Labirinto do Minotauro

Perto de Coimbra, junto às ruínas romanas de Conímbriga, encontra-se na Casa dos Repuxos a nossa versão do Labirinto do Minotauro, semelhante ao que a mitologia aponta em Creta, datado do século II d.C., sobre o qual é possível caminhar. O labirinto é quadrangular e composto por lajes de duas cores, formando quatro espirais nos quatro cantos do quadrado. No meio, a cabeça de um touro, representação em busto do Minotauro. Este tipo de ornamento, de óbvia origem grega, foi-se reproduzindo noutras zonas da europa através da expansão do Império Romano, que o adoptou, quase sempre através de mosaicos, e que explica como é que tal obra aqui chegasse.

Segundo a mitologia clássica, Teseu, filho do rei de Atenas, e depois de saber da morte de vários atenienses, devorados por este ser demoníaco, comprometeu-se a chegar ao centro deste labirinto de onde ninguém conseguia sair, e matar o monstro metade-homem-metade-touro que lá se encontrava. Assim o fez, usando o labrys, um machado duplo, igualmente representado em mosaico, mesmo ao lado do labirinto. Teseu, conseguiu depois sair do labirinto através de um fio de novelo que foi deixando pelo caminho, dado pelo seu amor proibido, Ariadne. Ainda segundo o mito, esse mesmo novelo que ajudou Teseu a encontrar o caminho de fuga, transformou-se, à saída, em luz. O significado deste episódio, como em quase tudo na mitologia clássica, ou nórdica, ou celta, esconde verdades que não saltam ao primeiro vislumbre.

Haverá uma eventual interpretação histórica – a derrota do temeroso animal Minóico às mãos de Teseu é um paralelismo da conquista da liberdade ateniense face ao poder dos reis de Creta, tratando-se assim da vitória da condição do homem livre face à tirania.

Mas haverá uma outra possível explicação, esta de um domínio mais espirtual.

Simbolicamente, o labirinto, em várias culturas, inclusivamente a ocidental, exprime um ritual de iniciação, e neste caso, dado o objecto de procura (o Minotauro) encontrar-se no seu centro, podemos relacionar esta viagem labiríntica como uma metáfora para uma outra viagem, mais real, quase platónica, ao nosso interior. De resto, o Minotauro é, aqui, o sinónimo das trevas, do desconhecido – e assim podemos aventurar que o percurso feito por Teseu é, realmente, uma exploração do seu lado mais obscuro (representado no labirinto e no monstro), que uma vez vencido encontra a luz (representado pela luz em que o novelo se transforma).

Coordenadas de GPS: lat=40.098671 ; lon=-8.49068

Comentários

(251 Posts)

Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.

Deixar um comentário...