Saltos da Ribeira

Ora aqui está um fenómeno que não posso garantir ao leitor que seja visto in situ, por muita gana que se tenha. Isto porque não está dependente da vontade de quem o quer presenciar, mas da panca que der na tola de quem o faz.

São os saltos para o rio Douro feitos na zona ribeirinha da cidade do Porto, feitos pelos putos, putos com todas as cinco letras, com idades a variarem entre os seis e os dezasseis – digo números aproximados face àquilo que os sentidos me transmitem, o que não quer dizer que não haja gente a fazê-lo fora desta amplitude etária. Normalmente quem se atira a este risco são rapazes, mas há miúdas que também vão na iniciativa.

Recomendamos que, para aumentar a probabilidade de assistirem a estas olimpíadas regionais, lá se dirijam num mês estival, quando o calor abrasa a pele. É por essas alturas que os gaiatos saem das suas casas, muitas vezes às escondidas das mães, e se atiram a esta acrobacia.

A formação começa numas escadas de granito que já se deixam banhar pelas águas durienses. Degrau a degrau, vão subindo a altura do salto, até o fazerem do alto desse paredão, já no passadiço da Ribeira. O próximo passo é feito por uma plataforma de acesso mais ingrato – está para lá de um café à beira-rio que os putos têm de atravessar para chegarem ao muro de onde parte o último impulso antes do mergulho. Por fim, quando a experiência já o deixa, chega a prancha de ouro: o tabuleiro inferior da mítica ponte Dom Luís I.

A maioria atira-se de pés, com ténis calçados. Mas há quem enfrente o salto de caras: braços acima da cabeça, mãos esticadas até ao limite, e em flecha afundam-se no Douro, uma segunda casa. Quando feito da ponte férrea, o salto pode demorar um bom par de segundos, milésimas de adrenalina antes de serem engolidos por água doce.

São vários os turistas que os filmam, alguns até em jeito de documentário. Pouquíssimos os que os imitam, mas ainda os há.

Coordenadas de GPS: lat=41.140465 ; lon=-8.609971

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.