Serra de Montejunto

A Serra de Montejunto é o miradouro de excelência para toda a província da Estremadura. Conta com o ponto mais elevado desta antiga província, com uns hereges 666 metros de altitude – o cume da Serra de Aire está acima mas já se situa no Ribatejo.

Acaba por ficar omissa nesta região periférica da cidade de Lisboa – a verdade é que a Serra do Montejunto é praticamente desconhecida de um lisboeta comum, que no seu top of mind tem a Serra de Sintra e a Serra da Arrábida como referências.

Chamavam-lhe, e até certo ponto ainda há quem chame, Serra da Neve. Não exactamente por lá nevar (embora, muito raramente, aconteça) mas por lá se encontrar uma fábrica de gelo que abasteceu a cidade de Lisboa durante vários anos – a Real Fábrica do Gelo.

Tem uma orientação de sudoeste para nordeste e serve de separação entre a zona do Oeste – de tendência Atlântica, mais fria e mais húmida – e a zona próxima do Tejo, do lado interior, onde começam as lezírias ribatejanas. O efeito que provoca é bem notório se viajarmos do Cadaval até à Abrigada. Em poucos quilómetros, passamos de terras onde a chuva e o nevoeiro são relativamente frequentes, para, depois de atravessarmos toda a serra para o lado interior, vermos um chão tórrido e amarelado, sem vento, e começamos a sentir o mediterrâneo na secura da pele e nas visitas frequentes do sol – aliás, o topónimo que arranjaram à povoação Abrigada, diz tudo.

Sofreu muito com os fogos, ameaça constante por aqui, e com uma política de florestação à base de eucaliptos que lhe tira um lado autóctone que, pessoalmente, acho fulcral manter-se. Carvalhos são cada vez mais raros. Pinheiros bravos e mansos, bem como castanheiros,  conseguimos ver, muitos deles também fruto de plantação humana. Constantes são os matos de carrasco,  mais resistente ao fogo, por vezes completados por arbustos coloridos, como medronheiros e lentiscos e alecrins.

A água escasseia, isto apesar do ritmo das chuvas, no lado virado para a costa, ser elevado. O que acontece é o mesmo que podemos observar na Serra de Aire e Candeeiros, a sua vizinha do norte: a rocha dominante, calcária, é frágil, e as águas precipitadas conseguem perfurar penedio com alguma facilidade, o que faz com que as ribeiras existam, sim, mas por baixo do solo, a seguir o curso de certos corredores de grutas profundas, e só venham à superfície ao largo, isto é, na planura dos arrabaldes de Montejunto.

Uma das suas particularidades, e que fazem dela alvo óbvio para os fanáticos desta causa, é a sua avifauna. A diversidade de aves que aqui poisam é enorme. Há gaviões, águias, corvos, pardais, lavercas, cotovias, peneireiros, andorinhas e andorinhões, piscos, chapins, carriças, felosas, rabirruivos, pica-paus, perdizes, mochos, codornizes, bufos, cartaxos, rolas, cucos, corujas, melros pretos e melros azuis, fuínhas… e podia seguir para bingo, tal a quantidade. Uma verdadeira babilónia de animais com asas, bem à porta de um centro urbanístico com o seu quê de caótico como é o de Lisboa.

É nesse bucolismo que a Serra de Montejunto ganha. Uma espécie de casa de campo para quem se sente saturado dos excessos das grandes cidades.

Mapa e Coordenadas de GPS: lat=39.204614 ; lon=-9.026083

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.