Maranho

Típico da Beira Baixa, da zona de Proença-a-Nova e da Sertã em concreto, este prato, com as devidas mudanças que o tempo sempre traz, já vai para as quatro centenas de anos. Serviu de alimento dos beirões do interior durante as invasões napoleónicas. Consiste na mistura de vários tipos de carne – sejam elas de cabra, de borrego, de porco, toucinho, presunto ou chouriço -, que juntas com arroz e aromatizadas com hortelã e pimenta e alho, são depois apertadas numa improvisada bolsa de estômago de cabra.

Além das iguarias necessárias, convém vir para a preparação de maranho como se de uma aula de educação visual se tratasse: é preciso linha grossa, uma agulha e tesoura ou faca. Isto para que se consiga fechar o fole onde tudo é armazenado, dando uma folga que será preenchida com o engordar do arroz no tacho. O ideal é deixar a cozedura do bucho actuar de um dia para o outro, e deixar que todos os sabores se fundam num só. Por vezes, o uso da hortelã é tão forte que acaba por abafar uma bela parte do sabor da carne.

Era uma tradição de alcance regional até há bem pouco tempo, e foi preciso uma apresentação no seminal Festival de Gastronomia de Santarém para que o maranho fosse posto no mapa de Portugal. Com a divulgação – acontece sempre -, surgiram as imitações baratas, onde o bucho é substituído por pele sintética, tirando grande parte do seu misticismo.

Em Julho é normal vermos festivais gastronómicos dedicados a este combo de carnes, sendo o mais conhecido feito junto à Ribeira da Sertã. Fora dos meses de calor, não havendo festas de rua, há os restaurantes nas imediações da Sertã, onde nunca falta o maranho no cardápio.

O Portugal Num Mapa dormitou no recomendável Convento da Sertã Hotel – um poiso de sossego mesmo ao lado do Restaurante Ponte Velha, onde se pode provar este prato para estômagos mais afoitos.

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.