baixo que o das trufas italianas ou mesmo francesas.

Costumam saltar dos sobreiros, e por isso é nessas florestas de sobro que são os montados alentejanos, que compramos o nosso bilhete da sorte. Precisam de alguma humidade para que nasçam a rodos, e por isso serão os invernos de chuva – uns tais que não são uma garantia no sul de Portugal -, aqueles que aumentam as probabilidades de os vermos.

Um estranho cogumelo que já deu razões para se festivalar

Receitas com Silarcas

Como poderão servir de acompanhamento a muito prato, não há apenas uma forma de cozinhar silarcas.

De qualquer forma, e tendo em conta que falamos de cogumelos, poderemos adiantar que é sempre bom fazê-los misturados com ovos, em jeito de revuelto espanhol. Dessa forma poderemos sentir-lhes o sabor elementar, ao contrário do que aconteceria caso fosse figura secundária num qualquer outro combo gastronómico.

A preparação é simples. Depois de removida a pele das silarcas, lavamo-las e cortamo-las em fatias estreitas e levamo-las a um lume de azeite e cebola e alho. Se se apetecer uma carne a acompanhar, juntem-se enchidos de porco, que no alentejo não faltam. Por ali ficam a abrasar e a ganhar cores quentes. Depois é juntar os ovos batidos à sertã e deixar que ganhem forma. No final, junta-se pão, porque é ele que servirá de garfo.

Festival do Cogumelo Silarca

Na freguesia de Cabeça Gorda, em Beja, há um festival nos inícios de Março em torno das Silarcas silvestres mas que vais além deles, havendo promoção de outros produtos regionais (gastronómicos e não só), bem como de Cante Alentejano e, a juntar, aparições de DJs para o passo de dança no final da noite.

Há ainda passeatas matinais às terras dos cogumelos de pedra, bem como palestras acerca deles.

No total, são cerca de cinco dezenas de tendas – a maioria focada no mercado micológico -, e mais uns quantos restaurantes locais que alinham no evento preparando pratos típicos onde a Silarca domina.

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.