Queijada de Sintra

A arredondada Queijada de Sintra é um dos mais conhecidos exemplos da doçaria portuguesa, e parte do património cultural e gastronómico do Parque Natural de Sintra, tal como as já aqui abordadas vinhas de Colares.

Sebe-se que no mundo das queijadas portuguesas, não estão sozinhas. Temos Queijadas de Coimbra, Queijadas de Estremoz, Queijadas de Évora, Queijadas de Vila Franca do Campo. Até Queijadas que não são feitas de queijo, como as dos Açores ou as de Murça. Mas as de Sintra têm carga lendária, numa história contada por aqueles lados, envolvendo reis e plebes.

Antes de irmos a esse lado mais fantasioso, convém explicar o que uma Queijada de Sintra é.

Trata-se de uma espécie de pastel ou de queque, feito, como o nome indica, à base de queijo. O copo é construído com farinha e manteiga – em alternativa a esta última, pode ser usada banha de porco. E é aqui que se desenvolve uma pequena arquitectura gastronómica: a massa deve ser preparada com um dia de antecedência para que fique mais rija, sendo depois recortada com a ajuda de um corta-massa e novamente golpeada em arestas para que se possam levantar pequenas paredes com o intuito de criar um recipiente para o creme. E esse, o creme, chegará depois, após ter sido cozinhado à parte, com queijo sem sal, ovos, farinha e canela, batidos. Por fim, são levados ao forno, e cozidos a alta temperatura, durante cerca de 10 minutos.

Podem ser comidas em vários cafés de Sintra e mesmo fora dela. As mais famosas, contudo, são as da Pastelaria Piriquita, muito ligada às visitas do Rei Dom Carlos, e onde também é servido o travesseiro como especialidade da casa.

E já que falámos de um monarca, passemos então à lenda.

Conta-nos Miguel Boim, no livro “Sintra Lendária”, aquilo que Manuel Pedroso Gonçalves contou no Jornal de Sintra. Que D. Manuel I e o seu estribeiro se perderam pelos bosques do Monte da Lua, e que lá foram ajudados por um vendilhão, escoltando ambos para sítio acolhedor, o Mosteiro de Nossa Senhora da Pena. O rei, entretanto, depois tudo isto, tinha demasiada fome para que o descanso apenas lhe servisse. E foi aí que o prior que guardava o mosteiro, depois de quase corar por não ter refeição para o mais alto cargo de Portugal, se lembrou de uns doces de queijo que por lá havia – não seria propriamente iguaria para um rei, mas à falta de melhor, teria de servir. El-Rei D. Manuel gostou tanto das queijadas que, segunda a lenda, se comportou como um miúdo sem maneiras à mesa, lambuzando os dedos e dando sumiço a todas as migalhas. E não estava sozinho, já que o estribeiro-mor o acompanhou nos maus modos. No dia seguinte, foi o próprio soberano a pedir a receita das queijadas, antes de partir para o Palácio Real, onde começaram a ser servidas desde aí.

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.