Mar da Palha

Antes do Tejo se entregar ao Atlântico, ali onde bandos de flamingos molham patas, numa separação fluvial da lezíria ribatejana com a urbe lisboeta, abre-se um pequeno mar, como que a anunciar um outro maior: o do oceano. O seu nome, consta-se, vem da palha arrastada e que aqui encontra vagar para repousar.

Mar da Palha, a antecâmara do Atlântico

Situa-se em plena Reserva Natural do Estuário do Tejo, e vai-se desembrulhando perto de Alhandra, por entre pequenas ilhas, aqui conhecidas como mouchões. Volta encurtar-se na península onde se encontra a base aérea do Montijo e retoma o formato de rio por pouquíssimos quilómetros, antes de passar por baixo da mítica Ponte 25 de Abril e se atirar paulatinamente para o seu fado, que é o mar salgado. Como pequeno pedaço de mar que é, por vezes, com ajuda do vento e das marés, podemos ver alguma ondulação a cair numa e noutra margem.

O Mar da Palha é daqueles sítios íman, onde tudo parecia ir lá dar e quase nada sair. O vento, normalmente vindo de Oeste ou Noroeste, arrastava embarcações do Atlântico até lá. A corrente do Tejo empurrava as que vinham do outro lado, rio abaixo. E depois, estando lá, é fácil perceber o porquê de ali quererem ficar. De um dos seus lados, na margem esquerda, aquela que os alfacinhas tratam por margem sul, vê-se planura, um prenúncio do Alentejo mais além. Do outro, na margem direita, as elevações que deixam antever a chegada da sempre empertigada Lisboa das sete colinas. Foi assim, neste gargalo, que começou a ganhar forma a que viria a ser capital.

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.

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