Igreja de Nossa Senhora da Assunção de Terena

Poucos sabem que ela existe. Quase ninguém, tirando quem lá mora perto, a viu. O que é uma pena. É uma pena para Terena enquanto freguesia e uma pena para a Igreja de Nossa Senhora da Assunção de Terena enquanto monumento de referência na arquitectura portuguesa.

Responde igualmente pelo nome de Capela da Boa-Nova. Contudo, igreja ou capela, aqui, são eufemismo. Não que não se trate de um posto católico, porque no final tem uma utilidade religiosa também – embora alguns defendam que se construiu como mais uma forma de cristianizar outras crenças, o que terá a sua razão de ser tendo em conta que nos encontramos numa zona que é um vórtice de cultos a Endovélico, junto ao vale da mística Ribeira do Lucefécit.

Mas é tão musculada que soa mais credível se a considerássemos uma fortaleza. Na verdade, não há mais nenhum exemplo de igreja-fortaleza no país, com excepção da que se encontra na vizinha Fortaleza de Santa Maria de Flor da Rosa. Dúvidas houvesse e bastaria olhar para as portas, sejam as laterais, seja a frontal: todas têm, em cima, um pequeno balcão que se salienta da muralha, servindo assim a protecção para quem quisesse entrar ou sair dela.

Tem provável origem no século XIII, mas foi no século XIV que ganhou a forma recente. Abobadada, de planta em cruz, paredes gordas, amuralhada e cortada com seteiras. Se não entrássemos, apenas o campanário poderia apontar para uma certa clerezia na sua estética, e mesmo este é uma actualização recente, tal como as pinturas alusivas ao Apocalipse de São João, com o seu quê de dispensáveis.

É um forte. Diversificou funções, mas é um forte. E ponto.

Mapa e Coordenadas de GPS: lat=38.616759 ; lon=-7.397373

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.