Quinta da Marquesa

A Quinta da Marquesa, outras vezes apelidada, entre os azambujenses, por simplesmente Marquesa, é um monte de ruínas num alto da Azambuja. Há a história dela, que vem nos livros, e depois há a estória dela, que vem num jornal, e que é bem mais sumarenta.

A história da Quinta da Marquesa

A história da Quinta da Marquesa não é muito diferente de outras casas senhoriais que se espalham em torno da capital.

Moradia de gente rica que foi passando de família nobre para família nobre, no habitual jogo de casamentos que foi apanágio do Velho Continente por séculos a fio.

Houve aqui romarias locais à Capela de Nossa Senhora do Desterro (provavelmente a parte mais intacta de todo o conjunto). Por aqui passaram também os Teles e os Castro e os Mascarenhas e os Menezes, e por estas bandas reuniu-se a realeza para as habituais caçadas praticadas nas redondezas alfacinhas.

Muito honestamente, não é tanto esse panfleto informativo que é relevante, ou pelo menos o que é, para mim, merecedor de destaque. Mas talvez seja a passagem de gente tão afortunada por estes lados a origem para o grande segredo que se fala acerca da Marquesa.

Um tesouro na Marquesa?

Estou habituado a visitar lugares sobre os quais já li. Desta vez, fui ao destino às escuras e só depois, pegando num curioso livro de Vanessa Fidalgo acerca de lugares abandonas de Portugal, soube mais acerca dele.

Tivesse eu lido alguma coisa sobre a Quinta da Marquesa antes de lá ir e teria um comportamento completamente diferente do que tive. Visitando toda aquela área sem ter a matéria dada não é mau: estamos numa pequena elevação que existe na saída oriental da Azambuja, na qual encontramos as ruinas da antiga casa e uma capela intacta o suficiente para não a confundirmos com outra coisa qualquer – à volta, olhando para sul, temos o manto verde característico da lezíria do Ribatejo, comum a todas estas terras férteis à beira do Tejo.

Ou seja, aqui chegados, mesmo sem grande bagagem informativa, acabamos por gostar do que vemos.

O melhor, contudo, e lendo aquilo que li, esconde-se no subsolo da Marquesa, onde parece haver, segundo um relato de um jornalista da primeira metade do passado século, um túnel de várias saídas e no qual poderá esconder-se um tesouro antigo.

A ideia de nestes terrenos se esconderem várias câmaras de mistérios e a hipótese de ir em busca deles relembra-me as férias de Verão que passava no campo, ainda miúdo, quando era capaz de dar toda a mesada que tinha por um quinhão de aventura que fosse. A procura de um tesouro nas profundezas das lezírias azambujenses é uma lembrança desses filmes juvenis dos anos oitenta, com o Goonies à cabeça, hoje inspiração de muitos outros.

No fundo, uma revisita à Quinta da Marquesa é agora mais do que provável, para pelo menos tentar ter uma experiência semelhante à que o jornalista cujo testemunho li.

Casario arruinado no monte conhecido como o da Marquesa

Mapa e Coordenadas de GPS: lat=39.07767 ; lon=-8.85782

Comentários

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.