Feira do Cavalo da Golegã

Vem a calhar, a junção da Feira do Cavalo com a data de São Martinho, já que foi montado neste animal que, segundo a lenda, este Santo ofereceu a sua capa a um pobre (ou dois, dependendo da versão) que passava frio ao relento. São dez dias de festa na formosa vila da Golegã, apanhando aqueles que o povo apelidou de Verão de São Martinho, onde são homenageados os cavalos Lusitanos e as noites da castanha assada.

Passeiam-se no picadeiro os marialvas do Ribatejo, normalmente vestidos à maneira tradicional, de jaqueta e colete por baixo desta, de botins encaixados nas esporas, a exibirem orgulhosamente os seus equídeos, e as noites duram até as noites não durarem mais – isto é, quando a luz vem e põe as bebedeiras a descoberto.

Chamamo-la de feira porque há de facto um mercado. Aqui se compram e aqui se vendem os mais baratos e mais caros puros-sangues da zona, sempre na ordem dos milhares de euros, e tendo como mediadores a agua-pé e a jeropiga, para empurrarem a castanha e o negócio. Os concursos do programa são para tudo o que é gosto, numa espécie de olimpíadas da cultura equina portuguesa: há saltos de obstáculos, concurso de resistência equestre, partidas de Derby’s, provas de volteio, provas de ensino, concurso de trajes, apresentação de cavalos à mão, apresentação de cavalos montados, concurso de atrelagem, horseball, provas de perícia e destreza, campeonatos de maneabilidade, torneio de equitação do trabalho, entre outras. Para olho mais artístico, temos exposições de pintura, sempre com a raça Lusitana como mote.

Há miúdos de Santarém que cá vêm mais em trabalho de promoção e há miúdos de Lisboa que cá vêm mais em trabalho de copos. Quando a jeropiga ateia os ânimos nas tabernas, a testosterona dá o tiro de partida para pequenas rixas a céu aberto. Tudo isso faz parte de um certo galanteio que sempre se associou ao velho Ribatejo, e na Feira do Cavalo não se podia excluir tal coisa.

O programa da Feira do Cavalo da Golegã para o ano de 2016 pode ser consultado aqui.

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.