Ponte de Lima

Ponte de Lima e a sua irmã minhota, Ponte da Barca, fazem parte das excepções à regra: ambas estão na margem sul do seu rio, ao contrário da vasta maioria das povoações mais importantes do país, que se situam quase sempre na margem norte. São ambas filhas do Lima, o rio minhoto que desembarca para o oceano em Viana do Castelo, mas enquanto uma – Ponte de Lima – tem ar de filho varão, a outra – Ponte da Barca – conta com fenótipo de filho bastardo. Isto sem querer ofender ninguém, e tendo o Portugal Num Mapa um fascínio diferente por cada uma delas.

Testemunhos que falam da beleza da vila têm mais anos que os anos que os país conta. Já os romanos acharam o Lima tão belo que lhe inventaram uma lenda: pensaram que tinham dado com o rio Lethe, um dos cursos de Hades, cuja água, ao ser tocada, traria esquecimento a quem o fizesse, e foi preciso uma alta patente atravessá-lo e dizer os nomes de cada um dos soldados do outro lado da margem para que estes assumissem que não se tratava desse rio mitológico. Quem lá foi pode comprovar o quão importante este pedaço de Roma é no inconsciente de Ponte de Lima pelas duas filas de estátuas romanas que se encontram prontas a atravessar o caudal do rio limiano.

E de lá se vê a ponte bem perto, construída na idade média, a ir ao encontro do albergue dos peregrinos de Santiago e da igreja de Santo António que tão bem iluminada fica em noite cerrada. A outra, mais antiga, romana, já só se vê do outro lado, na margem direita, e dela pouco sobra. Mas o que ambas revelam, a ponte romana e a ponte medieval, é a importância que a travessia teve na construção da vila. A ponte é tão ligada a este nico de terra que serviu para dar nome à povoação. Porque era aqui que o Lima acalmava, ficando ponto de passagem obrigatório para quem queria ir de sul para norte ou de norte para sul.

As duas torres que sobram, das nove totais de antigamente, confirmam-lhe o estatuto de vila medieval, e os solares barrocos que ali rondam, de elaboração mais recente, assumem Ponte de Lima como terra burguesa, ligada a linhagens nobres. É difícil começar por contar a história de Portugal sem a mencionar. Estamos perante uma das terras mais senhoriais do país, em que cada lenda nos fala de gente rica que se apaixona por gente pobre. Pernoitar num desses palacetes é, aliás, possível e recomendável.

À volta, as serranias abundantes do Minho. Não há canto limiano que não esteja plantado. É fácil quando a chuva ajuda e no Alto-Minho pode sempre contar-se com ela. No Inverno chove muito. No Verão, chove de vez em quando.

Teste-se a visita em altura de sossego, mas envolva-se também no burburim folclórico que são as Feiras Novas, no mês de Setembro, festa máxima do Lima a seguir à Senhora da Agonia, e a posterior Feira do Cavalo, à semelhança da que é feita na da Golegã, embora aqui com travo nortenho. Seja em repouso, seja em festa, de lá não se sai sem uma trilogia gastronómica de renome nacional: arroz de sarrabulho, acompanhado de vinho verde, e finalizada com o leite creme queimado na hora. Qualquer um destes pratos pode ser provado noutro sítio do país, mas é dali que tudo vem.

Mapa e Coordenadas de GPS: lat=41.763258 ; lon=-8.583798

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.