Pão de Ló de Folgoso

Um velho amigo falou-me uma vez do Pão de Ló de Folgoso e eu desliguei. Conheço relativamente bem a gastronomia portuguesa – nunca tendo ouvido tal nome, pus a arrogância à frente da ignorância e deixei passar. Foi preciso um jantar em Castelo de Paiva, com esse mesmo amigo, a fazer ver o quão longe da verdade estava.

Se mandasse, o Pão de Ló de Folgoso seria mais uma maravilha de Portugal – desse por onde desse, e nem que aumentássemos o lote de sete para oito.

O melhor pão de ló do universo

Não sou eu que afirmo ter no Pão de Ló de Folgoso o melhor de sempre, ou citando, o melhor do universo. A afirmação vem de outra boca e eu limito-me a dizer que sim e a assinar por baixo. Não tenho, aliás, grande contributo a dar sobre a história desta delícia.

Na verdade, depois de o ter provado a primeira vez, foram pouquíssimas as informações que consegui sacar acerca dele. Muito menos sei da receita que lhe dá forma e que, sabe-se lá como, põe um pão de ló, doce que regra geral não muda muito de cozinheiro para cozinheiro, como uma maravilha escondida da doçaria tradicional por cá feita.

O que me disseram, em tom muito informal, e vindo de uma pessoa que o vendeu (e não que o fez), é que são usadas bem mais gemas do que é normal, em detrimento da farinha. Essa será a explicação para o tom mais alaranjado do bolo e, diga-se, a justificação para o seu preço ser mais elevado (comprei-o a 26€, o que é muito, mas daria mais fosse ele mais caro).

Em pequena investigação soube que se tratava de um produto familiar, o que não surpreende, e de produção escassa, numa fábrica em Folgoso, próxima de Castelo de Paiva.

Porquê o melhor?

O Pão de Ló de Folgoso é especial por várias razões mas a mais óbvia é a liquidez com que se apresenta no prato.

Tem um creme de gema que escorre do bolo e sai cá para fora, invadindo espaço alheio, tal e qual como acontece se cortarmos de cima a baixo um Queijo da Serra.

Não há partes dispensáveis, como acontece na vasta maioria dos pães de ló, que são secos na periferia e cremosos no miolo. Aqui, tudo é prata, e não há um centímetro que seja desperdício.

E prepará-lo é a coisa mais simples que há: compra-se congelado e deixamo-lo a descongelar ao relento. Só depois vai ao frigorífico, ficando a partir daí próprio para consumo.

Onde comprar

A primeira vez que o comi foi no restaurante que falei no primeiro parágrafo: a Casa de São Pedro, em Castelo de Paiva, mesmo ao lado do Hotel Rural Casa.

Regressando a Lisboa, fui encomendá-lo ao Hotel Estrela, junto do jardim homónimo. Na mesma rua, para o lado de Campo de Ourique, está a doçaria chamada O Ponto Mais Doce da Cidade, que também o vende. Soube, por pesquisa, que o Mercado da Ribeira também o tem.

Fora da capital, Porto e Coimbra e Vilamoura revendem-no ao público.

Para encomendas, ir aqui. Não têm de agradecer.

Comentários

(295 Posts)

Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.