Presuntinhos de Viseu

Os Presuntinhos de Viseu não são de Viseu, nem são, sequer, presuntos. Nesse sentido não poderia haver nome mais falacioso. Mas há explicação: chamam-lhes presuntinhos por terem a forma e a cor de um presunto; e de Viseu por ser lá que se encontram os seus pontos de venda mais famosos.

Quiséssemos nós ser rigorosos e teríamos de alterar o seu nome para Pêra Passa de Oliveira do Hospital – porque se trata, contas feitas, de uma pêra seca, do tipo São Bartolomeu, e porque a sua produção se centra nesse concelho da Beira-Alta, com ajuda de outros dois, Seia e Tábua.

A secagem da pêra fazia-se por necessidade, numa de colmatar as fases mortas da terra, quando o Inverno chegava e a conservação de alimentos era uma obrigação. Hoje não teremos tanto esse problema mas os Presuntinhos de Viseu foram perdurando enquanto activo da tradição gastronómica portuguesa.

É esse passado cultural que serve de incentivo à sua produção, quando no mês de Agosto as pêras são colhidas aproveitando o calor forte do Verão para se fazer a secagem, que no início não é mais do que aquilo que nós, humanos, fazemos na praia: apanhar banhos de sol. Depois de secas, o que poderá demorar até cinco dias, dependendo das condições climatéricas, repete-se o processo de secagem mas desta vez já embaladas num saco de plástico para que a humidade entre no cozinhado. Depois, emagrecemos cada uma com a ajuda de uma espalmadeira, dando-lhe o aspecto que conhecemos, achatado. E por fim, voltam a sofrer uma última radiação solar, num terceiro e derradeiro processo de secagem.

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.