Roda do Mouchão

Há coisas que marcam de tal maneira as comunidades municipais que, de aparentemente insignificantes, se tornam emblemas da terra. Já apontámos a Árvore da Mentira, em Nisa, que, apesar de já morta, se manteve no jardim principal da vila alentejana. A Roda do Mouchão é um outro objecto que foi vítima de dedicação – o povo de Tomar olha para ela como uma figura tutelar.

Como um Berrão para as povoações transmontanas, a Roda do Mouchão revela-se uma mãe, uma imagem protectora onde os tomarenses vêm reabastecer energias

A roda do Jardim do Mouchão

A Roda do Mouchão é um carrete em ponto grande que, dê lá por onde der, na época alta e nos eventos municipais de referência (e há mais para além da Festa dos Tabuleiros), tem de estar a funcionar. Essa é a regra.

Foi originalmente construída em 1906 para regar os campos circundantes ao Rio Nabão e para transportar água a ofícios que dela precisavam, nomeadamente moinhos. Vem sendo substituída pela Câmara e a actual é feita em madeira de carvalho, oliveira e nogueira, com data de 2011.

O seu funcionamento tem procedência árabe ou mesmo romana, e é um exemplo de boa engenharia: açudes que atravessam o Nabão activam um mecanismo, fazendo a roda mover-se e carregar água em alcatruzes de barro que andam aos pares.

Está situada no Jardim do Mouchão, numa pequena ilha artificial no meio do rio com acesso feito através de uma ponte que o liga à Avenida Marquês de Tomar.

A exigência dos tomarenses para com o bom funcionamento da Roda do Mouchão é tão apertada que enternece. Em 2012, numa altura em que obras foram feitas no leito do rio levando à paragem da roda, a população não poupou as autoridades locais. No Verão de 2015, dois dias de paragem no engenho bastaram para que chovessem críticas nas redes sociais aos serviços municipais, que logo acusaram de não estarem à altura da importância que têm.

Em Tormar, tirar aquele vagaroso ritmo à roda é como ceifar um Pelourinho, ou pior. Para um tomarense, não há problema em caminhar mais um pouco e alargar um desvio no caminho, só para que se possa passar perto dela, e garantir que ela se move com a cadência do costume.

É assim que Tomar vive tal máquina, havendo, de imediato, um reflexo dela para toda a cidade: se a Roda do Mouchão não gira, a cidade de Tomar não mexe – como se a primeira fosse o motor da segunda. O que em termos emocionais não deixa de ser verdade.

Onde Ficar

Em Tomar, se perguntar por dormida, quase toda a gente lhe irá indicar o Hotel dos Templários, uma marca da cidade, e por acaso até bem perto da Roda do Mouchão. Bem perto, se prefere evitar os preços de hotel, há o Hostel 2300 Thomar e na própria ilha onde flutua o Jardim do Mouchão encontra-se a Estalagem de Santa Iria.

Mapa e Coordenadas de GPS: lat=39.605227 ; lon=-8.413284

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.