Ponte da Barca

Em Ponte da Barca, como na vizinha Ponte de Lima, da qual é, de certa forma, irmã gémea, a vida faz-se à volta do mesmo rio: o Lima.

Começou por ser Barcas, povoação ribeirinha de Terras da Nóbrega, e mais tarde a ponte que ali se fez completou-lhe o nome para sempre: Ponte da Barca, vila minhota de gema.

Na passagem de um rio

Ponte da Barca é, como se disse, uma irmã mais reservada de Ponte de Lima. Não se dá tanto a mostrar e isto que passe como elogio.

É uma das paragens obrigatórias do rio Lima – e quantas tem ele -, que aqui caminha vagarosamente, sabendo que a vila não é para ser olhada de esguelha por quem tem pressa de chegar a qualquer sítio.

Pessoalmente, gosto de fazer a vila de duas formas distintas.

Ou de cima para baixo, a acompanhar o rio Vade pela sua margem direita e só parar quando ele se funde com o curso do Lima, junto do altamente recomendável restaurante “O Moinho” (peçam os filetes de polvo com arroz de feijão – é uma ode à arte da cozinha familiar). Quando o Vade termina, encontramo-nos no choupal, e daqui tornamos a dar ao pé para montante do Lima, onde a ponte se afigura. Seguindo pela zona ribeirinha, há espaço para uma praia fluvial e para o Jardim dos Poetas. Havendo bom tempo, dedique-se o tempo a banhos, porque o Lima não se desperdiça assim. Fazendo este passeio, sabemos, estamos a falhar aos monumentos principais lá do burgo, mas ficamos com plena sensação dos limites da terra.

Ou, em alternativa, vindo de norte e tendo a ponte à nossa frente, como porta de entrada para tudo o que aí vem. Aqui ficamos em sentido com a importância que essa travessia teve na construção de tudo o que vem a sul. Damos com casario recentemente recuperado, algum dele seiscentista, e com fachadas de telhados desnivelados, em forma de escadaria. As casas, sejam toscamente populares ou de um barroco senhorial, parecem concêntricas ao largo onde está espetado, altivo, o pelourinho. Igrejas, nestes desvios, há várias, mas duas que merecem atenção: a da Misericórdia e a Igreja Matriz, sólida e forte, um castelo de oração. Depois de espiados todos os cantos, é seguir rampa acima, até a Ponte da Barca mais moderna ir dando a cara, cada vez mais afastados do rio de onde tudo brotou.

O rio Lima e a ponte em Ponte da Barca

História de Ponte da Barca

A existência do rio foi o mote para o surgimento de Ponte da Barca. A própria nomenclatura já diz quase tudo.

A última parte do nome da vila explica-se em primeiro lugar, porque cronologicamente assim aconteceu: foi uma barca que por lá existiu, e que tinha como função transportar gente de uma margem para a outra. Já a primeira parte, a ponte, surgiu mais tarde, substituindo a passagem fluvial por barco.

Claro que antes da barca e antes da ponte já por aqui havia vida – galaica (há um castro lá por perto, onde mais tarde surgiria o Castelo da Nóbrega) e romana, pelo menos. Mas se houve gatilho para o desenvolvimento desta região à beira Lima, esse foi mesmo a travessia que se começou a fazer, presume-se, pelo século IX ou mesmo antes disso, carregando, habitualmente, peregrinos do Caminho de Santiago Português, dirigidos a Santiago de Compostela, epicentro da Galiza. A procura da barca deve ter sido tanta que no século XV se resolveu dar o upgrade, construindo-se a engenhosa ponte.

E a partir daí foi sempre a subir. Comerciantes aqui vinham, ora para criar negócio, ora para passarem o Lima e fazerem dinheiro abaixo ou acima deste. A promoção, via foral manuelino, pôs Ponte da Barca como sede de concelho, recolhendo nobres minhotos que aqui estabeleceram os seus Solares, muitos deles ainda em bom estado de conservação, e alguns até readaptados a agroturismo como é a Casa da Portela de Sampriz.

Uma dessas famílias da fidalguia que aqui se estabeleceu foi a de uma mulher de armas, como é apanágio da mulher minhota. Chamava-se Maria Lopes da Costa, cujos filhos e netos e bisnetos perfaziam um total de 120, e muitos deles foram responsáveis pelo crescimento da vila, que foi sendo feito para sul, numa orientação perpendicular ao rio Lima. Ainda muita gente da terra tem Costa como apelido, provável descendente de Maria Lopes.

Hoje viverá, acima de tudo, dos encantos turísticos do Minho, e das festas que por aqui se vão fazendo, ora em forma de festival, e o Folk Celta de Ponte da Barca começa a ficar no mapa festivaleiro do norte português, ora de carácter religioso, como é a agostinha Festa de São Bartolomeu.

Onde ficar

A já mencionada Casa da Portela de Sampriz é parte da historial senhorial de Ponte da Barca e por isso merece uma visita, que serve como dormida histórica também. Construída originalmente no século XVI, é uma marca do Minho aristocrático, dos Solares espaçosos e brasonados.

Mapa e Coordenadas de GPS: lat=41.80799 ; lon=-8.42147

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.